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CID N46: Infertilidade masculina
N46
Infertilidade masculina
Mais informações sobre o tema:
Definição
A infertilidade masculina é definida como a incapacidade de um homem de engravidar uma parceira fértil após pelo menos 12 meses de relações sexuais regulares e desprotegidas, na ausência de fatores femininos evidentes. Representa uma condição multifatorial que afeta aproximadamente 40-50% dos casais inférteis, sendo classificada como primária (nunca gerou uma gravidez) ou secundária (já gerou uma gravidez anterior). A infertilidade masculina envolve distúrbios na produção, função ou transporte dos espermatozoides, resultando em parâmetros seminais anormais, como oligozoospermia (baixa contagem), astenozoospermia (baixa motilidade) ou teratozoospermia (alta morfologia anormal). O impacto clínico inclui implicações psicossociais significativas, além de possíveis associações com condições sistêmicas, como doenças endócrinas, genéticas ou oncológicas.
Descrição clínica
A infertilidade masculina é caracterizada por uma falha na capacidade reprodutiva, frequentemente assintomática, com diagnóstico baseado em avaliação seminal e clínica. Pode estar associada a fatores pré-testiculares (ex.: hipogonadismo hipogonadotrófico), testiculares (ex.: varicocele, criptorquidia) ou pós-testiculares (ex.: obstrução dos ductos ejaculatórios). A apresentação clínica varia desde ausência de sintomas até sinais como dor testicular, massa palpável ou alterações endócrinas. A avaliação requer uma abordagem sistemática, incluindo história clínica detalhada, exame físico e exames complementares para identificar etiologias tratáveis ou irreversíveis.
Quadro clínico
O quadro clínico da infertilidade masculina é frequentemente inespecífico, com muitos pacientes assintomáticos. Sinais e sintomas podem incluir: história de infertilidade primária ou secundária; dor ou desconforto testicular (associado a varicocele ou infecções); massa palpável no escroto; ginecomastia ou outros sinais de hipogonadismo (ex.: redução de libido, disfunção erétil); alterações no volume ou aspecto do sêmen (ex.: azoospermia, hematospermia); e história de exposição a fatores de risco (ex.: quimioterapia, radiação). A avaliação inicial deve focar na identificação de causas potencialmente reversíveis, como varicocele ou infecções.
Complicações possíveis
Estresse psicossocial
Ansiedade, depressão e impacto na qualidade de vida do casal, devido à carga emocional da infertilidade.
Risco aumentado de comorbidades
Associação com condições como câncer testicular, doenças cardiometabólicas ou distúrbios endócrinos, requerendo monitoramento.
Falha em técnicas de reprodução assistida
Insuficiência de espermatozoides viáveis para fertilização in vitro (FIV) ou injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), levando a ciclos não bem-sucedidos.
Transmissão de doenças genéticas
Risco de herança de condições como síndrome de Klinefelter ou microdeleções do cromossomo Y para a prole, necessitando aconselhamento genético.
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A infertilidade masculina afeta cerca de 7% de todos os homens e contribui para 40-50% dos casos de infertilidade conjugal globalmente. A prevalência varia geograficamente, com taxas mais altas em regiões industrializadas, possivelmente devido a fatores ambientais e estilo de vida. A idade é um fator de risco, com declínio na qualidade seminal após os 40 anos. Condições como varicocele estão presentes em 15-20% da população geral e em 40% dos homens inférteis. A exposição a toxinas (ex.: pesticidas, metais pesados) e hábitos como tabagismo e obesidade são fatores modificáveis associados. Dados do Brasil indicam que a infertilidade masculina é subdiagnosticada, com acesso limitado a serviços especializados em algumas regiões.
Prognóstico
O prognóstico da infertilidade masculina varia conforme a etiologia. Em casos de causas reversíveis (ex.: varicocele corrigida, infecções tratadas), as taxas de gravidez natural podem melhorar significativamente. Para causas idiopáticas ou genéticas, o prognóstico é mais reservado, mas técnicas de reprodução assistida, como ICSI, oferecem taxas de sucesso de 40-50% por ciclo em centros especializados. Fatores como idade da parceira, duração da infertilidade e qualidade seminal influenciam os resultados. Aproximadamente 30% dos casos permanecem sem diagnóstico definitivo, requerendo abordagens empíricas ou doação de gametas.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de infertilidade masculina baseia-se nos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e diretrizes como as da American Urological Association (AUA). Inclui: (1) História clínica detalhada, com foco em duração da infertilidade, fatores de risco e saúde geral. (2) Exame físico, avaliando genitália, presença de varicocele e características secundárias. (3) Análise seminal (espermograma) conforme padrões da OMS (6ª edição, 2021), com parâmetros como volume ≥1,5 mL, concentração ≥15 milhões/mL, motilidade total ≥40%, e morfologia normal ≥4%. (4) Exames complementares, como dosagens hormonais (testosterona, FSH, LH), ultrassonografia escrotal e avaliação genética, se indicado. A azoospermia ou oligozoospermia grave requer investigação adicional.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Infertilidade feminina
Condição em que fatores femininos, como distúrbios ovulatórios, tubários ou uterinos, são a causa principal da infertilidade do casal. Requer avaliação ginecológica completa, incluindo histerossalpingografia e dosagens hormonais.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), 2020.
Disfunção sexual masculina
Distúrbios como ejaculação precoce, disfunção erétil ou anejaculação que podem simular infertilidade, mas envolvem mecanismos distintos. Avaliação urológica e psicológica é necessária para diferenciação.
Guidelines da International Society for Sexual Medicine (ISSN), 2015.
Infecções do trato geniturinário
Condições como prostatite ou epididimite que podem causar alterações seminais transitórias, mas são tratáveis com antibióticos. Diagnóstico baseado em cultura de sêmen e exame clínico.
European Association of Urology (EAU) Guidelines on Male Infertility, 2023.
Hipogonadismo
Deficiência na produção de testosterona, que pode levar a infertilidade secundária. Caracteriza-se por sintomas como fadiga, redução de massa muscular e alterações seminais, diferenciável por dosagens hormonais.
Endocrine Society Clinical Practice Guideline on Testosterone Therapy, 2018.
Varicocele
Dilatação das veias do plexo pampiniforme, associada a infertilidade em alguns casos. Pode ser palpável ao exame físico e confirmada por ultrassonografia Doppler, sendo uma causa tratável.
American Urological Association (AUA) Guideline on Varicocele and Infertility, 2021.
Exames recomendados
Espermograma
Análise seminal padrão para avaliar volume, concentração, motilidade, vitalidade e morfologia dos espermatozoides, conforme critérios da OMS.
Diagnóstico inicial e classificação da infertilidade masculina (ex.: normozoospermia, oligozoospermia, azoospermia).
Dosagens hormonais
Medição de testosterona total, FSH, LH e prolactina no soro, preferencialmente pela manhã.
Identificar distúrbios endócrinos pré-testiculares ou testiculares que afetam a espermatogênese.
Ultrassonografia escrotal com Doppler
Exame de imagem para avaliar estrutura testicular, presença de varicocele, massas ou alterações vasculares.
Detectar causas anatômicas ou vasculares de infertilidade, como varicocele ou tumores.
Teste de fragmentação do DNA espermático
Avaliação da integridade do DNA espermático por métodos como TUNEL ou SCSA, em casos selecionados.
Identificar dano oxidativo ao DNA, associado a piores resultados em técnicas de reprodução assistida.
Avaliação genética
Inclui cariótipo, pesquisa de microdeleções do cromossomo Y e teste para fibrose cística (mutação CFTR) em azoospermia ou oligozoospermia grave.
Detectar causas genéticas de infertilidade, com implicações para aconselhamento e tratamento.
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Reduzir contato com pesticidas, solventes orgânicos e radiação ionizante, que podem danificar a espermatogênese.
Proteção testicular
Uso de equipamentos de proteção em esportes ou atividades de risco para prevenir trauma testicular.
Rastreamento precoce
Avaliação de homens com fatores de risco (ex.: história familiar, criptorquidia) para detecção e intervenção precoces.
Vigilância e notificação
A infertilidade masculina não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas sua vigilância é realizada por meio de registros em clínicas de reprodução assistida e estudos epidemiológicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) regula os procedimentos de reprodução assistida, exigindo notificação de complicações e resultados. Em âmbito internacional, a OMS monitora tendências através de pesquisas como o Global Burden of Disease. Recomenda-se a notificação de casos associados a surtos de infecções (ex.: Zika vírus) ou exposições ocupacionais. A vigilância ativa é crucial para identificar fatores de risco emergentes e orientar políticas públicas.
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Conforme a 6ª edição da OMS (2021), os valores de referência são: volume ≥1,5 mL, concentração ≥15 milhões/mL, motilidade total (progressiva + não progressiva) ≥40%, motilidade progressiva ≥32%, vitalidade ≥58%, e morfologia normal ≥4%. Valores abaixo podem indicar infertilidade masculina.
Não. A varicocele está presente em cerca de 15-20% da população geral e apenas uma parcela desses homens desenvolve infertilidade. A correção cirúrgica é recomendada quando há alterações seminais e infertilidade documentada, com melhora potencial nos parâmetros em 60-70% dos casos.
Em casos de azoospermia ou oligozoospermia grave (<5 milhões/mL), recomenda-se cariótipo para detectar aneuploidias (ex.: síndrome de Klinefelter), pesquisa de microdeleções do cromossomo Y, e teste para mutações no gene CFTR em homens com agenesia bilateral dos ductos deferentes.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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