CID N26: Rim contraído, não especificado
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Definição
O termo 'Rim contraído, não especificado' (CID-10 N26) refere-se a uma condição renal caracterizada por uma redução significativa e irreversível do tamanho renal, associada à perda de parênquima funcional e substituição por tecido fibroso. Esta condição representa o estágio final de diversas doenças renais crônicas, onde a arquitetura normal do rim é substituída por cicatrizes, levando à atrofia e perda da função de filtração glomerular. A contração renal é tipicamente bilateral, mas pode ser assimétrica, dependendo da etiologia subjacente, e está frequentemente correlacionada com a progressão para doença renal crônica (DRC) estágio 5 (insuficiência renal terminal). Fisiopatologicamente, o rim contraído resulta de processos inflamatórios crônicos, isquêmicos ou obstrutivos que desencadeiam fibrose intersticial, esclerose glomerular e atrofia tubular. A perda de néfrons funcionais leva à hiperfiltração compensatória nos néfrons remanescentes, acelerando a progressão da lesão. Em termos clínicos, esta condição está associada a hipertensão arterial, proteinúria, e declínio da taxa de filtração glomerular (TFG), com impacto significativo na morbimortalidade cardiovascular e renal. Epidemiologicamente, o rim contraído é uma manifestação comum de doenças renais crônicas, como nefropatia diabética, glomerulonefrite crônica e nefropatia hipertensiva, contribuindo para a carga global da DRC. A identificação precoce através de métodos de imagem, como ultrassonografia, é crucial para o manejo clínico, visando retardar a progressão e prevenir complicações como a necessidade de terapia renal substitutiva (diálise ou transplante).
Descrição clínica
O rim contraído é uma condição morfológica que reflexa a fase terminal de lesão renal crônica, caracterizada por redução do tamanho renal (geralmente <9 cm em adultos), superfície irregular, perda da diferenciação corticomedular e aumento da ecogenicidade ao ultrassom. Clinicamente, os pacientes podem apresentar sinais de doença renal crônica avançada, como hipertensão arterial resistente, edema, anemia, distúrbios eletrolíticos (hipercalemia, acidose metabólica) e sintomas urêmicos (fadiga, prurido, náuseas). A progressão é geralmente lenta e insidiosa, com piora gradual da função renal ao longo de anos.
Quadro clínico
Os sintomas são frequentemente inespecíficos e relacionados à doença renal crônica subjacente. Incluem fadiga, mal-estar, perda de apetite, náuseas, vômitos, prurido, cãibras musculares, edema periférico e dispneia em casos de sobrecarga volêmica. Sinais físicos podem incluir hipertensão arterial, palidez cutânea (devido à anemia), sopro abdominal (sugestivo de estenose da artéria renal) e massa abdominal em casos de rim policístico. A apresentação pode variar desde assintomática em estágios iniciais até sintomas urêmicos graves na insuficiência renal terminal.
Complicações possíveis
Insuficiência renal terminal
Progressão para DRC estágio 5, necessitando de diálise ou transplante renal.
Doença cardiovascular
Aumento do risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca.
Anemia
Devido à deficiência de eritropoietina e redução da produção de hemácias.
Distúrbios ósseos e minerais
Inclui osteodistrofia renal, hiperparatireoidismo secundário e calcificações vasculares.
Desnutrição e caquexia
Perda de massa muscular e peso devido à anorexia e catabolismo aumentado.
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Epidemiologia
O rim contraído é uma manifestação prevalente na doença renal crônica, afetando aproximadamente 10-15% da população global com DRC. A incidência aumenta com a idade, sendo mais comum em idosos e em populações com alta prevalência de diabetes e hipertensão. No Brasil, estima-se que a DRC atinja cerca de 10 milhões de pessoas, com o rim contraído contribuindo significativamente para a carga de doença. Fatores de risco incluem tabagismo, obesidade e exposição a agentes nefrotóxicos, com disparidades socioeconômicas influenciando o acesso ao diagnóstico e tratamento.
Prognóstico
O prognóstico do rim contraído é geralmente reservado, dependendo da etiologia subjacente, controle de fatores de risco (ex.: hipertensão, diabetes) e adesão ao tratamento. A progressão para insuficiência renal terminal é comum, com necessidade de terapia renal substitutiva em muitos casos. Intervenções precoces, como controle rigoroso da pressão arterial e uso de inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona, podem retardar a deterioração da função renal. A mortalidade está aumentada, principalmente por causas cardiovasculares, com sobrevida média em diálise variando conforme comorbidades.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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