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CID N19: Insuficiência renal não especificada
N19
Insuficiência renal não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A insuficiência renal não especificada (CID-10 N19) é uma condição clínica caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função renal, com redução da taxa de filtração glomerular (TFG) abaixo de 60 mL/min/1,73 m², sem especificação adicional quanto à etiologia ou estágio. Esta categoria é utilizada quando não há informações suficientes para classificar a insuficiência renal como aguda (N17) ou crônica (N18), ou quando a documentação clínica é ambígua. A fisiopatologia envolve mecanismos como lesão glomerular, tubular, intersticial ou vascular, levando a retenção de produtos nitrogenados (ureia, creatinina), distúrbios eletrolíticos e acidose metabólica. O impacto clínico inclui complicações cardiovasculares, anemia, distúrbios ósseo-minerais e aumento da morbimortalidade. Epidemiologicamente, a insuficiência renal é uma condição prevalente, associada a fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes mellitus e idade avançada, com significativa carga para sistemas de saúde.
Descrição clínica
A insuficiência renal não especificada refere-se a uma condição em que há comprometimento da função renal, mas a natureza aguda ou crônica não está claramente definida. Clinicamente, pode apresentar-se com sintomas inespecíficos como fadiga, náuseas, edema e alterações no volume urinário, ou pode ser assintomática em estágios iniciais. A avaliação requer história clínica detalhada, exame físico e exames laboratoriais para diferenciar entre causas agudas e crônicas, além de identificar fatores subjacentes. O manejo é direcionado à estabilização metabólica e prevenção de complicações, enquanto aguarda-se confirmação diagnóstica.
Quadro clínico
O quadro clínico da insuficiência renal não especificada varia desde assintomático até sintomas graves, dependendo da gravidade e rapidez da instalação. Sintomas comuns incluem fadiga, astenia, náuseas, vômitos, anorexia, edema periférico, oligúria ou poliúria, e prurido. Sinais físicos podem incluir hipertensão arterial, palidez cutânea, estertores pulmonares por sobrecarga volêmica e alterações neurológicas (ex.: confusão mental em casos avançados). A apresentação pode mimetizar outras condições, necessitando de investigação para exclusão de causas agudas ou crônicas.
Complicações possíveis
Hipercalemia
Elevação dos níveis de potássio sérico, podendo levar a arritmias cardíacas graves.
Acidose metabólica
Acúmulo de ácidos devido à incapacidade renal de excretar íons H+, agravando distúrbios metabólicos.
Sobrecarga volêmica
Retenção de sódio e água, resultando em edema, hipertensão e insuficiência cardíaca.
Anemia
Deficiência de eritropoietina, levando a fadiga e redução da capacidade funcional.
Doença óssea mineral renal
Distúrbios no metabolismo do cálcio e fósforo, com risco de osteodistrofia renal.
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A insuficiência renal é um problema de saúde pública global, com prevalência estimada de 10-15% na população adulta, aumentando com a idade e presença de comorbidades como diabetes e hipertensão. No Brasil, dados do DATASUS indicam alta morbimortalidade relacionada. A categoria N19 é frequentemente utilizada em contextos de emergência ou quando há limitações na investigação, representando uma parcela significativa dos diagnósticos hospitalares. Fatores de risco incluem estilo de vida, uso de medicamentos nefrotóxicos e acesso limitado a cuidados de saúde.
Prognóstico
O prognóstico da insuficiência renal não especificada depende da etiologia subjacente, rapidez do diagnóstico e intervenção terapêutica. Casos com causas reversíveis (ex.: pré-renais) podem ter recuperação completa, enquanto aqueles com dano estrutural progressivo evoluem para doença renal crônica estágio terminal, necessitando de terapia renal substitutiva (diálise ou transplante). Complicações cardiovasculares são a principal causa de mortalidade. O manejo precoce e controle de fatores de risco melhoram os desfechos.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos para insuficiência renal não especificada baseiam-se na elevação da creatinina sérica e redução da TFG, sem especificação de cronicidade. Segundo a KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes), a insuficiência renal é definida por TFG < 60 mL/min/1,73 m² ou marcadores de dano renal (ex.: proteinúria) por mais de 3 meses para crônica, ou aumento agudo da creatinina em horas a dias para aguda. Para N19, aplica-se quando não há dados para classificar como N17 ou N18. A avaliação inclui história clínica, exame físico, exames laboratoriais (ureia, creatinina, eletrólitos) e de imagem (ultrassonografia renal).
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Insuficiência renal aguda (N17)
Perda rápida da função renal em horas a dias, com causas pré-renais, renais ou pós-renais, frequentemente reversível com intervenção precoce.
KDIGO Clinical Practice Guideline for Acute Kidney Injury, 2012
Doença renal crônica (N18)
Perda progressiva e irreversível da função renal por ≥3 meses, classificada em estágios baseados na TFG e albuminúria.
KDIGO Clinical Practice Guideline for Chronic Kidney Disease, 2012
Síndrome nefrótica (N04)
Caracterizada por proteinúria maciça (>3,5 g/dia), hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia, com preservação relativa da TFG inicialmente.
UpToDate: Overview of the classification and treatment of glomerular diseases, 2023
Insuficiência cardíaca (I50)
Pode causar redução da perfusão renal (pré-renal) com elevação da creatinina, mas com sintomas predominantes de dispneia e edema.
ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure, 2021
Desidratação (E86)
Leva a insuficiência renal pré-renal por hipovolemia, com melhora após reposição volêmica, diferenciável pela história e resposta ao tratamento.
WHO Guidelines on fluid management, 2018
Exames recomendados
Dosagem de creatinina sérica
Avaliação da função renal e cálculo da TFG.
Diagnóstico e monitoramento da insuficiência renal.
Dosagem de ureia sérica
Indicador de retenção nitrogenada.
Avaliação da gravidade e acompanhamento metabólico.
Eletrólitos séricos (K+, Na+, Ca2+, PO4-)
Detecção de distúrbios como hipercalemia e acidose.
Manejo de complicações e guia terapêutico.
Gasometria arterial
Avaliação do equilíbrio ácido-base.
Diagnóstico de acidose metabólica associada.
Ultrassonografia renal e do trato urinário
Avaliação de tamanho, forma, obstruções e parênquima renal.
Diferenciação entre causas agudas e crônicas, e detecção de obstruções.
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Manutenção de metas pressóricas e glicêmicas para prevenir lesão renal progressiva.
Evitar nefrotoxinas
Uso criterioso de AINEs, contrastes iodados e outros medicamentos com potencial nefrotóxico.
Hidratação adequada
Manutenção do volume intravascular, especialmente em situações de risco como desidratação ou procedimentos com contraste.
Vigilância e notificação
A insuficiência renal não especificada não é de notificação compulsória nacional no Brasil, mas sua vigilância é importante em serviços de saúde para monitoramento de tendências e planejamento de recursos. Recomenda-se registro em prontuários eletrônicos com codificação CID-10 adequada, e notificação de surtos ou casos associados a nefrotoxinas. Programas de rastreamento em populações de risco (ex.: diabéticos, hipertensos) são incentivados por diretrizes como as da Sociedade Brasileira de Nefrologia.
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A insuficiência renal aguda (N17) é definida por perda rápida da função renal em horas a dias, frequentemente reversível, enquanto a não especificada (N19) é usada quando não há informações suficientes para classificar como aguda ou crônica, exigindo investigação adicional.
A TFG é estimada usando equações como CKD-EPI ou MDRD, baseadas em creatinina sérica, idade, sexo e raça. Valores abaixo de 60 mL/min/1,73 m² indicam insuficiência renal, mas a interpretação deve considerar o contexto clínico.
Indicações incluem TFG persistentemente <30 mL/min/1,73 m², proteinúria significativa, hipertensão refratária, distúrbios eletrolíticos graves, ou suspeita de doença renal progressiva, para avaliação especializada e planejamento de terapia.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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