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CID M62: Outros transtornos musculares
M620
Diástase de músculo
M621
Outras rupturas musculares (não-traumáticas)
M622
Infarto isquêmico do músculo
M623
Síndrome de imobilidade (paraplégica)
M624
Contratura de músculo
M625
Perda e atrofia muscular não classificadas em outra parte
M626
Distensão muscular
M628
Outros transtornos musculares especificados
M629
Transtorno muscular não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria M62 da CID-10 abrange uma variedade de transtornos musculares que não se enquadram em classificações específicas como miopatias inflamatórias ou distróficas. Esses transtornos envolvem alterações na função, estrutura ou integridade do tecido muscular esquelético, frequentemente resultando em dor, fraqueza, atrofia ou espasmos. A fisiopatologia pode incluir processos degenerativos, traumáticos, isquêmicos ou relacionados a imobilização, com impacto clínico variando de sintomas leves e transitórios a incapacidade significativa. Epidemiologicamente, são comuns em contextos de trauma, pós-operatório ou em populações com comorbidades como diabetes ou doenças reumáticas, afetando ambos os sexos e todas as faixas etárias, com maior prevalência em idosos devido à sarcopenia e fragilidade associadas.
Descrição clínica
Os transtornos incluídos em M62 manifestam-se clinicamente por sintomas como dor muscular localizada ou generalizada, fraqueza, rigidez, cãibras, espasmos ou atrofia. A apresentação pode ser aguda, como em lesões por esforço ou trauma, ou crônica, associada a imobilização prolongada ou doenças sistêmicas. Exames físicos frequentemente revelam sensibilidade à palpação, limitação da amplitude de movimento, ou sinais de desuso muscular. A evolução é variável, dependendo da etiologia subjacente, podendo ser autolimitada ou progressiva sem intervenção adequada.
Quadro clínico
O quadro clínico é heterogêneo, podendo incluir: dor muscular (mialgia) de intensidade variável, frequentemente exacerbada pelo movimento; fraqueza muscular, que pode ser focal ou generalizada; espasmos ou cãibras, especialmente noturnos ou pós-esforço; atrofia muscular visível em casos crônicos; e limitação funcional, como dificuldade para deambular ou realizar atividades diárias. Sintomas sistêmicos como febre são incomuns, a menos que haja infecção associada. A duração dos sintomas varia de dias a meses, dependendo da causa e do manejo.
Complicações possíveis
Atrofia muscular progressiva
Perda significativa de massa muscular devido a desuso ou processos degenerativos, levando a incapacidade funcional.
Contraturas articulares
Encurtamento muscular e fibrose resultando em limitação permanente da amplitude de movimento.
Dor crônica
Síndrome dolorosa persistente que pode impactar a qualidade de vida e levar a dependência de analgésicos.
Quedas e fraturas
Fraqueza muscular aumentando o risco de quedas, especialmente em idosos, com possibilidade de fraturas osteoporóticas.
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Os transtornos musculares da categoria M62 são prevalentes globalmente, com estimativas variáveis devido à heterogeneidade das condições. A sarcopenia, por exemplo, afeta até 30% dos idosos com mais de 60 anos. Lesões musculares traumáticas são comuns em atletas e trabalhadores físicos. Fatores de risco incluem idade avançada, sexo masculino para lesões agudas, imobilização, e comorbidades como diabetes ou doenças reumáticas. Dados do SUS indicam alta frequência de atendimentos por dores musculares inespecíficas.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente favorável para transtornos agudos e relacionados a causas reversíveis, como lesões traumáticas, com recuperação em semanas a meses com tratamento adequado. Em condições crônicas ou associadas a comorbidades, como sarcopenia, o curso pode ser progressivo, levando a incapacidade permanente se não manejado. Intervenções precoces, como fisioterapia, melhoram significativamente os desfechos. A mortalidade é baixa, mas a morbidade pode ser alta em casos não tratados.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é baseado na história clínica, exame físico e exclusão de outras condições. Critérios incluem: história de trauma, imobilização ou comorbidades relevantes; achados no exame físico de dor à palpação, fraqueza ou atrofia muscular; e confirmação por exames complementares, como eletromiografia (EMG) para avaliar atividade elétrica muscular, ou biópsia muscular em casos atípicos. A ressonância magnética (RM) ou ultrassonografia podem demonstrar alterações estruturais. Não há critérios laboratoriais específicos, mas exames como creatina quinase (CK) podem estar elevados em lesões agudas.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Miopatias inflamatórias (M33.1, M33.2)
Como polimiosite ou dermatomiosite, que cursam com fraqueza proximal progressiva e elevação de enzimas musculares, diferenciadas por achados histológicos e autoanticorpos.
UpToDate: 'Clinical manifestations and diagnosis of polymyositis and dermatomyositis in adults'
Distrofias musculares (G71.0)
Doenças hereditárias com fraqueza muscular progressiva e padrão familiar, distinguidas por testes genéticos e biópsia muscular.
PubMed: 'Muscular dystrophies: update on genetics and management'
Fibromialgia (M79.7)
Síndrome de dor generalizada com pontos dolorosos, sem evidência de patologia muscular estrutural, diferenciada por critérios clínicos como os do ACR.
Diretrizes Brasileiras de Reumatologia: 'Fibromialgia: diagnóstico e tratamento'
Mialgia por causas infecciosas (ex.: influenza, B34.9)
Dor muscular aguda associada a sintomas sistêmicos como febre e mialgias difusas, diferenciada por história de infecção e exames sorológicos.
OMS: 'Influenza (seasonal)'
Síndromes compressivas (ex.: síndrome do túnel do carpo, G56.0)
Compressão nervosa levando a dor e fraqueza, diferenciada por distribuição neurogênica e estudos de condução nervosa.
Micromedex: 'Carpal tunnel syndrome'
Exames recomendados
Eletromiografia (EMG) e estudos de condução nervosa
Avalia a atividade elétrica muscular e a função nervosa, útil para diferenciar entre neuropatias e miopatias.
Confirmar envolvimento muscular e excluir causas neurogênicas.
Ressonância magnética (RM) muscular
Imagem que demonstra alterações estruturais como edema, atrofia ou fibrose muscular.
Identificar lesões focais, processos inflamatórios ou degenerativos.
Ultrassonografia muscular
Exame de imagem dinâmico para avaliar espessura muscular, ecogenicidade e presença de rupturas.
Detectar anormalidades musculares em tempo real, com baixo custo.
Dosagem de creatina quinase (CK)
Enzima muscular que pode estar elevada em lesões agudas ou processos necróticos.
Avaliar dano muscular agudo e monitorar a evolução.
Biópsia muscular
Análise histológica do tecido muscular para identificar padrões específicos de degeneração ou inflamação.
Confirmar diagnósticos em casos atípicos ou para excluir miopatias específicas.
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Manutenção de atividade física para preservar massa muscular e prevenir atrofia, com ênfase em treino de força em idosos.
Ergonomia no trabalho
Adequação postural e de equipamentos para reduzir risco de lesões por esforço repetitivo.
Evitar imobilização prolongada
Mobilização precoce pós-cirúrgica ou em pacientes acamados para prevenir sarcopenia e contraturas.
Vigilância e notificação
Não há vigilância específica ou notificação compulsória para a maioria dos transtornos em M62 no Brasil, exceto se associados a surtos ou condições de saúde pública. Recomenda-se monitoramento em serviços de reabilitação e atenção primária para identificar tendências. Em contextos ocupacionais, lesões musculares podem ser notificadas como acidentes de trabalho conforme normas do Ministério da Saúde.
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As causas incluem trauma, imobilização prolongada, sarcopenia relacionada à idade, e condições secundárias como desnutrição ou doenças sistêmicas. A avaliação deve focar na história e exames para identificar fatores específicos.
Miopatias inflamatórias geralmente apresentam fraqueza proximal progressiva, elevação de CK e achados autoimunes, enquanto M62 abrange condições mais inespecíficas; biópsia e sorologia são cruciais para diferenciação.
A fisioterapia é fundamental para restaurar a função, prevenir atrofia e contraturas, através de exercícios personalizados; deve ser iniciada precocemente para otimizar resultados.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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