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CID M51: Outros transtornos de discos intervertebrais

M510
Transtornos de discos lombares e de outros discos intervertebrais com mielopatia
M511
Transtornos de discos lombares e de outros discos intervertebrais com radiculopatia
M512
Outros deslocamentos discais intervertebrais especificados
M513
Outra degeneração especificada de disco intervertebral
M514
Nódulos de Schmorl
M518
Outros transtornos especificados de discos intervertebrais
M519
Transtorno não especificado de disco intervertebral

Mais informações sobre o tema:

Definição

Os transtornos dos discos lombares referem-se a um grupo de condições patológicas que afetam os discos intervertebrais na região lombar da coluna vertebral. Esses discos, compostos por um núcleo pulposo interno e um ânulo fibroso externo, atuam como amortecedores entre as vértebras, permitindo flexibilidade e absorção de impactos. A degeneração discal, frequentemente associada ao envelhecimento ou fatores mecânicos, pode levar a alterações estruturais como desidratação, fissuras no ânulo fibroso, hérnia de disco ou protrusões, resultando em compressão de estruturas neurais, como raízes nervosas ou a medula espinhal. Esses transtornos são uma causa comum de dor lombar e radiculopatia, impactando significativamente a qualidade de vida e a capacidade funcional dos pacientes, com prevalência elevada em adultos e idosos, especialmente em contextos ocupacionais que envolvem levantamento de peso ou posturas inadequadas.

Descrição clínica

Os transtornos dos discos lombares manifestam-se clinicamente com dor lombar localizada ou irradiada, frequentemente descrita como aguda ou crônica, podendo ser exacerbada por movimentos, tosse ou espirros. A radiculopatia lombossacra é comum, caracterizada por dor, parestesias ou fraqueza muscular ao longo do trajeto do nervo afetado, como na ciatalgia (compressão da raiz L5 ou S1). Sinais de irritação neural, como sinal de Lasègue positivo, e déficits neurológicos focais (e.g., diminuição de reflexos, hipoestesia) podem estar presentes. Em casos graves, como na síndrome da cauda equina, observam-se sintomas de alerta como retenção urinária, anestesia em sela e fraqueza bilateral dos membros inferiores, exigindo intervenção urgente.

Quadro clínico

O quadro clínico varia desde dor lombar inespecífica até radiculopatia definida. Sintomas comuns incluem dor lombar que pode irradiar para nádegas, coxas ou pernas (ciatalgia), piora com atividades, alívio com repouso, e possíveis déficits sensoriais ou motores. Sinais específicos: dor à palpação paravertebral, limitação da amplitude de movimento, sinal de Lasègue positivo (dor ao elevar a perna estendida), e em casos de compressão severa, fraqueza muscular (e.g., dificuldade para dorsiflexão do pé na compressão de L5), perda de reflexos (e.g., reflexo aquileu na S1) ou disfunção esfincteriana na síndrome da cauda equina.

Complicações possíveis

Síndrome da cauda equina

Emergência neurocirúrgica com disfunção esfincteriana, anestesia em sela e fraqueza bilateral, requerendo descompressão urgente para evitar sequelas permanentes.

Radiculopatia crônica

Dor persistente ou déficit neurológico que não responde ao tratamento conservador, podendo levar a atrofia muscular e incapacidade funcional.

Instabilidade segmentar

Perda da integridade biomecânica da coluna devido à degeneração avançada, resultando em dor mecânica e potencial necessidade de fusão espinal.

Estenose espinal secundária

Estenose do canal vertebral decorrente de hipertrofia facetária ou ligamentar associada à degeneração discal, exacerbando sintomas de claudicação.

Epidemiologia

Os transtornos dos discos lombares são altamente prevalentes, afetando até 80% da população em algum momento da vida, com pico de incidência entre 30 e 50 anos. A hérnia discal sintomática tem incidência anual de aproximadamente 5-20 casos por 1000 adultos, sendo mais comum em homens. Fatores de risco incluem ocupações com levantamento de peso, obesidade, tabagismo, sedentarismo e predisposição genética. No Brasil, são uma das principais causas de afastamento laboral, com significativo impacto socioeconômico, refletindo a carga global de doenças musculoesqueléticas.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente favorável, com a maioria dos casos de hérnia discal aguda resolvendo espontaneamente em semanas a meses com tratamento conservador. Fatores de bom prognóstico incluem início recente, ausência de déficit neurológico grave e adesão à fisioterapia. Casos com compressão severa, síndrome da cauda equina ou comorbidades podem ter curso prolongado, com risco de cronificação e necessidade de intervenção cirúrgica. A recidiva é possível, especialmente com fatores de risco persistentes, e o acompanhamento a longo prazo é recomendado para monitorar função e prevenir incapacidade.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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