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CID M45: Espondilite ancilosante

M45
Espondilite ancilosante

Mais informações sobre o tema:

Definição

A espondilite ancilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica, sistêmica e progressiva, pertencente ao grupo das espondiloartrites, que afeta predominantemente o esqueleto axial, caracterizando-se por inflamação das articulações sacroilíacas, coluna vertebral, enteses (locais de inserção de ligamentos e tendões nos ossos) e, em alguns casos, articulações periféricas e estruturas extra-articulares. A fisiopatologia envolve uma interação complexa entre predisposição genética (principalmente associada ao antígeno HLA-B27), fatores ambientais (como infecções bacterianas) e respostas imunes aberrantes, levando a inflamação mediada por citocinas pró-inflamatórias (ex.: TNF-α, IL-17) e subsequente formação de osso neoformado (sindesmófitos), resultando em anquilose vertebral e perda de mobilidade. O impacto clínico é significativo, com dor crônica, rigidez matinal, redução da capacidade funcional e, em casos avançados, deformidades em flexão da coluna (cifose) e comprometimento da qualidade de vida. Epidemiologicamente, a EA tem prevalência estimada de 0,1-1,4% na população geral, com início típico na terceira década de vida e predomínio no sexo masculino (razão 2-3:1 em relação ao feminino), sendo uma das principais causas de incapacidade musculoesquelética em adultos jovens.

Descrição clínica

A espondilite ancilosante manifesta-se classicamente com dor inflamatória lombar crônica (com duração >3 meses), de início insidioso, associada a rigidez matinal prolongada (>30 minutos) que melhora com atividade física e piora com repouso. A dor sacroilíaca é frequentemente unilateral inicialmente, tornando-se bilateral, com irradiação para nádegas ou coxas. Com a progressão, há envolvimento ascendente da coluna vertebral, levando a limitação da expansibilidade torácica, redução da mobilidade lombar (teste de Schober positivo) e, eventualmente, anquilose completa da coluna. Manifestações extra-articulares incluem uveíte anterior aguda (em 20-30% dos casos), psoríase, doença inflamatória intestinal, e, raramente, envolvimento cardíaco (aortite, bloqueio cardíaco) ou pulmonar (fibrose apical). A doença pode apresentar padrões variáveis, desde formas leves até graves com rápida progressão.

Quadro clínico

O quadro clínico da EA é dominado por sintomas musculoesqueléticos: dor lombar inflamatória crônica com rigidez matinal, que melhora com exercício; dor em nádegas (sacroileíte); limitação progressiva da mobilidade espinhal; e fadiga. Sinais físicos incluem redução da flexão lombar (teste de Schober <5 cm de aumento), diminuição da expansibilidade torácica (<2,5 cm), dor à palpação das articulações sacroilíacas e entesites (ex.: tendinite aquileana). Em fases avançadas, observa-se cifose dorsal e hiperextensão cervical. Manifestações extra-articulares comuns são uveíte anterior aguda (vermelhidão ocular, fotofobia, dor), psoríase cutânea ou ungueal, e sintomas intestinais sugestivos de doença inflamatória intestinal. A apresentação pode ser atípica em mulheres, com maior envolvimento periférico e cervical.

Complicações possíveis

Anquilose vertebral completa

Fusão óssea da coluna, levando a perda irreversível de mobilidade, cifose dorsal e risco aumentado de fraturas vertebrais por fragilidade.

Uveíte anterior aguda

Inflamação da íris e corpo ciliar, causando dor ocular, fotofobia e visão turva, podendo levar a complicações como catarata ou glaucoma se não tratada.

Comprometimento cardíaco

Inclui aortite ascendente, insuficiência aórtica, bloqueio cardíaco ou pericardite, aumentando o risco de eventos cardiovasculares.

Fibrose pulmonar apical

Rara complicação restritiva, com tosse e dispneia, associada a limitação da expansibilidade torácica e infecções recorrentes.

Osteoporose e fraturas vertebrais

Perda de massa óssea devido à inflamação crônica e imobilidade, elevando o risco de fraturas por fragilidade, mesmo em pacientes jovens.

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Epidemiologia

A EA tem prevalência global estimada entre 0,1% e 1,4%, variando com a frequência do HLA-B27 na população (maior em caucasianos). A incidência anual é de aproximadamente 0,5-1,5 casos por 10.000 pessoas. O início ocorre tipicamente entre 20 e 40 anos, com pico na terceira década, e predomínio no sexo masculino (razão 2-3:1). Fatores de risco incluem história familiar (risco aumentado em parentes de primeiro grau), presença do HLA-B27 e, possivelmente, tabagismo e infecções gastrointestinais. A doença é subdiagnosticada, especialmente em mulheres e formas atípicas.

Prognóstico

O prognóstico da EA é variável, dependendo de fatores como idade de início, gravidade da inflamação, resposta ao tratamento e presença de complicações. Com diagnóstico precoce e manejo adequado (incluindo terapia biológica), a progressão pode ser retardada, preservando função e qualidade de vida. No entanto, formas graves não tratadas levam a anquilose, deformidades e incapacidade significativa. A mortalidade é ligeiramente aumentada devido a complicações cardiovasculares, infecções ou efeitos adversos de medicamentos. O acompanhamento regular com reumatologista é crucial para otimizar desfechos.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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