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CID L97: Úlcera dos membros inferiores não classificada em outra parte

L97
Úlcera dos membros inferiores não classificada em outra parte

Mais informações sobre o tema:

Definição

A úlcera dos membros inferiores não classificada em outra parte (CID-10 L97) refere-se a uma lesão cutânea crônica, de caráter ulcerativo, localizada nos membros inferiores, que não se enquadra em categorias específicas como úlceras venosas (I83.0, I83.2), arteriais (I70.23, I70.24), diabéticas (E10.5, E11.5) ou neuropáticas (G63.2). Esta classificação abrange úlceras de etiologia mista, indeterminada ou associada a condições sistêmicas não especificadas, como doenças autoimunes, hematológicas ou infecciosas, que resultam em perda da integridade da pele, com exposição de tecidos subjacentes (derme, subcutâneo, músculo ou osso). A fisiopatologia envolve uma interação complexa entre fatores locais (como trauma, infecção, edema) e sistêmicos (como má perfusão, inflamação crônica, deficiências nutricionais), levando a uma cicatrização prejudicada e persistência da lesão. Clinicamente, impacta significativamente a qualidade de vida, com dor, incapacidade funcional e risco de complicações infecciosas, sendo um desafio terapêutico em prática clínica. Epidemiologicamente, é mais comum em idosos, pacientes com multimorbidades e em contextos de cuidados prolongados, com prevalência variável conforme a população estudada.

Descrição clínica

A úlcera dos membros inferiores não classificada em outra parte apresenta-se como uma lesão cutânea aberta, geralmente localizada na perna ou pé, com bordas irregulares ou bem definidas, base com tecido de granulação, necrótico ou fibrinoso, e exsudato variável (seroso, purulento ou sanguinolento). A pele circundante pode exibir sinais de inflamação (eritema, edema, calor), pigmentação (hiperpigmentação ou hipopigmentação), lipodermatoesclerose ou atrofia. A dor é um sintoma comum, podendo ser contínua ou relacionada à manipulação, e a cicatrização é frequentemente lenta ou estagnada. A lesão pode ser única ou múltipla, com tamanho variável de pequenas a extensas, e a profundidade pode envolver desde a derme até estruturas mais profundas. A avaliação clínica deve incluir história detalhada de comorbidades, medicamentos, hábitos (como tabagismo) e fatores de risco para úlceras.

Quadro clínico

O quadro clínico inclui úlcera crônica (geralmente com duração superior a 4-6 semanas) nos membros inferiores, com características variáveis conforme a etiologia subjacente. Sintomas associados podem incluir dor (de leve a intensa), prurido, edema perilesional, secreção purulenta em caso de infecção, e sinais de má perfusão (como pele fria ou pulsos diminuídos). A úlcera pode apresentar tecido necrótico, esfacelo ou granulação exuberante, e a pele ao redor pode mostrar alterações como dermatite de estase, atrofia branca ou ulcerações satélites. Em casos avançados, pode haver exposição de tendões, ossos ou articulações, indicando complicações graves. A história clínica deve buscar fatores de risco como doença vascular periférica, diabetes, trauma prévio ou doenças autoimunes.

Complicações possíveis

Infecção secundária

Colonização ou invasão bacteriana da úlcera, podendo evoluir para celulite, osteomielite ou sepse.

Osteomielite

Infecção do osso subjacente, especialmente em úlceras profundas ou crônicas, dificultando a cicatrização.

Sangramento

Hemorragia a partir da úlcera, que pode ser espontânea ou traumática, com risco de anemia aguda.

Malignização

Transformação neoplásica (carcinoma espinocelular) em úlceras crônicas de longa duração (úlcera de Marjolin).

Amputação

Perda do membro devido a infecção grave, isquemia irreversível ou falha no tratamento conservador.

Epidemiologia

A prevalência de úlceras dos membros inferiores não classificadas é difícil de estimar devido à heterogeneidade etiológica, mas representa uma parcela significativa das úlceras crônicas em serviços de saúde. Afeta predominantemente idosos (acima de 65 anos), com maior incidência em mulheres e em populações com multimorbidades (como diabetes, doença vascular). Em países em desenvolvimento, fatores como acesso limitado a cuidados e condições socioeconômicas desfavoráveis contribuem para maior prevalência e gravidade. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam alta demanda por atendimento ambulatorial e hospitalar para úlceras não especificadas.

Prognóstico

O prognóstico varia conforme a etiologia subjacente, comorbidades, adesão ao tratamento e presença de complicações. Úlceras de causa mista ou indeterminada tendem a ter cicatrização mais lenta e taxa de recorrência elevada. Fatores prognósticos negativos incluem infecção, má perfusão, desnutrição, tabagismo e doenças sistêmicas não controladas. Com manejo multidisciplinar adequado (incluindo controle de fatores de risco, desbridamento, terapia compressiva quando indicada e suporte nutricional), a cicatrização pode ser alcançada em 60-70% dos casos em 6-12 meses, mas a recidiva é comum, exigindo vigilância contínua.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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