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CID L89: Úlcera de decúbito
L89
Úlcera de decúbito
Mais informações sobre o tema:
Definição
A úlcera de decúbito, também conhecida como úlcera por pressão, é uma lesão localizada na pele e/ou tecido subjacente, geralmente sobre uma proeminência óssea, resultante de pressão prolongada ou pressão combinada com forças de cisalhamento. Caracteriza-se por necrose tecidual que pode evoluir para ulceração, com risco de infecção secundária e complicações sistêmicas. A fisiopatologia envolve isquemia tecidual devido à compressão capilar, levando à hipóxia, dano celular e morte tecidual, frequentemente agravada por fatores como imobilidade, desnutrição, umidade e comorbidades como diabetes ou doença vascular periférica. Epidemiologicamente, é uma condição prevalente em pacientes acamados, idosos ou com limitações de mobilidade, representando um desafio significativo para a saúde pública devido aos custos elevados de tratamento e impacto na qualidade de vida.
Descrição clínica
Lesão cutânea que varia desde eritema não branqueável (estágio 1) até ulceração profunda com exposição de tecido subcutâneo, músculo, osso ou estruturas de suporte (estágio 4). A apresentação clínica inclui áreas de descoloração, bolhas, necrose ou tecido de granulação, localizadas tipicamente sobre sacro, calcâneos, trocânteres, cotovelos e occipital. A evolução é influenciada pela duração da pressão, estado nutricional e presença de infecção.
Quadro clínico
Estágios conforme classificação da National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP): Estágio 1: eritema não branqueável em pele intacta; Estágio 2: perda parcial da espessura da derme com úlcera superficial; Estágio 3: perda total da espessura da pele com exposição de tecido subcutâneo; Estágio 4: perda total da espessura da pele com exposição de osso, tendão ou músculo. Pode apresentar dor, secreção, odor fétido e sinais sistêmicos de infecção.
Complicações possíveis
Osteomielite
Infecção óssea secundária à extensão da úlcera, requerendo antibioticoterapia prolongada ou cirurgia.
Sepse
Infecção sistêmica com risco de choque séptico e óbito, especialmente em pacientes imunocomprometidos.
Celulite ou abscesso
Infecção localizada dos tecidos moles, podendo necessitar de drenagem cirúrgica.
Fístulas
Comunicação anormal entre a úlcera e estruturas adjacentes, como intestino ou bexiga.
Carcinoma espinocelular
Transformação maligna rara em úlceras crônicas não cicatrizadas (úlcera de Marjolin).
Aprimore sua prática clínica
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Prevalência global estimada em 5-15% em hospitais e até 30% em unidades de terapia intensiva, com maior incidência em idosos (>70 anos), pacientes acamados, com lesão medular ou desnutrição. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam custos elevados e impacto na morbimortalidade, sendo uma prioridade em políticas de saúde.
Prognóstico
Variável, dependendo do estágio, comorbidades, adesão ao tratamento e suporte nutricional. Estágios 1-2 têm bom prognóstico com intervenções precoces, enquanto estágios 3-4 apresentam alto risco de complicações, cicatrização prolongada (semanas a meses) e mortalidade aumentada, especialmente em idosos ou com infecção sistêmica.
Critérios diagnósticos
Diagnóstico clínico baseado na inspeção da lesão, história de imobilidade ou fatores de risco, e classificação por estágio. Critérios incluem localização sobre proeminência óssea, aparência característica (ex.: necrose, ulceração), e exclusão de outras causas. Ferramentas como a Escala de Braden para avaliação de risco podem auxiliar na prevenção e diagnóstico precoce.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Úlcera venosa
Úlcera crônica geralmente na região maleolar medial, associada a insuficiência venosa, edema e dermatite ocre.
Diretrizes Brasileiras de Úlceras Venosas, Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, 2015.
Úlcera arterial
Úlcera dolorosa em extremidades distais, com pele atrófica, pulsos diminuídos e história de doença arterial periférica.
Consenso de Doença Arterial Periférica, Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2017.
Úlcera diabética
Úlcera neuropática ou isquêmica em pés de pacientes diabéticos, frequentemente com neuropatia periférica e infecção.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2022.
Dermatite por incontinência
Irritação cutânea devido à exposição prolongada à urina ou fezes, sem necrose tecidual profunda.
UpToDate, 'Dermatitis due to incontinence', 2023.
Infecção cutânea bacteriana (ex.: celulite)
Eritema, edema e calor local, sem história típica de pressão prolongada, podendo mimetizar estágios iniciais.
Guidelines for Skin and Soft Tissue Infections, Infectious Diseases Society of America, 2014.
Exames recomendados
Inspeção clínica detalhada
Avaliação do tamanho, profundidade, estágio, presença de necrose, tecido de granulação e sinais de infecção.
Classificar a lesão e guiar o tratamento.
Cultura de secreção ou tecido
Coleta de amostra para identificação de patógenos e teste de sensibilidade antimicrobiana.
Diagnosticar infecção e orientar antibioticoterapia.
Hemograma completo e proteína C reativa
Exames laboratoriais para avaliar infecção sistêmica e estado inflamatório.
Detectar sepse ou desnutrição associada.
Albumina sérica e pré-albumina
Marcadores nutricionais para avaliar risco de desnutrição e cicatrização prejudicada.
Otimizar suporte nutricional.
Ultrassonografia ou ressonância magnética
Imagem para avaliar extensão profunda, osteomielite ou abscessos em casos avançados.
Detectar complicações e planejar intervenções.
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Uso de escalas como Braden ou Norton para identificar pacientes em risco e implementar intervenções precoces.
Reposicionamento frequente
Mudar a posição do paciente a cada 2 horas, usando técnicas adequadas para minimizar cisalhamento e fricção.
Cuidados com a pele
Manutenção da higiene, uso de emolientes para pele seca, e proteção contra umidade com barreiras.
Uso de superfícies de redução de pressão
Colchões ou almofadas especiais que redistribuem a pressão em pacientes acamados ou cadeirantes.
Otimização nutricional
Garantir ingestão adequada de proteínas, calorias e micronutrientes para suportar a integridade da pele.
Vigilância e notificação
Vigilância ativa em instituições de saúde através de protocolos de avaliação de risco (ex.: Escala de Braden), notificação de casos em sistemas de qualidade, e monitoramento de taxas de incidência para implementar medidas preventivas. No Brasil, não é de notificação compulsória nacional, mas recomenda-se registro em prontuários e sistemas institucionais.
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A úlcera de decúbito resulta primariamente de pressão prolongada sobre proeminências ósseas, comum em pacientes acamados, enquanto a úlcera venosa é causada por insuficiência venosa crônica, tipicamente localizada na região maleolar medial e associada a edema e alterações cutâneas como dermatite ocre.
Prevenção envolve avaliação regular de risco com escalas como Braden, reposicionamento frequente (a cada 2 horas), uso de superfícies de redução de pressão (ex.: colchões especiais), cuidados com a pele para evitar umidade, e otimização nutricional com dieta hiperproteica.
Antibioticoterapia é indicada quando há sinais de infecção local (ex.: eritema progressivo, secreção purulenta, odor fétido) ou sistêmica (ex.: febre, leucocitose). Deve-se basear na cultura e sensibilidade para escolha do agente, preferindo tópicos para infecções leves e sistêmicos para graves ou osteomielite.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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