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CID L84: Calos e calosidades

L84
Calos e calosidades

Mais informações sobre o tema:

Definição

Calos e calosidades são lesões cutâneas hiperqueratósicas, localizadas e circunscritas, resultantes de pressão ou fricção repetitiva sobre a pele. Caracterizam-se por espessamento da camada córnea (hiperqueratose) como mecanismo de proteção contra trauma mecânico crônico. Os calos (também chamados de helomas) são tipicamente mais profundos, dolorosos e bem delimitados, com um núcleo central de queratina compactada que pode pressionar estruturas subjacentes, como terminações nervosas, causando dor. As calosidades (tilomas) são mais superficiais, difusas e geralmente assintomáticas, cobrindo uma área mais ampla de pele exposta a pressão constante. Fisiopatologicamente, o estímulo mecânico crônico induz hiperproliferação de queratinócitos e acúmulo de queratina, levando à formação de placas espessadas. Este processo é mediado por citocinas inflamatórias e fatores de crescimento, com alterações na diferenciação epidérmica. A localização comum inclui regiões de apoio plantar, dedos dos pés, palmas das mãos e superfícies ósseas proeminentes, frequentemente associadas a calçados inadequados, deformidades anatômicas (como hallux valgus ou dedos em martelo) ou atividades ocupacionais/recreacionais que envolvem pressão repetitiva. Epidemiologicamente, são condições prevalentes na população geral, com maior incidência em adultos e idosos, especialmente aqueles com fatores de risco como diabetes mellitus, neuropatias periféricas, artropatias ou profissões que exigem longos períodos em pé ou uso de ferramentas manuais. Embora geralmente benignos, podem complicar-se com ulceração, infecção secundária ou interferir significativamente na mobilidade e qualidade de vida, particularmente em pacientes com comorbidades como doença vascular periférica ou imunossupressão.

Descrição clínica

Lesões cutâneas hiperqueratósicas, endurecidas e amareladas, que surgem em áreas de pressão ou fricção crônica. Os calos apresentam-se como nódulos ou placas bem circunscritas, com um núcleo central denso (núcleo córneo) que pode ser palpável e doloroso à pressão. As calosidades são placas mais difusas e achatadas, com bordas mal definidas, geralmente indolores. A pele ao redor pode estar eritematosa ou inflamada, e a lesão pode causar dor local, especialmente ao caminhar ou ao uso de calçados. Em casos crônicos, pode haver fissuração ou ulceração da superfície.

Quadro clínico

Pacientes relatam lesões cutâneas espessadas, geralmente em pés ou mãos, associadas a desconforto ou dor local, pior com pressão ou atividade. Os calos são tipicamente dolorosos, com dor em pontada ou queimação, enquanto calosidades são frequentemente assintomáticas. Sinais incluem: placas ou nódulos amarelados a acinzentados, superfície áspera e seca, localização em áreas de apoio (como metatarsos, calcanhares, laterais dos dedos) ou palmas. Pode haver hiperemia perilesional, fissuras ou, raramente, sinais de infecção (eritema, edema, secreção purulenta). A história revela fatores precipitantes como uso de calçados novos, aumento de atividade física ou ocupação específica.

Complicações possíveis

Ulceração

Perda da integridade cutânea devido à pressão excessiva, especialmente em pacientes com neuropatia ou doença vascular, podendo evoluir para infecção profunda ou osteomielite.

Infecção secundária

Sobreinfecção bacteriana (ex.: Staphylococcus aureus) ou fúngica, com celulite, abscessos ou paroníquia, requerendo antibioticoterapia.

Dor crônica e limitação funcional

Desconforto persistente que interfere na marcha, atividades diárias ou ocupacionais, impactando a qualidade de vida.

Deformidades podais progressivas

Calos podem agravar alterações anatômicas pré-existentes (ex.: dedos em martelo) devido à adaptação antálgica.

Epidemiologia

Condição comum, com prevalência estimada em 5-10% da população geral, aumentando com a idade (atingindo até 20% em idosos). Mais frequente em mulheres, possivelmente devido ao uso de calçados inadequados. Fatores de risco incluem ocupações que exigem longos períodos em pé (ex.: enfermeiros, vendedores), atividades esportivas de impacto (corrida), obesidade, diabetes mellitus (com neuropatia em 50% dos casos) e deformidades podais congênitas ou adquiridas. Em países em desenvolvimento, a prevalência pode ser maior devido a condições socioeconômicas e acesso limitado a calçados adequados.

Prognóstico

Geralmente bom com manejo adequado. A resolução é possível com remoção dos fatores mecânicos e tratamento local. Em pacientes sem comorbidades, o prognóstico é excelente, com alívio sintomático em semanas. Em indivíduos com fatores de risco persistentes (ex.: deformidades não corrigidas, diabetes descompensado), há tendência à recorrência e risco de complicações como ulceração, o que pode piorar o prognóstico, especialmente se houver doença vascular ou neuropatia grave. A adesão a medidas preventivas é crucial para evitar recidivas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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