CID L83: Acantose nigricans
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Definição
A acantose nigricans (AN) é uma dermatose adquirida, caracterizada por hiperpigmentação acinzentada a marrom-escura, hiperqueratose e papilomatose, resultando em placas aveludadas e espessadas, tipicamente localizadas em áreas de dobras cutâneas (axilas, pescoço, virilhas, região inframamária). A lesão é consequência da hiperplasia epidérmica com acantose (espessamento da camada espinhosa) e aumento da melanogênese, frequentemente associada à resistência à insulina e estados de hiperinsulinemia. Clinicamente, manifesta-se como uma marcação cutânea que pode ser um marcador de condições sistêmicas subjacentes, como síndrome metabólica, diabetes mellitus tipo 2, obesidade, distúrbios endócrinos ou, mais raramente, neoplasias malignas (especialmente adenocarcinomas gástricos). A AN é classificada no CID-10 no capítulo XII (Doenças da pele e do tecido subcutâneo), grupo L80-L99 (Outras afecções da pele e do tecido subcutâneo), refletindo sua natureza como uma alteração cutânea reativa. Epidemiologicamente, é mais prevalente em populações com alta taxa de obesidade e resistência à insulina, como em certos grupos étnicos (ex.: hispânicos, afrodescendentes) e em indivíduos com síndromes genéticas (ex.: síndrome dos ovários policísticos).
Descrição clínica
A acantose nigricans apresenta-se como placas simétricas, bem demarcadas, de coloração acinzentada a marrom-escura ou negra, com superfície aveludada, espessada e rugosa ao toque, devido à hiperqueratose e papilomatose. As lesões são geralmente assintomáticas, mas podem causar prurido leve em alguns casos. A distribuição é característica em áreas de dobras cutâneas: axilas (mais comum), pescoço (especialmente nuca e laterais), virilhas, região inframamária, cotovelos, joelhos e, menos frequentemente, superfícies mucosas (ex.: cavidade oral). A progressão é lenta e correlaciona-se com a gravidade da condição subjacente, como o grau de resistência à insulina. Em formas malignas associadas a neoplasias, as lesões podem ser mais extensas, de início abrupto e acompanhadas de outros sinais paraneoplásicos.
Quadro clínico
O quadro clínico é dominado por lesões cutâneas características: placas hiperpigmentadas, aveludadas e espessadas, localizadas em dobras corporais. Os pacientes podem ser assintomáticos ou relatar prurido leve. A história clínica deve incluir avaliação de fatores de risco: obesidade (índice de massa corporal elevado), história familiar de diabetes tipo 2, sinais de síndrome metabólica (hipertensão, dislipidemia), uso de medicamentos e sintomas sugestivos de neoplasia (ex.: perda de peso, dor abdominal). A progressão das lesões é gradual na forma benigna, enquanto na forma maligna pode ser rápida e associada a outros achados paraneoplásicos. Exame físico deve focar na inspeção das áreas típicas e busca de sinais de condições subjacentes, como acrocórdons (marcadores associados) em dobras.
Complicações possíveis
Risco aumentado de diabetes mellitus tipo 2
A AN é um marcador cutâneo de resistência à insulina, elevando o risco de progressão para diabetes.
Síndrome metabólica
Associação com obesidade, dislipidemia e hipertensão, aumentando o risco cardiovascular.
Impacto psicossocial
As lesões visíveis podem causar constrangimento e reduzir a qualidade de vida.
Neoplasias malignas
Na forma maligna, a AN pode ser um sinal paraneoplásico, indicando câncer subjacente (ex.: gástrico).
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Epidemiologia
A acantose nigricans tem prevalência variável globalmente, estimada em 7-74% em populações adultas, dependendo de fatores como etnia, obesidade e resistência à insulina. É mais comum em grupos étnicos com alta predisposição à síndrome metabólica, como hispânicos, afrodescendentes e nativos americanos. A incidência aumenta com a idade e o índice de massa corporal, sendo frequente em crianças e adolescentes obesos. A forma maligna é rara, representando menos de 1% dos casos, e está associada a adenocarcinomas, especialmente gástricos, em adultos mais velhos. No Brasil, dados são escassos, mas a alta prevalência de obesidade sugere subnotificação.
Prognóstico
O prognóstico da acantose nigricans depende da condição subjacente. Na forma benigna associada à obesidade ou resistência à insulina, as lesões podem regredir com controle dos fatores de risco (ex.: perda de peso, tratamento do diabetes), mas a resolução completa é variável. Em casos de síndromes genéticas ou uso de fármacos, o manejo da causa pode melhorar o quadro. Na forma maligna, o prognóstico está ligado ao estágio e resposta ao tratamento do câncer; a AN pode persistir ou piorar com a progressão tumoral. Complicações a longo prazo incluem maior risco de doenças cardiometabólicas, requerendo monitoramento contínuo.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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