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CID L82: Ceratose seborréica
L82
Ceratose seborréica
Mais informações sobre o tema:
Definição
A ceratose seborreica (CS) é uma neoplasia cutânea benigna, de origem epitelial, caracterizada pela proliferação de queratinócitos bem diferenciados. Trata-se de uma das lesões cutâneas mais comuns na prática clínica, especialmente em adultos de meia-idade e idosos, com incidência aumentada após os 40 anos. A lesão apresenta-se clinicamente como pápula ou placa verrucosa, de superfície áspera, coloração variável (do marrom claro ao negro) e aspecto 'colado' à pele, frequentemente descrito como 'lesão em cera de vela'. Embora benigna, pode causar preocupação estética ou ser confundida com neoplasias malignas, como o melanoma, exigindo avaliação dermatológica precisa. A etiologia não é completamente elucidada, mas fatores genéticos, exposição solar cumulativa e envelhecimento cutâneo estão implicados em sua patogênese.
Descrição clínica
Lesão cutânea benigna, não contagiosa, caracterizada por proliferação de queratinócitos bem diferenciados, formando pápulas ou placas verrucosas, de superfície áspera e aspecto ceroso. A coloração varia de marrom claro a negro, podendo apresentar múltiplas tonalidades na mesma lesão. Geralmente assintomática, mas pode causar prurido leve ou irritação mecânica. Localiza-se preferencialmente em tronco, face, pescoço e extremidades, com distribuição simétrica em alguns casos. O crescimento é lento e progressivo, sem tendência à malignização.
Quadro clínico
Apresenta-se como pápulas ou placas únicas ou múltiplas, de 1 mm a 3 cm de diâmetro, com superfície verrucosa, áspera ao toque e aspecto ceroso ou 'colado'. A coloração varia de amarelo-acastanhado a marrom escuro ou negro, podendo ser uniforme ou moteada. Lesões recentes são geralmente planas e pigmentadas, evoluindo para espessadas e verrucosas com o tempo. São assintomáticas na maioria dos casos, mas podem causar prurido leve, irritação por atrito ou sangramento superficial por trauma. Localização comum em tronco, face, pescoço, couro cabeludo e extremidades. O sinal de 'unna' (facilidade de descolamento com curetagem) é característico, mas não deve ser realizado sem confirmação diagnóstica.
Complicações possíveis
Irritação ou inflamação
Pode ocorrer prurido, eritema ou dermatite de contato devido ao atrito com roupas ou trauma, levando a desconforto local.
Sangramento superficial
Trauma na lesão pode causar sangramento leve, geralmente autolimitado, mas pode ser confundido com malignidade.
Preocupação estética
Lesões múltiplas ou em áreas expostas podem causar impacto psicossocial, especialmente em pacientes jovens.
Diagnóstico errôneo
Risco de confusão com melanoma ou outras neoplasias malignas, levando a intervenções desnecessárias ou atraso no tratamento de lesões malignas.
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Prevalência elevada, afetando mais de 80% da população acima de 60 anos. Incidência aumenta com a idade, sendo rara antes dos 30 anos. Ligeiro predomínio em homens e em indivíduos de pele clara. Fatores de risco incluem exposição solar cumulativa, envelhecimento e predisposição genética (herança autossômica dominante em algumas famílias). Distribuição global, sem variações geográficas significativas.
Prognóstico
Excelente, com curso benigno e sem potencial de malignização. As lesões são estáveis ou crescem lentamente ao longo dos anos. Remoção é curativa, com baixo risco de recidiva. Não há associação com morbidade sistêmica ou mortalidade. Em casos raros, a síndrome de Leser-Trélat (surgimento abrupto de múltiplas CS) pode indicar neoplasia interna maligna, exigindo investigação.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é clínico, baseado na inspeção e dermatoscopia. Critérios incluem: 1) Lesão bem demarcada, de superfície verrucosa ou cerebriforme; 2) Aspecto 'colado' à pele; 3) Presença de pseudocistos córneos (visíveis como pontos branco-amarelados à dermatoscopia); 4) Rede pigmentada regular ou estrias cerebriformes na dermatoscopia; 5) Ausência de critérios de malignidade (assimetria, bordos irregulares, múltiplas cores atípicas). Em casos atípicos, confirmação histopatológica é necessária, mostrando acantose, hiperqueratose, papilomatose e pseudocistos córneos, sem atipias.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Nevo melanocítico
Lesão pigmentada benigna de melanócitos, geralmente plana ou ligeiramente elevada, com padrão dermatoscópico de rede pigmentada regular. Diferencia-se pela ausência de superfície verrucosa e pseudocistos córneos.
UpToDate: 'Diagnosis and management of pigmented skin lesions'
Melanoma
Neoplasia maligna de melanócitos, com critérios ABCDE (assimetria, bordos irregulares, cor variada, diâmetro >6 mm, evolução). Requer avaliação dermatoscópica urgente para exclusão.
American Academy of Dermatology: 'Melanoma: Diagnosis and treatment'
Verruga viral (verruga vulgar)
Lesão causada por HPV, com superfície verrucosa, mas geralmente mais áspera e com pontilhado vascular à dermatoscopia. Pode ocorrer em qualquer idade, diferindo da CS típica de adultos.
CDC: 'Human papillomavirus (HPV) infection'
Carcinoma basocelular pigmentado
Neoplasia maligna de células basais, com aspecto nodular ou plano, podendo ser pigmentado. Apresenta telangiectasias e ulceração, ausentes na CS.
NIH: 'Basal cell carcinoma clinical features'
Ceratose actínica
Lesão pré-maligna por dano solar, com superfície áspera e eritematosa, geralmente em áreas fotoexpostas. Diferencia-se pela coloração menos pigmentada e potencial de malignização.
American Academy of Dermatology: 'Actinic keratosis'
Exames recomendados
Dermatoscopia
Exame não invasivo que amplia a lesão, permitindo visualização de pseudocistos córneos, estrias cerebriformes e rede pigmentada regular, auxiliando no diagnóstico diferencial com melanoma.
Confirmação diagnóstica e exclusão de malignidade
Biópsia cutânea
Retirada de fragmento da lesão para análise histopatológica, indicada em casos atípicos, com crescimento rápido, sangramento espontâneo ou dúvida diagnóstica.
Confirmação histológica e exclusão de neoplasias malignas
Documentação fotográfica
Registro fotográfico seriado para monitorar estabilidade ou mudanças na lesão, útil em pacientes com múltiplas lesões ou história familiar de melanoma.
Monitoramento evolutivo
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Uso de filtro solar FPS ≥30, roupas protetoras e evitar exposição solar intensa para reduzir surgimento de novas lesões.
Autoexame da pele
Monitoramento regular de lesões existentes e identificação de novas, com busca de avaliação dermatológica para mudanças.
Consultas dermatológicas periódicas
Avaliação anual ou conforme indicado, especialmente em pacientes com múltiplas lesões ou fatores de risco.
Vigilância e notificação
Não é doença de notificação compulsória. Recomenda-se vigilância dermatológica regular em pacientes com múltiplas lesões, história familiar de melanoma ou lesões atípicas. Educação do paciente sobre autoexame da pele e procura de avaliação para novas lesões ou mudanças em lesões existentes.
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Não, a ceratose seborreica é uma lesão benigna sem potencial de malignização. No entanto, pode ser confundida com câncer de pele, como melanoma, exigindo avaliação dermatológica para diagnóstico correto.
O tratamento depende do tamanho, localização e características da lesão. Opções incluem crioterapia, curetagem, eletrocirurgia ou excisão cirúrgica. Lesões assintomáticas e típicas podem apenas ser monitoradas.
Não, não é contagiosa, pois não é causada por infecção viral ou bacteriana. É uma proliferação benigna de células da pele relacionada a fatores genéticos e envelhecimento.
Procure avaliação médica se a lesão apresentar crescimento rápido, sangramento espontâneo, mudança de cor ou forma, ou se houver dúvida diagnóstica, para excluir neoplasias malignas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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