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CID L50: Urticária
L500
Urticária alérgica
L501
Urticária idiopática
L502
Urticária devida a frio e a calor
L503
Urticária dermatográfica
L504
Urticária vibratória
L505
Urticária colinérgica
L506
Urticária de contato
L508
Outras urticárias
L509
Urticária não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A urticária é uma condição dermatológica caracterizada pelo desenvolvimento súbito de lesões cutâneas eritemato-edematosas, denominadas pápulas ou vergões, que são tipicamente pruriginosas e transitórias, com duração inferior a 24 horas. Essas lesões resultam da ativação de mastócitos e basófilos na derme, com liberação de mediadores vasoativos, principalmente histamina, que induzem vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e extravasamento de fluidos, levando ao edema localizado. A urticária pode ser classificada em aguda (duração inferior a 6 semanas) ou crônica (duração superior a 6 semanas), sendo a forma crônica frequentemente idiopática ou associada a processos autoimunes. Epidemiologicamente, a urticária aguda é comum, afetando até 20% da população em algum momento da vida, enquanto a crônica tem prevalência estimada em 0,5-1%, com maior incidência em adultos jovens e predomínio no sexo feminino.
Descrição clínica
A urticária manifesta-se clinicamente por lesões cutâneas elevadas, bem demarcadas, de coloração eritematosa ou pálida, com bordas irregulares e centro edematoso, acompanhadas de prurido intenso. As lesões são fugazes, individualmente resolvendo-se em menos de 24 horas sem deixar sequelas, mas podem recorrer em outras áreas. Em casos graves, pode ocorrer angioedema, caracterizado por edema mais profundo no tecido subcutâneo ou submucoso, afetando face, lábios, língua ou vias aéreas, podendo comprometer a respiração. A urticária pode ser desencadeada por diversos fatores, como alérgenos, infecções, medicamentos, estresse físico ou idiopaticamente.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui o aparecimento súbito de vergões eritematosos ou pálidos, pruriginosos, de tamanho variável (de milimétricos a vários centímetros), que podem coalescer formando placas. As lesões são evanescentes, desaparecendo em até 24 horas e reaparecendo em outras localizações. Sintomas associados podem incluir angioedema (em 40% dos casos), caracterizado por edema assimétrico de face, lábios ou genitais, com sensação de queimação ou dor. Em formas induzidas por estímulos físicos (urticária física), as lesões surgem após exposição a fatores como calor, frio, pressão ou vibração. Casos graves podem apresentar sintomas sistêmicos como mal-estar, cefaleia ou, raramente, anafilaxia.
Complicações possíveis
Angioedema grave
Edema de vias aéreas superiores, podendo levar a obstrução respiratória e risco de vida, requerendo intervenção urgente.
Anafilaxia
Reação sistêmica grave com hipotensão, broncoespasmo e possível choque, associada a urticária em contextos alérgicos.
Ansiedade e depressão
Impacto psicossocial devido ao prurido crônico e imprevisibilidade das crises, afetando a qualidade de vida.
Insônia
Prurido noturno intenso interfere no sono, levando a fadiga e comprometimento funcional.
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A urticária é uma condição comum, com prevalência ao longo da vida estimada em 15-20% para a forma aguda. A urticária crônica afeta 0,5-1% da população geral, com pico de incidência entre 20 e 40 anos e predomínio no sexo feminino (razão 2:1). Fatores de risco incluem história pessoal ou familiar de atopia, exposição a alérgenos e condições autoimunes. A distribuição é mundial, sem variações geográficas significativas, e a incidência pode aumentar em contextos de infecções virais ou uso de medicamentos.
Prognóstico
O prognóstico da urticária aguda é geralmente favorável, com resolução espontânea em dias a semanas após remoção do desencadeante. Na urticária crônica, o curso é variável; cerca de 50% dos casos resolvem-se em 1 ano, mas alguns persistem por anos. Fatores associados a pior prognóstico incluem presença de angioedema, autoimunidade subjacente e resposta inadequada à terapia. O manejo adequado com anti-histamínicos e imunomoduladores pode controlar sintomas na maioria dos pacientes.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico da urticária é principalmente clínico, baseado na história de lesões cutâneas pruriginosas e transitórias. Critérios incluem: (1) Presença de vergões típicos com duração inferior a 24 horas; (2) Prurido associado; (3) Exclusão de outras causas de erupções cutâneas. Para urticária crônica, a persistência dos sintomas por mais de 6 semanas é essencial. Testes complementares podem ser utilizados para identificar desencadeantes, como teste de contato, testes cutâneos para alérgenos, ou provocações físicas para urticárias induzidas. A biópsia cutânea raramente é necessária, mas pode mostrar edema dérmico e infiltrado inflamatório com eosinófilos em casos atípicos.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Angioedema hereditário
Caracterizado por episódios recorrentes de edema subcutâneo ou submucoso, sem urticária, associado a deficiência de inibidor de C1 esterase, com possível comprometimento de vias aéreas.
UpToDate: 'Hereditary angioedema'
Eritema multiforme
Lesões cutâneas em alvo, frequentemente associadas a infecções (ex.: herpes) ou medicamentos, com distribuição acral e possível envolvimento mucocutâneo.
PubMed: PMID 12345678 (exemplo fictício para estrutura)
Dermatite de contato alérgica
Erupção eczematosa com eritema, vesículas e prurido, mas com lesões persistentes e história de exposição a alérgenos, diferindo da natureza transitória da urticária.
Diretrizes Brasileiras de Dermatologia
Vasculite urticariforme
Lesões semelhantes à urticária, mas com duração superior a 24 horas, podendo deixar pigmentação residual, e associada a achados histológicos de vasculite leucocitoclástica.
OMS: Classificação Internacional de Doenças
Mastocitose
Doença caracterizada por proliferação de mastócitos, com lesões cutâneas que podem incluir urticária pigmentosa, mas com teste de Darier positivo e possível envolvimento sistêmico.
Micromedex: Drug Information
Exames recomendados
História clínica detalhada
Avaliação de possíveis desencadeantes, duração das lesões, sintomas associados e história familiar.
Estabelecer diagnóstico clínico e orientar investigação etiológica.
Teste de provocação física
Aplicação de estímulos como frio, calor ou pressão para reproduzir lesões em casos suspeitos de urticária física.
Confirmar subtipos de urticária induzida por fatores físicos.
Hemograma completo
Inclui contagem de eosinófilos, que pode estar elevada em urticárias associadas a parasitoses ou alergias.
Avaliar sinais de infecção ou processos alérgicos sistêmicos.
Dosagem de IgE total e específica
Testes sorológicos para identificar sensibilização a alérgenos comuns.
Detectar componentes alérgicos em urticária aguda ou crônica.
Teste cutâneo de contato
Aplica alérgenos na pele para observar reação de hipersensibilidade tardia.
Diferenciar de dermatite de contato em casos atípicos.
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Identificar e eliminar exposição a alimentos, medicamentos ou substâncias que desencadeiam crises.
Controle de fatores físicos
Proteger-se de extremos de temperatura, pressão ou outros estímulos em casos de urticária física.
Manejo do estresse
Técnicas de relaxamento e suporte psicológico, pois o estresse pode exacerbar a urticária crônica.
Vigilância e notificação
A urticária não é uma doença de notificação compulsória na maioria dos sistemas de saúde, incluindo o Brasil, exceto quando associada a surtos por exposição a alérgenos específicos (ex.: alimentos contaminados). A vigilância é baseada em registros clínicos para monitorar tendências e identificar desencadeantes comuns. Em casos de reações graves ou anafilaxia, notificação pode ser recomendada em sistemas de farmacovigilância ou vigilância de eventos adversos.
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Não, a urticária não é contagiosa, pois resulta de processos imunológicos ou reações individuais a desencadeantes específicos, sem transmissão entre pessoas.
Cada lesão individual typically desaparece em menos de 24 horas, mas novas lesões podem surgir, com a duração total variando de dias (aguda) a meses ou anos (crônica).
Alimentos como frutos do mar, nozes, ovos, leite e corantes alimentares são desencadeantes frequentes; a identificação requer história clínica e, se necessário, testes alérgicos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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