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CID L26: Dermatite esfoliativa
L26
Dermatite esfoliativa
Mais informações sobre o tema:
Definição
A dermatite esfoliativa (DE), também conhecida como eritrodermia, é uma condição dermatológica grave caracterizada por eritema generalizado (afetando mais de 90% da superfície corporal) associado a descamação ou esfoliação da pele. Trata-se de uma síndrome cutânea inflamatória intensa que resulta em perda da função de barreira epidérmica, levando a complicações sistêmicas significativas. A fisiopatologia envolve uma resposta imunológica exagerada, com aumento da proliferação e turnover dos queratinócitos, liberação de citocinas pró-inflamatórias (como TNF-α, IL-1, IL-6) e infiltrado inflamatório na derme. O impacto clínico é substancial, com risco de desequilíbrio hidroeletrolítico, hipotermia, infecções secundárias e insuficiência cardíaca de alto débito. Epidemiologicamente, é uma condição rara, com incidência estimada em 1-2 casos por 100.000 pessoas/ano, mais comum em adultos do sexo masculino e idosos, frequentemente associada a doenças dermatológicas pré-existentes, reações medicamentosas ou malignidades.
Descrição clínica
A dermatite esfoliativa apresenta-se clinicamente como eritema difuso e intenso, cobrindo a maior parte da superfície corporal, acompanhado de descamação fina ou em grandes lamelas. A pele pode estar edemaciada, quente e dolorosa, com prurido intenso. Frequentemente, há envolvimento de mucosas, como conjuntivite ou queilite. Os pacientes podem exibir sinais sistêmicos como febre, calafrios, linfadenopatia generalizada e mal-estar. A condição pode evoluir rapidamente, com piora em dias a semanas, exigindo intervenção hospitalar.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui eritema generalizado de início agudo ou subagudo, com descamação fina ou em grandes placas, prurido intenso e sensação de queimação. Sinais sistêmicos como febre, taquicardia, linfadenopatia, mal-estar e perda de peso são frequentes. Complicações incluem hipotermia (devido à perda térmica), desidratação, hipoalbuminemia, edema periférico, infecções secundárias e, em casos graves, insuficiência cardíaca de alto débito. A evolução pode ser rápida, com deterioração clínica em horas a dias, necessitando de internação hospitalar.
Complicações possíveis
Infecções bacterianas secundárias
Celulite, abscessos ou sepse devido à perda da barreira cutânea.
Desequilíbrio hidroeletrolítico
Desidratação, hiponatremia e hipoalbuminemia por perdas transepidérmicas.
Hipotermia
Perda térmica excessiva devido à vasodilatação cutânea.
Insuficiência cardíaca de alto débito
Sobrecarga cardíaca por aumento do fluxo sanguíneo periférico.
Sepse
Infecção sistêmica grave, com risco de choque séptico.
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A dermatite esfoliativa é rara, com incidência estimada em 1-2 casos por 100.000 pessoas/ano. É mais comum em adultos do sexo masculino (razão 2:1) e idosos (pico na sexta década). Cerca de 30% dos casos são idiopáticos, 25-30% associados à psoríase, 10-20% a reações medicamentosas e 10% a neoplasias (especialmente linfomas). A mortalidade hospitalar varia de 4-64%, dependendo de comorbidades e complicações.
Prognóstico
O prognóstico varia conforme a etiologia e rapidez do tratamento. Casos idiopáticos ou relacionados a dermatoses têm melhor prognóstico com terapia adequada, enquanto aqueles associados a neoplasias ou reações medicamentosas graves podem ter mortalidade de até 20-40%. Complicações como sepse e insuficiência cardíaca pioram o prognóstico. A recuperação pode levar semanas a meses, com necessidade de acompanhamento dermatológico prolongado.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, com critérios incluindo: 1) Eritema difuso envolvendo mais de 90% da superfície corporal. 2) Descamação ou esfoliação evidente. 3) Exclusão de outras causas de eritrodermia (como queimaduras ou síndrome de Stevens-Johnson). A confirmação pode requerer biópsia cutânea, que mostra paraqueratose, acantose, espongiose e infiltrado inflamatório dérmico perivascular com linfócitos e eosinófilos. Avaliação etiológica é essencial, com investigação de dermatoses prévias, uso de medicamentos e rastreamento de neoplasias.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Psoríase eritrodérmica
Forma grave de psoríase com eritema generalizado e descamação fina, frequentemente desencadeada por retirada abrupta de corticosteroides ou infecções. Difere pela história prévia de psoríase em placas e achados histológicos típicos (paraqueratose com neutrófilos).
UpToDate: Erythrodermic psoriasis
Síndrome de Stevens-Johnson/Necrólise epidérmica tóxica
Reação cutânea grave a medicamentos, com descolamento epidérmico e envolvimento mucocutâneo extenso. Difere pela presença de bolhas e necrose epidérmica, com teste de Nikolsky positivo.
Eritrodermia em pacientes com dermatite atópica crônica, associada a prurido intenso e liquenificação. Difere pela história de atopia e distribuição típica em flexuras.
Diretrizes Brasileiras de Dermatite Atópica
Micose fungóide/Síndrome de Sézary
Linfoma cutâneo de células T que pode se apresentar como eritrodermia, com prurido e linfadenopatia. Difere pela presença de células de Sézary no sangue periférico e infiltrado linfocítico atípico na biópsia.
NCCN Guidelines: Primary cutaneous lymphomas
Pitiríase rubra pilar
Dermatose rara com eritrodermia e áreas de pele poupada (ilhas de pele normal), associada a queratose folicular. Difere pela distribuição característica e achados histológicos.
PubMed: Pityriasis rubra pilaris
Exames recomendados
Biópsia cutânea
Coleta de fragmento de pele para análise histopatológica.
Confirmar o diagnóstico, excluir neoplasias e diferenciar de outras dermatoses.
Hemograma completo
Avaliação de série vermelha, branca e plaquetária.
Detectar anemia, leucocitose (sugerindo infecção) ou eosinofilia (associada a reações medicamentosas).
Dosagem de eletrólitos, ureia e creatinina
Avaliação do perfil metabólico.
Identificar desequilíbrios hidroeletrolíticos e função renal, comuns devido a perdas cutâneas.
Albumina sérica
Dosagem de proteínas plasmáticas.
Avaliar hipoalbuminemia, indicativa de perda proteica e gravidade.
Cultura de lesão cutânea
Coleta de material de áreas descamativas para cultura bacteriana.
Identificar infecções secundárias por S. aureus ou S. pyogenes.
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Controle rigoroso de psoríase ou dermatite atópica para prevenir exacerbações.
Uso criterioso de medicamentos
Evitar fármacos de alto risco para reações cutâneas em pacientes susceptíveis.
Rastreamento de neoplasias
Investigação de linfomas ou outras malignidades em pacientes com eritrodermia idiopática.
Vigilância e notificação
Não é uma doença de notificação compulsória nacional no Brasil, mas casos graves devem ser monitorados em serviços de dermatologia e infectologia. Em surtos ou associação a medicamentos, notificação ao sistema de farmacovigilância (ANVISA) é recomendada. Vigilância de infecções secundárias e sepse é crucial em ambiente hospitalar.
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A psoríase é a causa mais comum, responsável por 25-30% dos casos, seguida por reações medicamentosas e dermatite atópica. Cerca de 30% dos casos são idiopáticos.
A dermatite esfoliativa apresenta descamação sem bolhas ou necrose epidérmica extensa, enquanto a síndrome de Stevens-Johnson tem descolamento epidérmico e envolvimento mucocutâneo grave, com teste de Nikolsky positivo. A biópsia é crucial para diferenciação.
Infecções secundárias (como sepse), desequilíbrio hidroeletrolítico, hipotermia e insuficiência cardíaca de alto débito são as complicações mais graves, requerendo monitoramento intensivo e tratamento hospitalar.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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