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CID K90: Má-absorção intestinal

K900
Doença celíaca
K901
Espru tropical
K902
Síndrome da alça cega não classificada em outra parte
K903
Esteatorréia pancreática
K904
Má-absorção devida a intolerância não classificada em outra parte
K908
Outras formas de má-absorção intestinal
K909
Má-absorção intestinal, sem outra especificação

Mais informações sobre o tema:

Definição

A má-absorção intestinal é uma síndrome clínica caracterizada pela absorção inadequada de nutrientes, eletrólitos, vitaminas e minerais no trato gastrointestinal, resultando em deficiências nutricionais e manifestações sistêmicas. Pode ser classificada como seletiva (afetando nutrientes específicos, como lactose ou vitamina B12) ou generalizada (envolvendo múltiplos nutrientes, como na doença celíaca ou enteropatia perdedora de proteínas). A fisiopatologia envolve mecanismos como dano à mucosa intestinal, deficiências enzimáticas, alterações na flora bacteriana, ou distúrbios na motilidade, levando a má-digestão ou absorção prejudicada. Epidemiologicamente, é uma condição prevalente em populações com alta incidência de doenças infecciosas intestinais, desnutrição ou transtornos autoimunes, com impacto significativo na qualidade de vida e morbimortalidade, especialmente em crianças e idosos.

Descrição clínica

A má-absorção intestinal manifesta-se por sintomas gastrointestinais e sistêmicos, incluindo diarreia crônica, esteatorreia (fezes gordurosas e fétidas), distensão abdominal, flatulência, perda de peso não intencional, fadiga e sinais de deficiências nutricionais como anemia, edema periférico, osteoporose ou alterações dermatológicas. A apresentação varia conforme a causa subjacente, podendo ser aguda ou crônica, e frequentemente está associada a condições como doença celíaca, doença de Crohn, insuficiência pancreática ou síndromes pós-cirúrgicas.

Quadro clínico

O quadro clínico é variável, mas geralmente inclui diarreia aquosa ou esteatorreica, dor abdominal tipo cólica, borborigmos, náuseas, perda de apetite e perda de peso. Sinais de deficiências nutricionais podem incluir anemia (por deficiência de ferro, folato ou B12), sangramentos (por deficiência de vitamina K), tetania (por hipocalcemia), neuropatia periférica (por deficiência de vitaminas do complexo B) e dermatite (por deficiência de zinco ou niacina). Em crianças, pode haver retardo do crescimento e desenvolvimento. A cronificação leva a desnutrição proteico-calórica, imunossupressão e aumento do risco de infecções.

Complicações possíveis

Desnutrição proteico-calórica

Deficiência grave de macronutrientes levando a caquexia, imunodeficiência e aumento da morbimortalidade.

Osteoporose e osteomalácia

Resultante da má-absorção de cálcio e vitamina D, com risco de fraturas patológicas.

Anemias carenciais

Anemia ferropriva, megaloblástica (por deficiência de B12 ou folato) ou mista, causando fadiga e disfunções cognitivas.

Desequilíbrios eletrolíticos

Hipocalemia, hipomagnesemia ou hiponatremia devido a perdas diarréicas, podendo levar a arritmias ou tetania.

Deficiências de vitaminas lipossolúveis

Hipovitaminose A, D, E e K, causando cegueira noturna, coagulopatias ou neuropatias.

Epidemiologia

A má-absorção intestinal tem prevalência variável globalmente, sendo mais comum em regiões com baixos recursos sanitários e alta carga de doenças infecciosas. Estima-se que afete 1-2% da população geral, com picos em crianças (ex.: por infecções) e idosos (ex.: por alterações fisiológicas). A doença celíica, uma causa frequente, tem prevalência de cerca de 1% em populações ocidentais. Fatores de risco incluem história familiar, exposição ambiental a patógenos, e condições como HIV/AIDS ou cirurgias bariátricas. Dados da OMS indicam que diarreia e má-absorção contribuem para desnutrição infantil em países em desenvolvimento.

Prognóstico

O prognóstico da má-absorção intestinal depende da causa subjacente, tempo até o diagnóstico e adesão ao tratamento. Condições tratáveis como doença celíica ou giardíase têm bom prognóstico com intervenção adequada, enquanto doenças crônicas como fibrose cística ou linfangiectasia podem exigir manejo vitalício. Complicações como desnutrição grave ou infecções recorrentes pioram o desfecho. A mortalidade é baixa em casos bem manejados, mas a qualidade de vida pode ser significativamente afetada sem tratamento contínuo.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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