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CID K86: Outras doenças do pâncreas

K860
Pancreatite crônica induzida por álcool
K861
Outras pancreatites crônicas
K862
Cisto do pâncreas
K863
Pseudocisto do pâncreas
K868
Outras doenças especificadas do pâncreas
K869
Doença do pâncreas, sem outra especificação

Mais informações sobre o tema:

Definição

A categoria K86 do CID-10 abrange um grupo heterogêneo de doenças pancreáticas que não se enquadram em classificações específicas como pancreatite aguda (K85) ou crônica (K86.0-K86.1), cistos pancreáticos ou outras entidades definidas. Inclui condições como atrofia pancreática, fibrose pancreática, pancreatite obstrutiva crônica e doenças pancreáticas especificadas não classificadas em outras partes. Essas afecções podem resultar de processos inflamatórios crônicos, obstruções ductais, alterações degenerativas ou causas idiopáticas, levando a disfunção exócrina (como má digestão e esteatorreia) e/ou endócrina (como diabetes mellitus). O impacto clínico varia desde assintomático até quadros de dor abdominal crônica, perda ponderal e complicações metabólicas, com significativa morbidade e potencial redução da qualidade de vida. Epidemiologicamente, são menos frequentes que as pancreatites agudas e crônicas típicas, mas sua prevalência aumenta com fatores de risco como etilismo crônico, tabagismo e história familiar, sendo mais comum em adultos e idosos.

Descrição clínica

As doenças incluídas em K86 caracterizam-se por alterações estruturais ou funcionais do pâncreas que não se encaixam em categorias mais específicas. Clinicamente, podem manifestar-se com dor abdominal epigástrica crônica, irradiada para dorso, associada a náuseas, vômitos e intolerância alimentar. A disfunção exócrina resulta em má digestão de gorduras e proteínas, com esteatorreia, perda de peso e deficiências nutricionais. A disfunção endócrina pode levar ao diabetes mellitus secundário. Exames de imagem frequentemente revelam atrofia, calcificações, dilatação ductal ou massas, dependendo da etiologia. A progressão é geralmente insidiosa, com exacerbações intermitentes.

Quadro clínico

O quadro clínico é variável, podendo ser assintomático ou apresentar dor abdominal superior constante ou em cólica, exacerbada por alimentação, com irradiação para dorso. Sintomas dispépticos como náusea, plenitude pós-prandial e vômitos são comuns. Sinais de insuficiência exócrina incluem diarreia, esteatorreia (fezes gordurosas, fétidas), perda de peso e deficiências de vitaminas lipossolúveis. A insuficiência endócrina manifesta-se como poliúria, polidipsia e hiperglicemia. Exacerbações agudas podem simular pancreatite aguda. Exame físico pode revelar dor à palpação epigástrica, mas muitas vezes é inespecífico.

Complicações possíveis

Diabetes mellitus

Desenvolvimento de diabetes devido à destruição de ilhotas pancreáticas, requerendo manejo com insulina ou antidiabéticos orais.

Desnutrição e deficiências vitamínicas

Resultante da má absorção de nutrientes, levando a perda de peso, osteoporose e deficiências de vitaminas A, D, E e K.

Dor crônica refratária

Dor abdominal persistente que pode ser incapacitante, necessitando de abordagem multimodal com analgésicos e intervenções.

Pseudocisto pancreático

Formação de cistos contendo enzimas pancreáticas, que podem infectar, romper ou causar obstrução.

Epidemiologia

A prevalência de 'outras doenças do pâncreas' (K86) é inferior à das pancreatites agudas e crônicas, com estimativas variáveis devido à heterogeneidade. É mais comum em adultos de meia-idade e idosos, com discreta predominância masculina em algumas séries, possivelmente relacionada a fatores como etilismo e tabagismo. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro mostram que doenças pancreáticas representam uma parcela significativa das internações gastroenterológicas, com K86 respondendo por casos não especificados. Fatores de risco incluem história familiar, exposição a toxinas e condições autoimunes.

Prognóstico

O prognóstico é variável, dependendo da etiologia, extensão da disfunção e adesão ao tratamento. Em geral, é uma condição crônica com curso progressivo. Pacientes com insuficiência exócrina e endócrina têm maior morbidade, com risco de complicações como desnutrição, infecções e doenças cardiovasculares. A mortalidade está mais relacionada a comorbidades e complicações do que à doença em si. Intervenções precoces com terapia de reposição enzimática e controle glicêmico podem melhorar a qualidade de vida e reduzir complicações.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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