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CID K81: Colecistite

K810
Colecistite aguda
K811
Colecistite crônica
K818
Outras colecistites
K819
Colecistite, sem outra especificação

Mais informações sobre o tema:

Definição

A colecistite é uma inflamação aguda ou crônica da vesícula biliar, frequentemente associada à presença de cálculos biliares (colelitíase), que obstruem o ducto cístico e desencadeiam um processo inflamatório local. A forma aguda caracteriza-se por um início súbito de dor abdominal no quadrante superior direito, frequentemente acompanhada de sinais sistêmicos como febre, leucocitose e elevação de enzimas hepáticas, podendo evoluir para complicações como empiema, gangrena ou perfuração da vesícula. Já a colecistite crônica resulta de episódios repetidos de inflamação leve ou de irritação crônica por cálculos, levando a espessamento da parede vesicular e fibrose, com sintomas mais insidiosos como dispepsia e intolerância a alimentos gordurosos. Epidemiologicamente, é uma condição comum, com maior incidência em mulheres, idosos e indivíduos com fatores de risco como obesidade, diabetes e história familiar, representando uma causa significativa de morbidade e internações hospitalares em todo o mundo.

Descrição clínica

A colecistite manifesta-se clinicamente por dor abdominal no hipocôndrio direito ou epigástrio, de caráter constante e intenso, que pode irradiar para o ombro direito ou escápula (sinal de Murphy positivo), associada a náuseas, vômitos, febre e mal-estar geral. Na forma aguda, a dor é tipicamente desencadeada por ingestão de alimentos gordurosos e pode persistir por horas, com agravamento à palpação abdominal. Exames físicos revelam sensibilidade localizada, rigidez muscular e, em casos avançados, massa palpável ou sinais de peritonite. A colecistite crônica apresenta sintomas mais vagos, como desconforto abdominal recorrente, flatulência e intolerância alimentar, com exacerbações intermitentes que mimetizam a forma aguda.

Quadro clínico

O quadro clínico da colecistite aguda inclui dor abdominal súbita no quadrante superior direito ou epigástrio, que pode irradiar para o ombro direito, associada a náuseas, vômitos, febre (geralmente baixa a moderada), calafrios e taquicardia. O sinal de Murphy (dor à palpação profunda do hipocôndrio direito durante a inspiração) é característico. Em casos graves, observam-se sinais de irritação peritoneal, como defesa abdominal e rigidez. A colecistite crônica apresenta dor abdominal intermitente, desconforto pós-prandial, eructações, flatulência e intolerância a alimentos gordurosos, com exacerbações que simulam a forma aguda. Complicações como icterícia podem ocorrer se houver envolvimento do colédoco.

Complicações possíveis

Empiema da vesícula biliar

Acúmulo de pus no interior da vesícula devido à infecção bacteriana, requerendo drenagem urgente.

Gangrena da vesícula biliar

Necrose isquêmica da parede vesicular, com alto risco de perfuração e peritonite.

Perfuração da vesícula biliar

Ruptura da parede vesicular, levando a peritonite biliar localizada ou generalizada.

Fístula bilioentérica

Comunicação anormal entre vesícula e trato gastrointestinal, podendo causar íleo biliar.

Sepse

Resposta inflamatória sistêmica grave devido à disseminação bacteriana, com risco de choque séptico.

Epidemiologia

A colecistite é uma das doenças digestivas mais comuns, com incidência anual estimada em 10-20% em portadores de colelitíase. A prevalência é maior em mulheres (razão 3:1), idosos (pico entre 50-60 anos), e populações com fatores de risco como obesidade, perda rápida de peso, diabetes e gestação. No Brasil, representa uma causa frequente de admissão hospitalar, com variações regionais ligadas a hábitos alimentares. A forma aguda é responsável por aproximadamente 10% de todas as internações por dor abdominal aguda.

Prognóstico

O prognóstico da colecistite aguda é geralmente bom com tratamento adequado, incluindo antibioticoterapia e colecistectomia, com baixa mortalidade (<1% em casos não complicados). No entanto, em idosos, imunossuprimidos ou com comorbidades, o risco de complicações e mortalidade aumenta significativamente. A colecistite crônica tem prognóstico favorável, mas pode levar a sintomas persistentes e necessidade de intervenção cirúrgica eletiva. Atraso no diagnóstico ou tratamento eleva o risco de morbidade por complicações como gangrena ou sepse.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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