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CID K80: Colelitíase
K800
Calculose da vesícula biliar com colicistite aguda
K801
Calculose da vesícula biliar com outras formas de colecistite
K802
Calculose da vesícula biliar sem colecistite
K803
Calculose de via biliar com colangite
K804
Calculose de via biliar com colecistite
K805
Calculose de via biliar sem colangite ou colecistite
K808
Outras colelitíases
Mais informações sobre o tema:
Definição
A colelitíase, também conhecida como litíase biliar, é uma condição caracterizada pela formação de cálculos (pedras) na vesícula biliar ou nas vias biliares. Esses cálculos podem ser compostos principalmente por colesterol (cerca de 80% dos casos), bilirrubinato de cálcio (cálculos pigmentares) ou uma mistura de componentes. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio na solubilidade dos constituintes biliares, como supersaturação de colesterol, nucleação acelerada e hipomotilidade da vesícula biliar, levando à precipitação e crescimento dos cálculos. Epidemiologicamente, a colelitíase é comum, com prevalência estimada em 10-15% da população adulta em países ocidentais, sendo mais frequente em mulheres, indivíduos com obesidade, idade avançada e história familiar. O impacto clínico varia desde assintomático até complicações graves como colecistite aguda, coledocolitíase e pancreatite biliar, exigindo manejo adequado para prevenir morbidade significativa.
Descrição clínica
A colelitíase pode ser assintomática em até 80% dos casos, sendo frequentemente um achado incidental em exames de imagem. Quando sintomática, manifesta-se tipicamente como cólica biliar, caracterizada por dor abdominal súbita e intensa no quadrante superior direito ou epigástrio, que pode irradiar para o dorso ou ombro direito, geralmente desencadeada por ingestão de alimentos gordurosos e durando de 30 minutos a várias horas. Outros sintomas incluem náuseas, vômitos, dispepsia e intolerância alimentar. A presença de complicações pode alterar o quadro, com sinais de inflamação (febre, leucocitose) na colecistite aguda ou icterícia e colúria na coledocolitíase.
Quadro clínico
O quadro clínico da colelitíase varia desde assintomático até apresentações agudas. A cólica biliar é o sintoma cardinal, com dor em cólica no hipocôndrio direito ou epigástrio, de início súbito, durando de 30 minutos a 6 horas, frequentemente pós-prandial e associada a náuseas e vômitos. Em casos complicados, a colecistite aguda apresenta dor persistente, febre, sinal de Murphy positivo e leucocitose; a coledocolitíase cursa com icterícia, colúria, acolia fecal e possível colangite (febre, calafrios, dor abdominal); e a pancreatite biliar manifesta dor abdominal superior intensa, irradiada para dorso, com elevação de amilase e lipase. Sintomas dispépticos como flatulência e intolerância a gorduras podem ocorrer em formas crônicas.
Complicações possíveis
Colecistite aguda
Inflamação aguda da vesícula biliar devido à obstrução do ducto cístico por cálculo, podendo evoluir para empiema, gangrena ou perfuração.
Coledocolitíase
Migração de cálculos para o colédoco, causando obstrução biliar, icterícia, colangite ou pancreatite.
Pancreatite biliar
Inflamação do pâncreas resultante da obstrução da ampola de Vater por cálculo, com risco de necrose pancreática e insuficiência orgânica.
Colangite aguda
Infecção das vias biliares devido à obstrução e estase, caracterizada por febre, icterícia e dor abdominal (tríade de Charcot), com potencial para sepse.
Fístula colecistoentérica
Comunicação anormal entre vesícula biliar e trato gastrointestinal por erosão de cálculo, podendo levar à obstrução intestinal (íleo biliar).
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A colelitíase é uma das doenças gastroenterológicas mais comuns, com prevalência global estimada em 10-20% da população adulta, variando com fatores geográficos e dietéticos. No Brasil, estudos indicam prevalência semelhante, com maior incidência em regiões urbanizadas. É mais frequente em mulheres (razão 2:1 a 3:1), devido a fatores hormonais, e a incidência aumenta com a idade, pico entre 40-60 anos. Fatores de risco incluem obesidade, síndrome metabólica, perda rápida de peso, multiparidade, uso de contraceptivos orais, história familiar e condições como diabetes e cirrose. Complicações como colecistite aguda têm incidência anual de 0,3-0,4% em portadores de litíase.
Prognóstico
O prognóstico da colelitíase é geralmente bom, com a maioria dos casos assintomáticos evoluindo sem complicações. Em pacientes sintomáticos, a colecistectomia laparoscópica resolve os sintomas em mais de 90% dos casos, com baixa taxa de recorrência. Complicações como colecistite aguda ou pancreatite aumentam a morbidade e mortalidade, especialmente em idosos ou com comorbidades; a mortalidade por colecistite aguda é inferior a 1% com tratamento adequado, mas pode chegar a 10-30% em perfuração ou sepse. Fatores como idade avançada, comorbidades e atraso no diagnóstico influenciam negativamente o desfecho.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de colelitíase baseia-se na combinação de história clínica sugestiva, exame físico e confirmação por imagem. Critérios incluem: (1) Presença de sintomas típicos como cólica biliar; (2) Achados de exames de imagem demonstrando cálculos na vesícula biliar, preferencialmente por ultrassonografia abdominal, que tem sensibilidade >95% para detecção; (3) Exclusão de outras causas de dor abdominal. Para complicações, critérios adicionais aplicam-se: na colecistite aguda, dor no hipocôndrio direito, febre, leucocitose e achados ultrassonográficos de espessamento da parede vesicular ou líquido perivesicular; na coledocolitíase, icterícia com dilatação de vias biliares na ultrassonografia ou colangiorressonância.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Colecistite alitiásica
Inflamação da vesícula biliar na ausência de cálculos, comum em pacientes críticos ou com sepse, diferenciada pela ultrassonografia que não mostra litíase.
UpToDate
Úlcera péptica
Dor epigástrica queimante, relacionada a alimentos ou antiácidos, diferenciada por endoscopia digestiva alta e ausência de cálculos na imagem.
Diretrizes Brasileiras de Doença Ulcerosa Péptica
Pancreatite aguda
Dor abdominal superior intensa com elevação de amilase e lipase, que pode ser causada por colelitíase, mas outras etiologias como álcool devem ser consideradas.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pancreatologia
Hepatite aguda
Icterícia, mal-estar e elevação de transaminases, sem evidência de obstrução biliar na imagem, diferenciada por sorologias virais e história clínica.
OMS
Síndrome do intestino irritável
Dor abdominal crônica associada a alteração do hábito intestinal, sem achados objetivos de litíase na imagem.
Critérios de Roma IV
Exames recomendados
Ultrassonografia abdominal
Exame de primeira linha para detecção de cálculos na vesícula biliar, com alta sensibilidade e especificidade.
Confirmar presença de litíase, avaliar espessamento da parede vesicular e sinais de complicações como colecistite.
Manutenção do índice de massa corporal (IMC) adequado, evitando obesidade e perda rápida de peso, que são fatores de risco para litíase.
Dieta saudável
Consumo de dieta rica em fibras, com moderação de gorduras saturadas e carboidratos refinados, para reduzir supersaturação biliar de colesterol.
Atividade física regular
Exercícios aeróbicos para promover motilidade vesicular e prevenir estase biliar.
Evitar jejum prolongado
Refeições regulares para estimular esvaziamento vesicular e reduzir risco de formação de cálculos.
Vigilância e notificação
A colelitíase não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, conforme Portaria GM/MS nº 204/2016. A vigilância é baseada em sistemas de saúde para monitorar complicações e indicadores cirúrgicos. Recomenda-se notificação de surtos ou complicações graves em serviços de saúde, e a vigilância epidemiológica foca em fatores de risco modificáveis, como obesidade, para prevenção primária. Em âmbito hospitalar, a coleta de dados sobre colecistectomias e complicações auxilia no planejamento de recursos.
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Não, a colelitíase assintomática geralmente não necessita de tratamento, sendo apenas observada. A colecistectomia é indicada para casos sintomáticos ou com complicações, como colecistite aguda ou coledocolitíase.
Os principais fatores incluem sexo feminino, obesidade, idade avançada, história familiar, perda rápida de peso, dieta rica em gorduras e carboidratos, multiparidade, uso de contraceptivos orais e condições como diabetes e cirrose.
A cólica biliar typically apresenta dor súbita no hipocôndrio direito ou epigástrio, com irradiação para dorso ou ombro direito, durando 30 minutos a horas, frequentemente pós-prandial e associada a náuseas. Difere de úlcera péptica (dor queimante e relacionada a alimentos) e pancreatite (dor intensa com elevação de enzimas pancreáticas).
Sim, a colelitíase crônica é um fator de risco para carcinoma de vesícula biliar, embora o risco absoluto seja baixo (cerca de 1-2% em portadores de litíase). A presença de cálculos grandes ou por longo tempo aumenta esse risco, justificando vigilância em casos selecionados.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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