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CID K50: Doença de Crohn [enterite regional]
K500
Doença de Crohn do intestino delgado
K501
Doença de Crohn do intestino grosso
K508
Outra forma de doença de Crohn
K509
Doença de Crohn de localização não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica, de natureza imunomediada, caracterizada por inflamação transmural e segmentar que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. A fisiopatologia envolve uma resposta imune anormal à microbiota intestinal em indivíduos geneticamente predispostos, resultando em ativação de linfócitos T, produção de citocinas pró-inflamatórias (como TNF-α, IL-12, IL-23) e dano tecidual. Epidemiologicamente, apresenta incidência variável, com picos na segunda e terceira décadas de vida, e maior prevalência em regiões industrializadas, afetando significativamente a qualidade de vida devido ao seu curso recidivante e complicações como estenoses, fístulas e abscessos.
Descrição clínica
A Doença de Crohn manifesta-se com sintomas gastrointestinais e sistêmicos, incluindo dor abdominal, diarreia crônica (por vezes com sangue ou muco), perda de peso, fadiga e febre. Pode apresentar características extraintestinais, como artrite, eritema nodoso, uveíte e colangite esclerosante primária. A inflamação é tipicamente descontínua, com áreas de mucosa normal entre segmentos afetados (lesões em 'salto'), e complicações como estenoses, fístulas (enteroentéricas, enterovesicais, enterocutâneas) e abscessos são comuns.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a localização e comportamento da doença. Sintomas comuns incluem dor abdominal em cólica, diarreia aquosa ou sanguinolenta, tenesmo, perda de peso, anorexia e febre baixa. Manifestações perianais (fissuras, fístulas, abscessos) são frequentes. Em formas graves, pode haver obstrução intestinal, desnutrição e complicações sistêmicas como anemia, osteoporose e atraso de crescimento em crianças. A apresentação pode ser insidiosa ou aguda, simulando apendicite ou outras condições.
Complicações possíveis
Estenose intestinal
Estreitamento do lúmen intestinal devido a fibrose, podendo levar a obstrução e necessidade de intervenção cirúrgica.
Fístulas
Comunicações anormais entre loops intestinais, pele, bexiga ou vagina, causando infecção e drenagem crônica.
Abscessos
Acúmulo de pus intra-abdominal ou perianal, requerendo drenagem e antibioticoterapia.
Desnutrição e deficiências nutricionais
Resultante de má absorção, anorexia ou perdas proteicas, levando a caquexia e deficiências de vitaminas e minerais.
Câncer colorretal
Risco aumentado de neoplasia em doentes com doença de longa duração e extensa, exigindo vigilância endoscópica regular.
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A incidência da Doença de Crohn varia globalmente, sendo maior em países desenvolvidos (Europa e América do Norte), com taxas de 3-20/100.000 pessoas/ano. A prevalência pode chegar a 200/100.000. Afeta igualmente homens e mulheres, com pico de incidência entre 15-30 anos. Fatores de risco incluem história familiar (risco 5-10 vezes maior em parentes de primeiro grau), tabagismo, dieta ocidental e urbanização.
Prognóstico
O prognóstico é variável, com curso caracterizado por períodos de remissão e exacerbação. Aproximadamente 70-80% dos pacientes necessitam de cirurgia em 20 anos devido a complicações. Fatores de pior prognóstico incluem tabagismo, envolvimento perianal, comportamento penetrante ou estenosante, e diagnóstico em idade jovem. Com tratamento adequado, a mortalidade é baixa, mas a morbidade impacta significativamente a qualidade de vida.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, endoscópicos, histológicos e de imagem. Segundo as Diretrizes da ECCO (European Crohn's and Colitis Organisation), inclui: história clínica sugestiva, evidência de inflamação descontínua e transmural em colonoscopia com biópsia (úlceras aftoides, granulomas não caseosos), e achados de imagem (ressonância magnética ou tomografia) mostrando espessamento parietal, estenoses ou fístulas. Critérios de Lennard-Jones ou de Porto podem ser aplicados em crianças.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Colite ulcerativa
Doença inflamatória intestinal limitada ao cólon, com inflamação contínua e confinada à mucosa, sem granulomas.
ECCO Guidelines, Journal of Crohn's and Colitis, 2017
Tuberculose intestinal
Infecção por Mycobacterium tuberculosis, com granulomas caseosos, achados radiológicos de ileíte e história de exposição.
WHO Global Tuberculosis Report, 2021
Síndrome do intestino irritável
Distúrbio funcional sem inflamação orgânica, com dor abdominal e alteração do hábito intestinal, mas sem perda de peso ou sangramento.
Rome IV Criteria, Gastroenterology, 2016
Doença celíaca
Enteropatia por sensibilidade ao glúten, com atrofia vilositaria e anticorpos positivos (anti-transglutaminase).
World Gastroenterology Organisation Guidelines, 2017
Diverticulite
Inflamação de divertículos, geralmente no cólon sigmoide, com dor localizada e febre, sem cronicidade.
American Gastroenterological Association Guidelines, 2015
Exames recomendados
Colonoscopia com ileoscopia e biópsias
Exame endoscópico para visualização direta da mucosa, identificação de ulcerações, estenoses e coleta de amostras para histologia.
Confirmar inflamação descontínua, avaliar extensão e excluir outras causas.
Ressonância magnética de abdome/pélvis
Imagem por ressonância para avaliação de espessamento parietal, estenoses, fístulas e abscessos, com contraste.
Detectar complicações transmurais e extraintestinais, útil para monitoramento.
Tomografia computadorizada de abdome
Exame de imagem rápido para avaliação de emergências como obstrução ou perfuração.
Triagem inicial em suspeita de complicações agudas.
Hemograma completo e marcadores inflamatórios
Dosagem de hemoglobina, leucócitos, VHS e PCR para avaliar anemia, atividade inflamatória e infecção.
Acompanhar atividade da doença e resposta ao tratamento.
Pesquisa de anticorpos ASCA e p-ANCA
Sorologia para anticorpos anti-Saccharomyces cerevisiae (ASCA) e anticitoplasma de neutrófilos (p-ANCA).
Auxiliar no diagnóstico diferencial com colite ulcerativa, embora não sejam específicos.
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Principal medida modificável para reduzir incidência e progressão da doença.
Dieta equilibrada
Manter dieta rica em fibras e pobre em alimentos processados, embora evidências sejam limitadas.
Uso criterioso de antibióticos
Minimizar exposição desnecessária para preservar microbiota intestinal.
Vigilância e notificação
No Brasil, a Doença de Crohn não é de notificação compulsória, mas recomenda-se registro em sistemas de saúde para monitoramento epidemiológico. A vigilância inclui rastreamento de complicações como câncer colorretal em doentes com doença de longa duração (>8-10 anos), conforme diretrizes da Sociedade Brasileira de Coloproctologia.
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Não, é uma condição crônica sem cura definitiva, mas o tratamento visa induzir e manter remissão, controlar sintomas e prevenir complicações.
A Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato GI com inflamação transmural e descontínua, enquanto a colite ulcerativa é restrita ao cólon com inflamação contínua e superficial.
Sim, o tabagismo é um fator de risco bem estabelecido para desenvolvimento e pior evolução da Doença de Crohn, aumentando recidivas e necessidade de cirurgia.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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