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CID K37: Apendicite, sem outras especificações

K37
Apendicite, sem outras especificações

Mais informações sobre o tema:

Definição

Apendicite é uma inflamação aguda do apêndice cecal, uma estrutura tubular localizada na base do ceco, no quadrante inferior direito do abdome. A condição é caracterizada por uma resposta inflamatória que pode progredir de uma fase inicial edematosa para uma fase supurativa, gangrenosa e eventualmente perfurativa, com risco de peritonite difusa e sepse. A apendicite é uma das emergências cirúrgicas abdominais mais comuns em todo o mundo, com incidência estimada em aproximadamente 7-10% da população ao longo da vida, sendo mais prevalente em adolescentes e adultos jovens, mas podendo ocorrer em qualquer faixa etária. O diagnóstico precoce e o tratamento cirúrgico (apendicectomia) são fundamentais para reduzir a morbimortalidade associada, especialmente em casos de complicações como perfuração e abscesso. A etiologia é multifatorial, envolvendo frequentemente obstrução do lúmen apendicular por fecalito, hiperplasia linfoide, corpos estranhos ou neoplasias, levando a aumento da pressão intraluminal, isquemia e supercrescimento bacteriano.

Descrição clínica

A apendicite aguda apresenta um quadro clínico clássico que inclui dor abdominal inicialmente periumbilical ou epigástrica, que migra para o quadrante inferior direito (QID) em algumas horas, associada a anorexia, náuseas e vômitos. A dor no QID torna-se localizada e constante, frequentemente exacerbada por movimentos ou tosse. Sinais de irritação peritoneal, como dor à descompressão (sinal de Blumberg), rigidez muscular e hiperestesia cutânea, podem estar presentes. Febre baixa (geralmente <38,5°C) e taquicardia são comuns, mas a ausência de febre não exclui o diagnóstico. Em idosos, crianças e gestantes, a apresentação pode ser atípica, com sintomas menos específicos, aumentando o risco de diagnóstico tardio e complicações. A evolução não tratada pode levar a perfuração, com piora súbita da dor seguida de alívio temporário, seguida de sinais de peritonite difusa.

Quadro clínico

O quadro clínico típico inclui: dor abdominal migratória (início periumbilical/epigástrica, migrando para QID em 12-24 horas), anorexia (quase universal), náuseas e vômitos (geralmente após o início da dor), febre baixa (37,5-38,5°C) e taquicardia. Sinais físicos: dor à palpação no ponto de McBurney (um terço da distância entre a espinha ilíaca ântero-superior e o umbigo), dor à descompressão (sinal de Blumberg), rigidez muscular voluntária ou involuntária no QID, hiperestesia cutânea, e sinais como Rovsing (dor no QID à palpação do quadrante inferior esquerdo) e psoas (dor à extensão do quadril direito). Em apresentações atípicas: crianças podem ter diarreia e irritabilidade; idosos podem apresentar confusão e dor menos localizada; gestantes podem ter dor deslocada para o quadrante superior direito devido ao deslocamento do apêndice pelo útero gravídico.

Complicações possíveis

Perfuração apendicular

Ruptura da parede apendicular, levando a extravasamento de conteúdo intestinal e peritonite localizada ou difusa, com risco aumentado de sepse e abscesso.

Abscesso apendicular

Coleção purulenta localizada, geralmente após perfuração contida, requerendo drenagem percutânea ou cirúrgica.

Peritonite difusa

Inflamação generalizada do peritônio devido à contaminação bacteriana, associada a alta morbimortalidade, choque séptico e falência de múltiplos órgãos.

Obstrução intestinal

Pode ocorrer devido a aderências pós-inflamatórias ou compressão por abscesso, levando a distensão abdominal, vômitos e parada de eliminação de gases e fezes.

Sepse e choque séptico

Resposta sistêmica à infecção, com hipotensão, taquicardia, alteração do estado mental e necessidade de suporte intensivo.

Epidemiologia

A apendicite aguda tem uma incidência anual estimada de 1,0-1,5 casos por 1.000 pessoas, representando cerca de 7-10% da população ao longo da vida. É mais comum em adolescentes e adultos jovens (pico entre 10-30 anos), com leve predomínio masculino (razão homem:mulher de 1,4:1). Em idosos (>60 anos), a incidência é menor, mas as taxas de perfuração e mortalidade são mais altas devido a apresentações atípicas e comorbidades. Fatores de risco incluem dieta ocidental pobre em fibras, história familiar (risco relativo aumentado em 3 vezes para parentes de primeiro grau) e infecções virais recentes (ex.: mononucleose). A incidência tem diminuído em países desenvolvidos nas últimas décadas, possivelmente devido a mudanças dietéticas e melhora no diagnóstico. No Brasil, é uma das principais causas de cirurgia abdominal de emergência, com altas taxas de sucesso terapêutico quando manejada adequadamente.

Prognóstico

O prognóstico da apendicite aguda é geralmente excelente com diagnóstico precoce e tratamento cirúrgico oportuno (apendicectomia), com taxas de recuperação completa superiores a 95% e baixa mortalidade (<1%). Atraso no diagnóstico aumenta significativamente o risco de complicações como perfuração, abscesso e peritonite, elevando a morbimortalidade: a mortalidade pode chegar a 5% em casos de perfuração, especialmente em idosos e imunossuprimidos. Complicações pós-operatórias incluem infecção de ferida (2-5%), abscesso intra-abdominal (1-3%) e obstrução intestinal por aderências (1-2%). O uso de antibioticoterapia perioperatória reduz as taxas de infecção. Em casos de apendicite não complicada, a alta hospitalar ocorre em 1-2 dias, com retorno às atividades normais em 2-4 semanas. A apendicectomia laparoscópica está associada a menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida comparada à aberta.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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