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CID K25: Úlcera gástrica

K250
Úlcera gástrica - aguda com hemorragia
K251
Úlcera gástrica - aguda com perfuração
K252
Úlcera gástrica - aguda com hemorragia e perfuração
K253
Úlcera gástrica - aguda sem hemorragia ou perfuração
K254
Úlcera gástrica - crônica ou não especificada com hemorragia
K255
Úlcera gástrica - crônica ou não especificada com perfuração
K256
Úlcera gástrica - crônica ou não especificada com hemorragia e perfuração
K257
Úlcera gástrica - crônica sem hemorragia ou perfuração
K259
Úlcera gástrica - não especificada como aguda ou crônica, sem hemorragia ou perfuração

Mais informações sobre o tema:

Definição

A úlcera gástrica é uma lesão erosiva da mucosa gástrica que se estende além da muscularis mucosae, caracterizada por perda tecidual localizada. Sua natureza é multifatorial, envolvendo desequilíbrio entre fatores agressivos (como ácido clorídrico, pepsina e Helicobacter pylori) e defensivos da mucosa (como muco, bicarbonato e fluxo sanguíneo). A fisiopatologia inclui dano direto à barreira mucosa, frequentemente associado à infecção por H. pylori ou uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), levando à inflamação, necrose e formação da úlcera. Epidemiologicamente, é uma condição comum, com incidência variável globalmente, influenciada por fatores como idade, tabagismo e prevalência de H. pylori, representando um significativo impacto na saúde pública devido a complicações como hemorragia e perfuração.

Descrição clínica

A úlcera gástrica manifesta-se clinicamente por dor epigástrica em queimação ou tipo fome, que pode melhorar ou piorar com a alimentação, dependendo da localização da úlcera. Sintomas associados incluem pirose, náuseas, vômitos, saciedade precoce e, em casos de complicações, melena, hematêmese ou dor abdominal aguda. A apresentação pode ser aguda ou crônica, com exacerbações relacionadas a fatores desencadeantes como estresse, uso de AINEs ou infecção por H. pylori. A dor é tipicamente localizada no epigástrio e pode irradiar para o dorso em úlceras penetrantes, com variação interindividual na intensidade e frequência.

Quadro clínico

O quadro clínico da úlcera gástrica é caracterizado por dor epigástrica em queimação ou tipo cólica, que pode ocorrer de 30 minutos a 3 horas após as refeições e, em alguns casos, ser aliviada pela ingestão de alimentos ou antiácidos. Sintomas dispépticos como náuseas, vômitos, plenitude pós-prandial e eructações são comuns. Em apresentações complicadas, observa-se hematêmese (vômito com sangue), melena (fezes enegrecidas), anemia ferropriva, perda de peso não intencional e dor abdominal intensa e súbita sugestiva de perfuração. A dor pode ser crônica e recorrente, com exacerbações relacionadas a fatores de risco, e a ausência de dor não exclui a presença de úlcera, especialmente em idosos ou usuários de AINEs.

Complicações possíveis

Hemorragia digestiva

Sangramento ativo da úlcera, manifestando-se como hematêmese ou melena, podendo levar a anemia aguda ou choque hipovolêmico.

Perfuração

Ruptura da parede gástrica, resultando em peritonite química ou bacteriana, com dor abdominal aguda e sinais de irritação peritoneal.

Penetração

Extensão da úlcera para órgãos adjacentes como pâncreas ou fígado, causando dor persistente e refratária ao tratamento usual.

Obstrução gástrica

Estenose pilórica ou antral devido à cicatrização fibrosa da úlcera, levando a vômitos pós-prandiais e distensão abdominal.

Transformação maligna

Rara evolução para adenocarcinoma gástrico em úlceras crônicas, exigindo vigilância endoscópica em casos selecionados.

Epidemiologia

A úlcera gástrica apresenta prevalência global estimada em 0,1-0,3% da população, com incidência anual de aproximadamente 0,1-0,2%. É mais comum em adultos de meia-idade e idosos, com pico de incidência entre 50-70 anos, e ligeiro predomínio no sexo masculino. Fatores de risco incluem infecção por H. pylori (presente em 60-70% dos casos), uso de AINEs (responsável por 20-30% dos casos), tabagismo, consumo de álcool e história familiar. Variações geográficas são observadas, com maior prevalência em regiões com alta endemicidade de H. pylori. No Brasil, dados do DATASUS indicam milhares de hospitalizações anuais por doenças pépticas, refletindo seu impacto na saúde pública.

Prognóstico

O prognóstico da úlcera gástrica é geralmente bom com tratamento adequado, incluindo erradicação de H. pylori e suspensão de AINEs, com taxas de cicatrização superiores a 90% em 8 semanas. No entanto, recidivas são comuns se os fatores de risco persistirem, e complicações como hemorragia ou perfuração aumentam a morbimortalidade, especialmente em idosos ou comorbidades. A vigilância endoscópica é recomendada para úlceras gástricas devido ao risco de malignidade, e o prognóstico a longo prazo depende da adesão terapêutica e controle dos fatores predisponentes.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.

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