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CID K30: Dispepsia
K30
Dispepsia
Mais informações sobre o tema:
Definição
A dispepsia é definida como um conjunto de sintomas crônicos ou recorrentes localizados na região epigástrica, incluindo dor, queimação, plenitude pós-prandial precoce e saciedade precoce, na ausência de doença orgânica estrutural, metabólica ou sistêmica que explique adequadamente os sintomas. É classificada como dispepsia funcional quando não há evidência de alterações estruturais ou bioquímicas após investigação apropriada, conforme os critérios de Roma IV, sendo uma desordem de interação cérebro-intestino com fisiopatologia multifatorial envolvendo hipersensibilidade visceral, motilidade gástrica alterada, disfunção da barreira mucosa e fatores psicossociais. A dispepsia orgânica, por sua vez, está associada a condições como doença ulcerosa péptica, refluxo gastroesofágico, neoplasias ou uso de medicamentos (ex.: AINEs). Clinicamente, impacta significativamente a qualidade de vida e representa um desafio diagnóstico-terapêutico, com prevalência global estimada em 10-30% da população, sendo mais comum em mulheres e adultos jovens a meia-idade.
Descrição clínica
A dispepsia caracteriza-se por sintomas epigástricos persistentes ou recorrentes, com duração mínima de três meses e início há pelo menos seis meses, conforme critérios de Roma IV. Os sintomas incluem dor ou queimação epigástrica (síndrome da dor epigástrica), plenitude pós-prandial precoce (sensação de saciedade excessiva após início da refeição) e saciedade precoce (incapacidade de terminar uma refeição de tamanho normal). Pode apresentar-se com padrões sobrepostos, como dismotilidade (predomínio de plenitude e saciedade) ou ulceroso (predomínio de dor/queimacao). A avaliação clínica requer anamnese detalhada para excluir sinais de alarme (ex.: disfagia, perda de peso não intencional, sangramento digestivo) que indicam necessidade de investigação endoscópica urgente.
Quadro clínico
Pacientes apresentam sintomas epigástricos crônicos ou recorrentes, como dor em queimação ou desconforto, plenitude pós-prandial precoce (sensação de estufamento logo após comer) e saciedade precoce (incapacidade de completar refeições). Sintomas podem ser desencadeados por alimentos gordurosos, cafeína, álcool ou estresse. Sinais de alarme (bandeiras vermelhas) incluem disfagia, odinofagia, vômitos persistentes, perda de peso não intencional (>10% do peso corporal), anemia ferropriva, sangramento digestivo (hematêmese ou melena) ou massa abdominal palpável, necessitando investigação imediata. Exame físico geralmente é inespecífico, podendo haver leve sensibilidade à palpação epigástrica.
Complicações possíveis
Impacto na Qualidade de Vida
Sintomas crônicos levam a prejuízos significativos nas atividades diárias, trabalho e saúde mental, com aumento do risco de ansiedade e depressão.
Mau Uso de Medicamentos
Automedicação com antiácidos ou AINEs pode causar efeitos adversos, como nefropatia ou lesão gastrointestinal.
Atraso no Diagnóstico de Doenças Graves
Falha em identificar sinais de alarme pode retardar o diagnóstico de neoplasias gástricas ou outras condições orgânicas.
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A dispepsia tem prevalência global estimada em 10-30%, variando por região e critérios diagnósticos. É mais comum em mulheres (razão 1,5:1) e adultos jovens a meia-idade (20-50 anos). A dispepsia funcional representa aproximadamente 70% dos casos. Fatores de risco incluem infecção por H. pylori (em subset), uso de AINEs, tabagismo, obesidade e estresse psicossocial. No Brasil, estudos mostram prevalência semelhante, com impacto significativo no sistema de saúde devido a consultas frequentes e custos com investigações.
Prognóstico
O prognóstico da dispepsia funcional é variável, com curso crônico e recidivante em muitos pacientes. Cerca de 50% apresentam melhora espontânea ao longo do tempo, mas sintomas persistentes são comuns. Fatores associados a pior prognóstico incluem sintomas graves, comorbidades psicossociais (ex.: ansiedade) e resposta inadequada à terapia inicial. A dispepsia orgânica tem prognóstico dependente da doença de base (ex.: úlceras por H. pylori têm boa resposta à erradicação). Abordagem multidisciplinar com suporte psicológico pode melhorar desfechos.
Critérios diagnósticos
Diagnóstico baseia-se nos critérios de Roma IV para dispepsia funcional: 1) Um ou mais dos seguintes sintomas: dor ou queimação epigástrica, plenitude pós-prandial precoce, saciedade precoce; 2) Duração mínima de três meses, com início há pelo menos seis meses; 3) Ausência de evidência de doença estrutural (ex.: úlcera, neoplasia) que explique os sintomas após investigação apropriada, incluindo endoscopia digestiva alta. Para dispepsia orgânica, diagnóstico requer identificação de causa subjacente (ex.: úlcera péptica à endoscopia). A abordagem inicial inclui exclusão de sinais de alarme e, em pacientes <60 anos sem sinais de alarme, estratégia de 'testar e tratar' para H. pylori ou terapia empírica com inibidores da bomba de prótons (IBP).
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
Caracteriza-se principalmente por pirose e regurgitação, mas pode apresentar sintomas epigástricos sobrepostos. Diagnóstico diferencial baseia-se em pHmetria esofágica e resposta à terapia com IBP, conforme diretrizes da American Gastroenterological Association.
Katz PO, et al. Guidelines for the diagnosis and management of gastroesophageal reflux disease. Am J Gastroenterol. 2013.
Síndrome do Intestino Irritável (SII)
Apresenta dor abdominal associada à alteração do hábito intestinal (diarreia e/ou constipação), mas pode coexistir com dispepsia. Diferenciada pelos critérios de Roma IV para SII, com foco em sintomas intestinais.
Lacy BE, et al. Bowel Disorders. Gastroenterology. 2016.
Colelitíase
Pode causar dor epigástrica ou no quadrante superior direito, frequentemente pós-prandial e associada a náuseas. Diagnóstico por ultrassonografia abdominal, conforme recomendações da American College of Gastroenterology.
ASGE Standards of Practice Committee. The role of endoscopy in the evaluation of suspected choledocholithiasis. Gastrointest Endosc. 2010.
Gastroparesia
Caracterizada por retardo no esvaziamento gástrico na ausência de obstrução mecânica, com sintomas como náuseas, vômitos e plenitude. Diferenciada por cintilografia de esvaziamento gástrico, baseado em diretrizes da American Neurogastroenterology and Motility Society.
Camilleri M, et al. Clinical guideline: management of gastroparesis. Am J Gastroenterol. 2013.
Neoplasia Gástrica
Pode apresentar sintomas dispépticos, especialmente em pacientes com sinais de alarme. Diagnóstico requer endoscopia digestiva alta com biópsia, conforme orientações da European Society for Medical Oncology.
Smyth EC, et al. Gastric cancer: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up. Ann Oncol. 2016.
Exames recomendados
Endoscopia Digestiva Alta
Exame de escolha para excluir doenças orgânicas (ex.: úlceras, esofagite, neoplasias) em pacientes com sinais de alarme ou idade >60 anos.
Diagnóstico diferencial e identificação de lesões estruturais.
Teste para Helicobacter pylori
Inclui teste respiratório com ureia marcada, antígeno fecal ou sorologia, indicado na estratégia de 'testar e tratar' em pacientes <60 anos sem sinais de alarme.
Detecção de infecção por H. pylori para guiar terapia de erradicação.
Ultrassonografia Abdominal
Avalia vesícula biliar, pâncreas e fígado para excluir colelitíase ou outras patologias hepatobiliares.
Exclusão de causas extra-gástricas de sintomas epigástricos.
Cintilografia de Esvaziamento Gástrico
Mede a taxa de esvaziamento gástrico após refeição padrão, indicada em suspeita de gastroparesia refratária.
Avaliação da motilidade gástrica em casos selecionados.
Exames Laboratoriais
Hemograma completo, função tireoidiana, eletrólitos e marcadores de doença celíaca (anti-transglutaminase) para excluir causas sistêmicas.
Triagem de anemias, distúrbios metabólicos ou doenças associadas.
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Dieta balanceada, evitando excessos e alimentos desencadeantes, com refeições regulares.
Controle do Uso de Medicamentos
Uso criterioso de AINEs, com proteção gástrica (ex.: IBP) quando necessário.
Rastreamento de H. pylori
Testar e tratar infecção por H. pylori em populações de alto risco ou com história familiar de doença ulcerosa.
Vigilância e notificação
A dispepsia não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas sua vigilância é importante em saúde pública devido à alta prevalência e custos associados. Recomenda-se monitoramento de padrões de prescrição de medicamentos (ex.: IBP) e taxas de infecção por H. pylori em programas de saúde. Em atenção primária, protocolos de manejo baseados em diretrizes (ex.: Ministério da Saúde) visam otimizar investigação e reduzir endoscopias desnecessárias. Sinais de alarme devem ser rastreados sistematicamente para detecção precoce de neoplasias.
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Dispepsia funcional é diagnosticada quando não há evidência de doença estrutural após investigação apropriada (ex.: endoscopia normal), enquanto dispepsia orgânica está associada a causas identificáveis, como úlceras pépticas, refluxo ou neoplasias. A funcional segue critérios de Roma IV e envolve distúrbios de motilidade e hipersensibilidade visceral.
Endoscopia é indicada em pacientes com sinais de alarme (ex.: disfagia, perda de peso, sangramento), idade >60 anos, ou na falha da terapia empírica inicial. Em pacientes <60 anos sem sinais de alarme, pode-se adotar estratégia de 'testar e tratar' para H. pylori antes da endoscopia.
A dispepsia funcional tem curso crônico e recidivante, mas sintomas podem melhorar com tratamento adequado e modificações no estilo de vida. A cura completa é menos comum, mas o controle sintomático é alcançável na maioria dos casos. Na dispepsia orgânica, a resolução depende do tratamento da causa subjacente (ex.: erradicação de H. pylori).
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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