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CID K21: Doença de refluxo gastroesofágico

K210
Doença de refluxo gastroesofágico com esofagite
K219
Doença de refluxo gastroesofágico sem esofagite

Mais informações sobre o tema:

Definição

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica caracterizada pelo refluxo anormal do conteúdo gástrico para o esôfago, resultando em sintomas incômodos e/ou complicações. A fisiopatologia envolve principalmente a disfunção do esfíncter esofágico inferior (EEI), que pode ser devido à hipotonia transitória, relaxamentos inadequados ou alterações anatômicas como hérnia hiatal. O refluxo repetitivo de ácido, pepsina e bile causa lesão da mucosa esofágica, desencadeando inflamação, erosões e, em casos graves, metaplasia (esôfago de Barrett). O impacto clínico inclui redução da qualidade de vida, risco de complicações como estenose e adenocarcinoma, e sobreposição com condições extraesofágicas. Epidemiologicamente, a DRGE afeta aproximadamente 10-20% da população ocidental, com prevalência crescente associada a fatores como obesidade, dieta e envelhecimento.

Descrição clínica

A DRGE manifesta-se por sintomas típicos, como pirose (azia) e regurgitação, que podem ocorrer pós-prandialmente ou ao deitar. Sintomas atípicos incluem dor torácica não cardíaca, disfagia, odinofagia e manifestações extraesofágicas, como tosse crônica, asma, laringite e erosão dentária. A apresentação pode variar de intermitente a persistente, com exacerbações relacionadas a fatores dietéticos, posicionamento ou estresse. A avaliação clínica deve considerar a frequência, severidade e impacto na qualidade de vida, além de sinais de alarme como perda de peso, sangramento ou disfagia progressiva.

Quadro clínico

O quadro clínico da DRGE é diverso, com sintomas esofágicos e extraesofágicos. Sintomas típicos: pirose (sensação de queimação retroesternal), regurgitação (retorno do conteúdo gástrico à boca), e dor epigástrica. Sintomas atípicos: dor torácica não cardíaca (pode mimetizar angina), disfagia (dificuldade de deglutição), odinofagia (dor ao engolir), e sensação de globus (nó na garganta). Manifestações extraesofágicas: tosse crônica, rouquidão, laringite, asma, erosão dentária e sinusite. Sintomas noturnos são comuns e podem perturbar o sono. A severidade varia de leve e intermitente a grave e diária, com possível associação a ansiedade e depressão.

Complicações possíveis

Esofagite erosiva

Inflamação e ulceração da mucosa esofágica, podendo levar a sangramento e dor.

Estenose esofágica

Estreitamento do lúmen esofágico devido a fibrose, causando disfagia progressiva.

Esôfago de Barrett

Metaplasia intestinal do epitélio esofágico, fator de risco para adenocarcinoma.

Adenocarcinoma esofágico

Neoplasia maligna associada à progressão do esôfago de Barrett.

Hemorragia digestiva

Sangramento por ulcerações ou erosões esofágicas, podendo ser agudo ou crônico.

Epidemiologia

A DRGE é uma das doenças digestivas mais comuns, com prevalência global estimada em 10-20% em populações ocidentais, e menor em asiáticos (cerca de 5%). A incidência aumenta com a idade, sendo mais frequente em adultos de 30-60 anos. Fatores de risco incluem obesidade (OR ~1,5-2), tabagismo, consumo de álcool, dieta rica em gordura, hérnia hiatal e uso de certos medicamentos. A prevalência tem crescido nas últimas décadas, possivelmente devido a mudanças no estilo de vida. Complicações como esôfago de Barrett são mais comuns em homens caucasianos.

Prognóstico

O prognóstico da DRGE é geralmente bom com tratamento adequado, mas varia com a presença de complicações. A maioria dos pacientes responde à terapia com IBP e modificações lifestyle, com controle sintomático e baixo risco de progressão. No entanto, pacientes com esôfago de Barrett têm risco aumentado de adenocarcinoma (0,1-0,5% ao ano), exigindo vigilância endoscópica regular. Complicações como estenose podem requer intervenções repetidas. Fatores de pior prognóstico incluem refratariedade ao tratamento, obesidade, tabagismo e história familiar de neoplasia.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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