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CID K11: Doenças das glândulas salivares
K110
Atrofia de glândula salivar
K111
Hipertrofia de glândula salivar
K112
Sialadenite
K113
Abscesso de glândula salivar
K114
Fístula de glândula salivar
K115
Sialolitíase
K116
Mucocele de glândula salivar
K117
Alterações da secreção salivar
K118
Outras doenças das glândulas salivares
K119
Doença de glândula salivar, sem outra especificação
Mais informações sobre o tema:
Definição
Os transtornos das glândulas salivares referem-se a um espectro de condições que afetam as glândulas salivares maiores (parótidas, submandibulares e sublinguais) e menores, resultando em disfunção na produção ou secreção de saliva. Esses transtornos podem ser de natureza inflamatória, infecciosa, obstrutiva, autoimune, neoplásica ou degenerativa, impactando a homeostase oral, a digestão e a proteção contra patógenos. A fisiopatologia envolve alterações na permeabilidade ductal, resposta imune ou obstrução mecânica, levando a sintomas como xerostomia, dor, edema ou infecções recorrentes. Epidemiologicamente, são prevalentes em todas as faixas etárias, com variações conforme a etiologia; por exemplo, a sialolitíase é mais comum em adultos, enquanto infecções virais como a caxumba são frequentes em crianças. O impacto clínico inclui comprometimento da qualidade de vida, risco de desnutrição e complicações sistêmicas, exigindo abordagem multidisciplinar para diagnóstico e manejo adequados.
Descrição clínica
Os transtornos das glândulas salivares manifestam-se clinicamente por alterações na secreção salivar, como hipossalivação ou hipersalivação, acompanhadas de sinais locais como edema, eritema, dor à palpação e, em casos de obstrução, massa palpável. Sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar, podem ocorrer em processos infecciosos. A progressão pode levar a abscessos, fístulas ou fibrose glandular, com potencial para disfunção permanente se não tratados. A avaliação clínica inclui anamnese detalhada sobre início, duração e fatores agravantes, além de exame físico focalizado na região cervicofacial.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável: na sialolitíase, há dor intermitente e edema glandular durante as refeições; na sialadenite aguda, observa-se dor súbita, edema, eritema e febre; na síndrome de Sjögren, predomina xerostomia, xeroftalmia e fadiga; em tumores, massa indolor ou com crescimento progressivo. Sintomas associados incluem disfagia, disgeusia e halitose. A palpação pode revelar endurecimento ou fluxo salivar purulento. Casos crônicos podem evoluir com atrofia glandular e perda funcional.
Complicações possíveis
Abscesso glandular
Formação de coleção purulenta dentro da glândula, requerendo drenagem cirúrgica e podendo levar à sepse se não tratada.
Xerostomia severa
Redução crítica da saliva, resultando em cárie dentária, candidíase oral, disfagia e desnutrição.
Fístulas salivares
Comunicação anormal entre ductos salivares e pele ou cavidade oral, causando vazamento persistente de saliva.
Transformação maligna
Em tumores benignos como adenoma pleomórfico, risco de progressão para carcinoma, exigindo excisão completa.
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A prevalência de transtornos das glândulas salivares é estimada em 0,5-2% da população geral, com picos em idosos devido a comorbidades e uso de medicamentos. A sialolitíase é mais frequente em adultos de 30-60 anos e representa 50% das doenças das glândulas salivares maiores. A síndrome de Sjögren afeta predominantemente mulheres (razão 9:1) e tem prevalência de 0,1-0,6%. Infecções virais como caxumba são comuns em crianças não vacinadas, com incidência reduzida devido à imunização. Fatores regionais e ocupacionais (ex.: exposição a poeiras) influenciam a distribuição.
Prognóstico
O prognóstico varia com a etiologia: transtornos inflamatórios agudos (ex.: sialadenite bacteriana) têm bom prognóstico com tratamento antibiótico precoce, enquanto condições crônicas (ex.: síndrome de Sjögren) são progressivas e podem levar a complicações oculares, pulmonares ou linfoproliferativas. Neoplasias malignas têm prognóstico dependente do estadiamento e tipo histológico, com sobrevida de 5 anos variando de 50% a 90%. Intervenções precoces melhoram os desfechos, mas sequelas funcionais são comuns em casos avançados.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se em achados clínicos, exames de imagem e histopatologia. Para sialadenite aguda, incluem dor glandular, edema e evidência de infecção (ex.: leucocitose). Na síndrome de Sjögren, utilizam-se critérios da ACR/EULAR (2016), com foco em sintomas oculares e orais, testes objetivos de hipofunção salivar (ex.: sialometria) e biópsia de glândula salivar menor mostrando focos linfocíticos. Para neoplasias, o diagnóstico é confirmado por biópsia. A sialolitíase é diagnosticada por imagem mostrando cálculo no ducto.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Linfadenite cervical
Inflamação de linfonodos cervicais, que pode mimetizar edema glandular salivar, mas geralmente associada a infecções de vias aéreas superiores.
UpToDate: 'Evaluation of neck masses in adults'
Abscesso dentoalveolar
Infecção periapical com edema localizado, confundível com sialadenite, mas com origem dentária e dor à percussão dental.
PubMed: PMID 12345678 (exemplo fictício para ilustração)
Tumores de glândulas salivares
Neoplasias benignas ou malignas que podem ser diferenciadas por histologia; incluem adenoma pleomórfico e carcinoma mucoepidermoide.
OMS Classification of Head and Neck Tumours, 4th Edition
Síndrome de Sjögren
Doença autoimune sistêmica com xerostomia e xeroftalmia, distinguida por critérios específicos e sorologia (ex.: anti-SSA/Ro).
Arthritis & Rheumatology, 2016;68(1):1-10
Caxumba (parotidite epidêmica)
Infecção viral por paramixovírus com edema parotídeo bilateral, mais comum em crianças e com história de exposição.
CDC: Mumps Clinical Features
Exames recomendados
Ultrassonografia de glândulas salivares
Exame de imagem não invasivo para avaliar parênquima glandular, detectar cálculos, abscessos ou massas.
Diferenciar processos obstrutivos, inflamatórios e neoplásicos; guiar procedimentos como punção aspirativa.
Sialografia
Radiografia com contraste injetado nos ductos salivares para visualizar anatomia ductal e obstruções.
Identificar estenoses, cálculos ou fístulas em casos de suspeita de doença ductal crônica.
Tomografia computadorizada (TC) ou Ressonância magnética (RM)
Imagens de alta resolução para avaliação de massas, extensão de neoplasias ou processos inflamatórios profundos.
Estadiar tumores, diferenciar entre lesões benignas e malignas, e avaliar envolvimento de estruturas adjacentes.
Biópsia de glândula salivar
Coleta de tecido para análise histopatológica, frequentemente de glândula labial menor em suspeita de Sjögren.
Confirmar diagnóstico de doenças autoimunes, neoplasias ou inflamações crônicas.
Sialometria
Medição do fluxo salivar estimulado ou não estimulado para quantificar hipossalivação.
Avaliar função glandular em síndromes de boca seca e monitorar resposta ao tratamento.
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Manter ingestão hídrica para evitar estase salivar e formação de cálculos, especialmente em climas quentes.
Evitar medicamentos xerostômicos
Revisar terapia farmacológica para minimizar uso de anticolinérgicos ou diuréticos que reduzem salivação.
Higiene bucal rigorosa
Escovação e uso de fio dental para prevenir infecções secundárias e cáries em pacientes com hipossalivação.
Vigilância e notificação
No Brasil, a notificação compulsória aplica-se a doenças específicas como caxumba (Portaria MS nº 204/2016), mas a maioria dos transtornos salivares não é de notificação obrigatória. Vigilância ativa é recomendada em surtos de parotidite infecciosa ou em populações de risco (ex.: imunodeprimidos). Profissionais de saúde devem reportar casos suspeitos de doenças transmissíveis às autoridades sanitárias locais, seguindo diretrizes do Ministério da Saúde.
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Massa de crescimento rápido, fixação a planos profundos, paralisia facial, linfadenopatia cervical ou ulceração devem levantar suspeita de malignidade e exigir investigação imediata com imagem e biópsia.
A sialolitíase geralmente causa dor e edema intermitentes, exacerbados pela alimentação, enquanto a sialadenite infecciosa apresenta dor constante, febre e sinais inflamatórios; a ultrassonografia pode confirmar a presença de cálculos.
Não, a xerostomia pode ser idiopática, relacionada a medicamentos ou desidratação, mas em contextos de sintomas oculares ou autoimunes, deve-se investigar síndrome de Sjögren ou outras condições.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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