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CID K02: Cárie dentária
K020
Cáries limitadas ao esmalte
K021
Cáries da dentina
K022
Cárie do cemento
K023
Cáries dentárias estáveis
K024
Odontoclasia
K028
Outras cáries dentárias
K029
Cárie dentária, sem outra especificação
Mais informações sobre o tema:
Definição
A cárie dentária é uma doença infecciosa e multifatorial caracterizada pela desmineralização progressiva dos tecidos dentários duros (esmalte, dentina e cemento), resultante da atividade metabólica de microrganismos cariogênicos na placa dental. A fisiopatologia envolve a produção de ácidos orgânicos (ex.: ácido lático) a partir da fermentação de carboidratos dietéticos por bactérias como Streptococcus mutans e Lactobacillus spp., levando à queda do pH abaixo do ponto crítico de desmineralização (pH ~5,5). O processo é dinâmico, com ciclos de desmineralização e remineralização, mas o desequilíbrio prolongado favorece a formação de cavidades. Epidemiologicamente, é uma das doenças mais prevalentes globalmente, afetando indivíduos de todas as idades, com picos em crianças e idosos, e está associada a significativo impacto na qualidade de vida, dor e custos com saúde bucal.
Descrição clínica
A cárie dentária manifesta-se inicialmente como manchas brancas opacas no esmalte, indicando desmineralização superficial. Com a progressão, evolui para lesões cavitadas, com perda de estrutura dental, podendo atingir a dentina e a polpa. Clinicamente, observa-se sensibilidade a estímulos térmicos, químicos ou mecânicos, dor espontânea em casos de envolvimento pulpar, e possíveis complicações como abscessos periapicais. A localização é frequente em superfícies oclusais, proximais e cervicais, com padrão variável conforme a idade e fatores de risco.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme o estágio: inicialmente assintomático com manchas brancas; em estágios avançados, há dor à mastigação, sensibilidade a doces, frio ou calor, e visibilidade de cavidades ou descoloração (marrom ou preta). Em casos graves, com envolvimento pulpar, pode haver dor espontânea, edema, e formação de fístula ou abscesso. A progressão não tratada leva à destruição dental, perda do elemento, e complicações sistêmicas em imunossuprimidos.
Complicações possíveis
Pulpite
Inflamação da polpa dental devido à progressão da cárie, causando dor intensa e espontânea.
Abscesso periapical
Infecção bacteriana no ápice radicular, resultando em dor, edema e possível disseminação sistêmica.
Perda dental
Destruição extensa da estrutura dental, necessitando extração e leading a comprometimento funcional e estético.
Celulite facial
Infecção disseminada para espaços faciais, podendo evoluir para sepse em casos graves.
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A cárie dentária é uma das doenças crônicas mais prevalentes no mundo, afetando cerca de 2,3 bilhões de pessoas com cárie permanente e 530 milhões de crianças com cárie decidua (dados OMS). No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil) mostra alta prevalência, com disparidades regionais e socioeconômicas. Fatores como acesso a fluorização, educação em saúde e dieta influenciam a distribuição.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom se detectado precocemente e tratado adequadamente, com restaurações e controle de fatores de risco. Estágios avançados com envolvimento pulpar ou perda dental têm prognóstico reservado, necessitando tratamentos mais complexos como endodontia ou próteses. A recidiva é comum sem mudanças comportamentais e acompanhamento regular.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na inspeção visual e tátil, com auxílio de explorador dental, identificando cavidades, amolecimento da dentina, ou manchas. Critérios incluem a classificação de ICDAS (International Caries Detection and Assessment System) para estadiamento, e exames radiográficos para detecção de lesões interproximais ou profundas. A anamnese deve avaliar sintomas de dor, hábitos dietéticos e de higiene.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Hipoplasia do esmalte
Defeito de desenvolvimento do esmalte, com áreas de desmineralização não cariosa, often associada a fatores sistêmicos como desnutrição ou febre na infância.
OMS. Oral health surveys: basic methods. 5th ed. Geneva: World Health Organization; 2013.
Erosão dental
Perda de tecido dental por ação química de ácidos não bacterianos (ex.: refluxo gastroesofágico, bebidas ácidas), sem envolvimento bacteriano.
ADA. Tooth erosion and its clinical management. J Am Dent Assoc. 2015;146(11):807-815.
Abrasão dental
Desgaste mecânico do esmalte por fatores externos (ex.: escovação vigorosa, hábitos parafuncionais), apresentando superfícies lisas e brilhantes.
UpToDate. Dental erosion and abrasion. Accessed 2023.
Fluorose dentária
Condição causada por excesso de flúor durante o desenvolvimento dental, resultando em manchas brancas ou marrons, mas sem cavitação progressiva.
CDC. Recommendations for using fluoride to prevent and control dental caries in the United States. MMWR Recomm Rep. 2001;50(RR-14):1-42.
Lesões de restauração defeituosa
Cárie secundária ao redor de restaurações, podendo mimetizar cárie primária, mas com história de tratamento prévio.
PubMed. Secondary caries: a literature review with case reports. Quintessence Int. 2000;31(3):165-179.
Exames recomendados
Inspeção visual e tátil
Uso de espelho bucal e explorador dental para detecção de cavidades, textura e cor.
Identificação de lesões cariosas visíveis e avaliação de sua extensão.
Radiografia periapical ou interproximal
Imagens radiográficas para visualizar cáries em áreas não visíveis clinicamente, como entre dentes.
Detecção de lesões interproximais, profundidade da cárie e envolvimento pulpar.
Transiluminação
Uso de luz fiberóptica para iluminar o dente, destacando áreas de desmineralização.
Auxiliar na detecção de cáries iniciais, especialmente em superfícies proximais.
Teste de vitalidade pulpar
Aplicação de estímulos térmicos ou elétricos para avaliar a resposta pulpar.
Determinar se a polpa está viva, inflamada ou necrosada em casos de cárie profunda.
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Escovação com creme dental fluoretado pelo menos duas vezes ao dia e uso de fio dental.
Aplicação de flúor
Uso de verniz fluoretado em consultório e cremes dentais com flúor para fortalecimento do esmalte.
Selantes de fissuras
Aplicação de resina em superfícies oclusais de molares e pré-molares para prevenir acúmulo de placa.
Controle dietético
Redução do consumo de açúcares e bebidas ácidas, preferindo alimentos não cariogênicos.
Vigilância e notificação
No Brasil, a cárie dentária é monitorada por meio de inquéritos epidemiológicos como o SB Brasil, coordenado pelo Ministério da Saúde. Não é de notificação compulsória, mas é alvo de programas de saúde bucal (ex.: Brasil Sorridente). A vigilância inclui avaliações de índices CPO-D (dentes cariados, perdidos e obturados) para planejamento de políticas públicas.
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Não, a cárie não é contagiosa no sentido de transmissão direta, mas as bactérias cariogênicas podem ser transmitidas entre indivíduos, especialmente de cuidadores para crianças, através da saliva.
O flúor promove a remineralização do esmalte, inibe a desmineralização e reduz a atividade bacteriana, sendo fundamental na prevenção e controle da cárie.
Sim, em casos avançados, a cárie pode evoluir para infecções como abscessos, celulite facial ou endocardite bacteriana, especialmente em pacientes imunocomprometidos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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