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CID J90: Derrame pleural não classificado em outra parte
J90
Derrame pleural não classificado em outra parte
Mais informações sobre o tema:
Definição
O derrame pleural (J90) é definido como o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, resultante de um desequilíbrio entre a formação e a reabsorção do fluido pleural. Este código é utilizado quando o derrame não se enquadra em categorias específicas, como derrames parapneumônicos, tuberculosos, malignos ou associados a insuficiência cardíaca, sendo frequentemente aplicado a casos idiopáticos, de etiologia indeterminada ou não especificada. A fisiopatologia envolve mecanismos como aumento da pressão hidrostática capilar (ex.: insuficiência cardíaca), redução da pressão oncótica plasmática (ex.: hipoalbuminemia), aumento da permeabilidade capilar (ex.: inflamação) ou obstrução linfática (ex.: neoplasias), levando a um acúmulo de líquido transudativo ou exsudativo. O impacto clínico varia desde assintomático em pequenos derrames até dispneia significativa, dor torácica e comprometimento respiratório em volumes maiores, com prevalência estimada em 0,3-0,5% da população geral, sendo mais comum em idosos e associado a múltiplas comorbidades.
Descrição clínica
O derrame pleural caracteriza-se pelo acúmulo de líquido no espaço pleural, podendo ser unilateral ou bilateral, com volume variável de poucos mililitros a vários litros. Clinicamente, manifesta-se por dispneia (especialmente em decúbito lateral), dor torácica pleurítica (se houver inflamação), tosse seca e sinais de hipoventilação na ausculta (diminuição do murmúrio vesicular, macicez à percussão). Em casos crônicos, pode haver perda ponderal e fadiga. A etiologia subjacente determina características adicionais, como febre em processos infecciosos ou edema periférico em insuficiência cardíaca.
Quadro clínico
Sinais e sintomas incluem dispneia progressiva (agravada pelo decúbito), dor torácica pleurítica (se pleurite presente), tosse não produtiva e, em casos graves, ortopneia. Sinais físicos: diminuição do frêmito tóraco-vocal, macicez à percussão, diminuição ou abolição do murmúrio vesicular na base afetada, e desvio traqueal contralateral em derrames maciços. Sintomas sistêmicos (febre, sudorese, perda de peso) sugerem etiologia infecciosa ou neoplásica. Derrames pequenos podem ser assintomáticos e detectados incidentalmente em imagem.
Complicações possíveis
Atelectasia pulmonar
Colapso do parênquima pulmonar devido à compressão pelo derrame, levando a hipoxemia e aumento do risco de infecção.
Emprema
Infecção do espaço pleural com formação de pus, requerendo drenagem e antibioticoterapia agressiva.
Fibrose pleural
Espessamento e rigidez da pleura após resolução de derrames inflamatórios crônicos, podendo causar restrição ventilatória.
Insuficiência respiratória
Comprometimento grave da troca gasosa em derrames maciços ou bilaterais, necessitando de suporte ventilatório.
Pneumotórax iatrogênico
Complicação de procedimentos como toracocentese ou biopsia pleural, requerendo observação ou drenagem se sintomático.
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A incidência anual de derrame pleural é estimada em 1-1,5 milhões de casos nos EUA, com prevalência aumentada em idosos (>65 anos) e pacientes com comorbidades como insuficiência cardíaca, cirrose ou neoplasias. No Brasil, dados do DATASUS indicam que derrames pleurais representam cerca de 0,2% das internações hospitalares. Causas comuns incluem insuficiência cardíaca (40%), pneumonia (20%), neoplasias (15%) e embolia pulmonar (10%). Derrames não classificados (J90) correspondem a aproximadamente 5-10% dos casos, muitas vezes de etiologia indeterminada.
Prognóstico
O prognóstico do derrame pleural depende da etiologia subjacente. Derrames transudativos (ex.: por insuficiência cardíaca) têm bom prognóstico com tratamento da causa. Derrames exsudativos malignos estão associados a sobrevida mediana de 3-12 meses, dependendo do tumor primário. Derrames idiopáticos ou benignos geralmente têm resolução espontânea ou com terapia conservadora, mas recidivas são comuns. Complicações como empiema ou fibrose podem levar a morbidade prolongada. A avaliação precoce e manejo adequado melhoram os desfechos.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, radiológicos e laboratoriais: 1) Suspeita clínica com achados físicos sugestivos; 2) Confirmação por imagem (radiografia de tórax em posições ortostática e decúbito lateral, ultrassonografia torácica ou TC de tórax); 3) Análise do líquido pleural por toracocentese, classificando como transudato ou exsudato pelos critérios de Light (proteína líquido/soro >0,5, LDH líquido/soro >0,6, LDH líquido >2/3 do limite superior normal do soro); 4) Investigação etiológica com exames adicionais (ex.: citologia, culturas, marcadores tumorais). Derrames não classificáveis em outras categorias CID-10 são codificados como J90.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Derrame pleural parapneumônico (J86)
Acúmulo de líquido pleural associado a pneumonia bacteriana, frequentemente exsudativo e com potencial para empiema. Difere por etiologia infecciosa definida e requer drenagem se complicado.
Diretrizes Brasileiras de Doenças Pleurais, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, 2018.
Derrame pleural maligno (J91.0)
Derrame pleural devido a neoplasias primárias ou metastáticas, com citologia positiva para células malignas. Apresenta-se como exsudato, muitas vezes hemorrágico.
UpToDate: 'Diagnóstico e manejo do derrame pleural maligno', 2023.
Derrame pleural na insuficiência cardíaca (I50.0)
Derrame transudativo bilateral, associado a sinais de congestão sistêmica (edema, hepatomegalia). Melhora com tratamento da insuficiência cardíaca.
Guidelines ESC para insuficiência cardíaca, 2021.
Emprema pleural (J86)
Coleção purulenta no espaço pleural, geralmente complicação de pneumonia ou trauma. Requer drenagem cirúrgica e antibioticoterapia prolongada.
OMS: 'Controle de infecções respiratórias agudas', 2022.
Derrame pleural tuberculoso (A15.6)
Derrame exsudativo linfocítico, associado à infecção por Mycobacterium tuberculosis. Diagnóstico por cultura ou PCR do líquido pleural.
Diretrizes Brasileiras para Tuberculose, Ministério da Saúde, 2021.
Exames recomendados
Radiografia de tórax (PA e perfil)
Exame inicial para detecção de derrame, mostrando apagamento do ângulo costofrênico e desvio mediastinal em grandes volumes.
Confirmar presença e estimar volume do derrame.
Ultrassonografia torácica
Método de imagem sensível para guiar toracocentese, diferenciar derrame de espessamento pleural e detectar septações.
Orientar procedimentos e avaliar características do líquido.
Toracocentese diagnóstica
Coleta de líquido pleural para análise bioquímica (proteína, LDH, glicose, pH), citológica, microbiológica e marcadores tumorais.
Classificar como transudato/exsudato e investigar etiologia.
Tomografia computadorizada de tórax
Avaliação detalhada do parênquima pulmonar, pleura e mediastino, útil para identificar causas subjacentes como neoplasias.
Identificar patologias associadas e planejar tratamento.
Biopsia pleural (por agulha ou videotoracoscopia)
Obtenção de tecido pleural para histopatologia, indicada em derrames exsudativos de etiologia indeterminada após toracocentese.
Diagnóstico definitivo em casos suspeitos de malignidade ou tuberculose.
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Manejo adequado de insuficiência cardíaca, cirrose ou síndrome nefrótica para prevenir derrames transudativos.
Abandono do tabagismo
Reduz o risco de neoplasias pulmonares e DPOC, causas comuns de derrame pleural exsudativo.
Diagnóstico precoce de infecções
Tratamento oportuno de pneumonia e tuberculose para evitar complicações pleurais como empiema.
Monitorização em pacientes oncológicos
Avaliação regular para detecção precoce de metástases pleurais em neoplasias com alto risco de derrame maligno.
Vigilância e notificação
O derrame pleural não é uma doença de notificação compulsória nacional no Brasil, exceto quando associado a condições específicas como tuberculose (notificação obrigatória) ou surtos infecciosos. A vigilância é realizada por meio de sistemas de informação em saúde (ex.: SIH-SUS) para monitorar tendências hospitalares. Em serviços de saúde, recomenda-se registro detalhado da etiologia e manejo para fins epidemiológicos locais. Em casos de suspeita de etiologia infecciosa emergente, notificação às autoridades sanitárias pode ser indicada.
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Transudatos resultam de desequilíbrios hemodinâmicos (ex.: insuficiência cardíaca) e têm baixo teor proteico (<3 g/dL) e LDH; exsudatos decorrem de aumento da permeabilidade capilar por inflamação ou neoplasia, com alto teor proteico (>3 g/dL) e LDH elevado, classificados pelos critérios de Light.
Indicada para diagnóstico em derrames sintomáticos, de etiologia desconhecida ou volume >10 mm na radiografia de decúbito lateral, e para alívio terapêutico em derrames maciços causando dispneia. Contraindicada em distúrbios de coagulação não corrigidos ou derrames muito pequenos.
O manejo inclui toracocentese repetida para alívio sintomático, pleurodese química (ex.: com talco) para prevenir reacumulo, ou colocação de cateter pleural tunelizado para drenagem ambulatorial. A escolha depende do prognóstico do paciente e preferências.
Análise do líquido pleural (bioquímica, citologia, culturas), radiografia de tórax, ultrassonografia torácica e, se necessário, TC de tórax e biopsia pleural. A história clínica e exame físico direcionam a investigação.
Sim, doenças como insuficiência cardíaca, cirrose, síndrome nefrótica, lúpus e neoplasias metastáticas podem apresentar derrame pleural como manifestação, requerendo avaliação clínica abrangente para diagnóstico da causa subjacente.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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