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CID H81: Transtornos da função vestibular
H810
Doença de Ménière
H811
Vertigem paroxística benigna
H812
Neuronite vestibular
H813
Outras vertigens periféricas
H814
Vertigem de origem central
H818
Outros transtornos da função vestibular
H819
Transtornos não especificados da função vestibular
Mais informações sobre o tema:
Definição
Os transtornos da função vestibular referem-se a um grupo de condições que afetam o sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio, orientação espacial e controle postural. Este sistema inclui estruturas do ouvido interno (labirinto vestibular) e vias neurológicas centrais. As disfunções podem resultar de patologias periféricas (como labirintite ou neuronite vestibular) ou centrais (como envolvimento do tronco encefálico), levando a sintomas como vertigem, tontura, desequilíbrio e náuseas. Esses transtornos têm impacto significativo na qualidade de vida, aumentando o risco de quedas e comprometendo atividades diárias. Epidemiologicamente, são comuns, com prevalência aumentada em idosos e associação com comorbidades como hipertensão e diabetes, conforme diretrizes da OMS e sociedades de otoneurologia.
Descrição clínica
Os transtornos da função vestibular manifestam-se clinicamente por vertigem rotatória ou não rotatória, tontura, instabilidade postural, náuseas, vômitos, nistagmo e dificuldades de marcha. A vertigem pode ser paroxística ou contínua, agravada por movimentos da cabeça. Em casos crônicos, observa-se compensação vestibular, com sintomas menos intensos, mas persistência do desequilíbrio. A avaliação inclui história clínica detalhada para caracterizar o início, duração e fatores desencadeantes, além de exame físico com testes vestibulares (e.g., teste de Dix-Hallpike). A apresentação varia conforme a etiologia, sendo essencial diferenciar entre causas periféricas e centrais para orientar o manejo.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui vertigem aguda ou crônica, frequentemente associada a náuseas, vômitos, sudorese, palidez e ansiedade. Sintomas auditivos como hipoacusia, zumbido e plenitude auricular podem estar presentes em condições como doença de Ménière. O nistagmo é comum, sendo horizontal-torsional em causas periféricas e puramente vertical ou horizontal em centrais. Pacientes relatam instabilidade, tendência a cair para um lado e piora dos sintomas com movimentos cefálicos. Em crises agudas, pode haver incapacitação temporária, enquanto formas crônicas levam a tontura persistente e evitamento de atividades. A anamnese deve investigar fatores desencadeantes, duração dos episódios e história de comorbidades.
Complicações possíveis
Quedas e traumatismos
Instabilidade postural aumenta o risco de quedas, fraturas e outras lesões, especialmente em idosos.
Restrição de atividades
Evitamento de movimentos ou situações que desencadeiam sintomas, levando a isolamento social e redução da qualidade de vida.
Ansiedade e depressão
Sintomas vestibulares crônicos podem desencadear ou exacerbar transtornos de ansiedade e humor.
Comprometimento ocupacional
Dificuldade em realizar tarefas que exigem equilíbrio ou concentração, impactando a capacidade laboral.
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Transtornos vestibulares são prevalentes, afetando aproximadamente 5-10% da população geral, com aumento da incidência com a idade. A VPPB é a causa mais comum de vertigem periférica, com incidência anual de 10-60 por 100.000 pessoas. A doença de Ménière tem prevalência de 50-200 por 100.000, com pico entre 40-60 anos. Mulheres são mais afetadas que homens em algumas condições, como VPPB. Fatores de risco incluem história familiar, trauma craniano, infecções e exposição a ototóxicos. No Brasil, dados do DATASUS indicam alta frequência de atendimentos por vertigem em serviços de urgência, refletindo o impacto na saúde pública.
Prognóstico
O prognóstico varia conforme a etiologia e adesão ao tratamento. Condições como VPPB têm excelente prognóstico com manobras de reposicionamento, com resolução em >90% dos casos. Neuronite vestibular geralmente melhora em semanas a meses devido a compensação central, mas pode deixar sequelas de desequilíbrio. Doença de Ménière é crônica e progressiva, com controle sintomático possível, mas risco de perda auditiva permanente. Intervenções precoces e reabilitação vestibular melhoram os desfechos, reduzindo incapacidade. Fatores como idade avançada, comorbidades e não adesão ao tratamento podem piorar o prognóstico.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos baseiam-se em diretrizes como as da Barany Society e da American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery. Para VPPB, o diagnóstico é confirmado pelo teste de Dix-Hallpike positivo, com nistagmo torsional geotrópico. Na doença de Ménière, requer-se pelo menos dois episódios de vertigem espontânea com duração de 20 minutos a 12 horas, associados a perda auditiva flutuante, zumbido ou plenitude auricular. Para neuronite vestibular, critérios incluem vertigem aguda sustentada com nistagmo espontâneo, sem sintomas auditivos ou neurológicos centrais. O diagnóstico diferencial entre periférico e central é suportado por exames como a head impulse test (HIT), onde um HIT normal sugere causa central.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Acidente vascular encefálico (AVE) vestibular
AVE envolvendo tronco encefálico ou cerebelo pode mimetizar vertigem periférica, mas geralmente apresenta sinais neurológicos focais como disartria ou ataxia.
Diretrizes da American Heart Association/American Stroke Association
Enxaqueca vestibular
Vertigem associada a cefaleia migranosa ou aura, com episódios recorrentes e história pessoal ou familiar de enxaqueca.
Critérios da International Classification of Headache Disorders (ICHD-3)
Hipotensão ortostática
Tontura não vertiginosa ao levantar, relacionada a queda da pressão arterial, sem nistagmo ou sintomas vestibulares típicos.
Diretrizes da European Society of Cardiology
Ansiedade e transtornos psiquiátricos
Tontura crônica sem base orgânica, frequentemente associada a ataques de pânico ou fobias, exigindo avaliação psicológica.
DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais)
Ototoxicidade medicamentosa
Vertigem ou desequilíbrio induzidos por drogas como aminoglicosídeos ou diuréticos de alça, com história de uso recente.
Diretrizes da American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery
Exames recomendados
Teste de Dix-Hallpike
Maneobra para diagnóstico de VPPB, observando nistagmo e vertigem ao posicionar a cabeça.
Confirmar vertigem posicional paroxística benigna e localizar o canal semicircular afetado.
Videonistagmografia (VNG)
Registro do nistagmo ocular por câmera de vídeo, avaliando funções vestibular e oculomotoras.
Diferenciar entre lesões vestibulares periféricas e centrais, e quantificar a assimetria vestibular.
Teste de impulso cefálico (HIT)
Avaliação do reflexo vestíbulo-ocular por movimentos rápidos da cabeça, com observação de correção sacádica.
Identificar deficiência vestibular unilateral; HIT anormal sugere lesão periférica.
Audiometria
Teste de audição para avaliar perda auditiva condutiva ou sensorioneural.
Detectar envolvimento coclear em condições como doença de Ménière ou schwannoma vestibular.
Ressonância magnética de crânio
Imagem para visualização de estruturas do sistema nervoso central e ouvido interno.
Excluir causas centrais como AVE, tumores (e.g., schwannoma) ou esclerose múltipla.
Aprimore sua prática clínica
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Monitorar uso de medicamentos como aminoglicosídeos e limitar exposição a ruídos intensos.
Controle de fatores de risco cardiovascular
Gerenciar hipertensão, diabetes e dislipidemia para reduzir risco de AVE vestibular.
Prática de exercícios de equilíbrio
Atividades como tai chi chuan para fortalecer mecanismos posturais e prevenir quedas.
Vigilância e notificação
No contexto brasileiro, transtornos vestibulares não são de notificação compulsória, mas a vigilância é realizada por meio de sistemas como o SISVAN (para agravos nutricionais relacionados) e registros em prontuários eletrônicos. A ANVISA monitora eventos adversos a medicamentos ototóxicos. Profissionais de saúde devem notificar surtos de labirintite infecciosa se houver suspeita de causa transmitida, conforme portarias do Ministério da Saúde. A vigilância epidemiológica foca em fatores de risco e complicações, como quedas em idosos, com ações de prevenção integradas à Atenção Primária.
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Vertigem periférica origina-se do ouvido interno ou nervo vestibular, com nistagmo horizontal-torsional, frequentemente associada a sintomas auditivos e melhora com fixação ocular. Vertigem central decorre de lesões no SNC, com nistagmo puramente vertical ou horizontal, sinais neurológicos focais e piora com fixação. O teste HIT ajuda na diferenciação.
Sim, a reabilitação vestibular é benéfica para a maioria dos casos, promovendo compensação central e melhora do equilíbrio. É particularmente eficaz em condições crônicas como sequelas de neuronite vestibular ou VPPB persistente, mas pode ser adaptada para diversas etiologias, com resultados dependentes da adesão e gravidade.
Devem-se evitar ototóxicos como aminoglicosídeos, diuréticos de alça e altas doses de AAS, que podem agravar sintomas ou causar dano vestibular. Sedativos prolongados podem prejudicar a compensação central; use com cautela e sob supervisão médica.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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