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CID H71: Colesteatoma do ouvido médio

H71
Colesteatoma do ouvido médio

Mais informações sobre o tema:

Definição

O colesteatoma do ouvido médio é uma lesão expansiva, não neoplásica, caracterizada pela presença de epitélio escamoso queratinizado em localização anômala dentro da cavidade timpânica ou mastoide. Trata-se de uma condição otológica crônica, com potencial destrutivo para as estruturas do ouvido médio e interno, incluindo ossículos, cápsula ótica e nervo facial, devido à sua capacidade de erosão óssea por mecanismos inflamatórios e enzimáticos. A fisiopatologia envolve a migração de epitélio escamoso através de uma perfuração timpânica retraída (colesteatoma adquirido primário) ou por metaplasia epitelial em resposta a inflamação crônica (colesteatoma adquirido secundário), com acúmulo progressivo de queratina e detritos celulares. Epidemiologicamente, é uma causa significativa de perda auditiva condutiva e complicações intracranianas em pacientes com otite média crônica, com incidência estimada em 3-12 casos por 100.000 habitantes/ano em populações ocidentais, afetando predominantemente adultos jovens e de meia-idade, sem predileção clara por gênero. O impacto clínico reside no seu caráter insidioso, com risco de surdez, labirintite, meningite e abscesso cerebral se não tratado adequadamente.

Descrição clínica

O colesteatoma do ouvido médio manifesta-se como uma massa epitelial queratinizada, localizada na caixa timpânica, antro ou células mastoideas, com comportamento localmente invasivo. Clinicamente, apresenta-se como otorreia crônica, fétida e purulenta, associada a perda auditiva condutiva progressiva, frequentemente unilateral. A otoscopia revela perfuração timpânica marginal ou atical, com acúmulo de debris esbranquiçados ou perolados (escamas de queratina), podendo haver retração bolsiforme da membrana timpânica. A progressão da doença pode levar à erosão ossicular (especialmente da bigorna e estribo), fístula labiríntica, paralisia facial periférica e extensão para fossa craniana média ou posterior, com risco de complicações neurológicas graves.

Quadro clínico

O quadro clínico é caracterizado por otorreia crônica, fétida e purulenta, intermitente ou contínua, associada a hipoacusia condutiva progressiva unilateral. Sintomas adicionais incluem otalgia leve a moderada, plenitude auricular, zumbido e, em casos avançados, vertigem (sugerindo fístula labiríntica) ou paralisia facial periférica. A otoscopia mostra perfuração timpânica atical ou marginal, com massa esbranquiçada ou perolada visível, podendo haver pólipos ou granulação tecidual. Em crianças, pode haver história de otite média recorrente. Sinais de alarme para complicações incluem cefaleia intensa, febre, meningismo ou déficits neurológicos focais, indicando extensão intracraniana.

Complicações possíveis

Perda auditiva condutiva ou mista

Resultante de erosão ossicular ou toxicidade coclear, podendo ser irreversível.

Labirintite ou fístula labiríntica

Erosão da cápsula ótica levando a vertigem, nistagmo e perda auditiva sensorioneural.

Paralisia facial periférica

Compressão ou erosão do nervo facial no canal de Fallopio, com déficit motor unilateral.

Mastoidite aguda ou crônica

Extensão do processo inflamatório para células mastoideas, com risco de abscesso.

Complicações intracranianas

Incluem meningite, abscesso cerebral ou epidural, e trombose do seio sigmoide, com alta morbimortalidade.

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Epidemiologia

O colesteatoma do ouvido médio tem incidência estimada em 3-12 casos por 100.000 habitantes/ano em países desenvolvidos, sendo mais comum em regiões com alta prevalência de otite média crônica. Afeta predominantemente adultos entre 20-40 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade, incluindo crianças com história de otite média recorrente. Não há predileção clara por gênero. Fatores de risco incluem disfunção da tuba auditiva, otite média crônica supurativa, perfurações timpânicas e condições socioeconômicas desfavoráveis. No Brasil, é uma causa frequente de consulta otológica, com dados limitados de vigilância.

Prognóstico

O prognóstico do colesteatoma depende da extensão da doença, presença de complicações e adequação do tratamento cirúrgico. Com tratamento cirúrgico adequado (timpanomastoidectomia), a taxa de controle local é de 70-90%, mas há risco de recidiva (10-30%) devido à dificuldade de erradicação completa do epitélio. Complicações como perda auditiva severa ou paralisia facial podem persistir mesmo após cirurgia. O prognóstico é reservado em casos com extensão intracraniana, exigindo abordagem multidisciplinar. Seguimento otológico regular é essencial para detecção precoce de recidivas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.

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