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CID H60: Otite externa
H600
Abscesso do ouvido externo
H601
Celulite do ouvido externo
H602
Otite externa maligna
H603
Outras otites externas infecciosas
H604
Colesteatoma do ouvido externo
H605
Otite externa aguda não-infecciosa
H608
Outras otites externas
H609
Otite externa não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A otite externa é uma condição inflamatória aguda ou crônica que afeta o pavilhão auricular, o meato acústico externo e/ou a membrana timpânica. Caracteriza-se por inflamação da pele do conduto auditivo externo, frequentemente associada a infecção bacteriana, fúngica ou irritação química. A fisiopatologia envolve a ruptura da barreira cutânea do conduto, levando a edema, eritema e dor intensa, com possível obstrução do lúmen. Epidemiologicamente, é comum em climas quentes e úmidos, com maior incidência em nadadores e indivíduos com trauma local, representando uma causa significativa de morbidade em consultórios de otorrinolaringologia e atenção primária.
Descrição clínica
A otite externa manifesta-se clinicamente com otalgia intensa, prurido, eritema e edema do conduto auditivo externo, frequentemente acompanhados de otorreia serosa, purulenta ou sanguinolenta. A dor é exacerbada pela manipulação do pavilhão auricular ou pressão no trago. Em casos graves, pode haver celulite periauricular, linfadenopatia regional e perda auditiva condutiva devido ao edema e debris no conduto. A forma necrotizante (otite externa maligna) é uma complicação rara mas grave, mais comum em idosos diabéticos ou imunossuprimidos, com risco de osteomielite da base do crânio.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui início agudo de otalgia intensa, muitas vezes unilateral, pior com a movimentação da mandíbula ou tração do pavilhão auricular. Sintomas associados são prurido, sensação de plenitude auricular, otorreia (clara, purulenta ou sanguinolenta) e hipoacusia condutiva. Sinais físicos incluem eritema e edema do conduto auditivo, presença de debris ou secreção, e dor à palpação do trago. Febre e mal-estar sistêmico são incomuns, exceto em complicações. Na otite externa maligna, há dor profunda e persistente, paralisia de nervos cranianos e evidências de osteomielite.
Complicações possíveis
Celulite periauricular
Extensão da infecção para tecidos moles adjacentes ao pavilhão auricular, com eritema, edema e dor aumentados.
Estreitamento (estenose) do conduto auditivo
Fibrose e estreitamento crônico do conduto devido à inflamação recorrente, podendo causar perda auditiva persistente.
Otite externa maligna
Infecção invasiva que se estende à base do crânio, com risco de osteomielite, paralisia de nervos cranianos e mortalidade se não tratada.
Perfuração da membrana timpânica
Ruptura da membrana devido à inflamação severa ou trauma, podendo levar à otite média ou perda auditiva.
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A otite externa é uma condição comum, com incidência anual estimada em 4-10 casos por 1000 pessoas em regiões temperadas, podendo ser maior em áreas tropicais. Afeta todas as idades, com pico em crianças e adultos jovens, e é mais frequente no verão devido ao aumento da natação. Fatores de risco incluem umidade excessiva, trauma local, dermatites prévias e imunossupressão. No Brasil, é uma das principais causas de consulta em otorrinolaringologia, especialmente em regiões costeiras.
Prognóstico
O prognóstico da otite externa aguda não complicada é geralmente excelente, com resolução dos sintomas em 7-10 dias com tratamento adequado. Casos crônicos ou recorrentes podem exigir manejo prolongado. A otite externa maligna tem prognóstico reservado, com mortalidade de até 20% se não tratada agressivamente, mas a terapia antimicrobiana precoce melhora significativamente os desfechos.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é baseado na história clínica e exame otoscópico, que revela eritema, edema e/ou secreção no conduto auditivo externo. Critérios incluem: (1) otalgia, prurido ou plenitude auricular; (2) sinais inflamatórios no exame otoscópico (eritema, edema, otorreia); (3) exclusão de otite média ou outras causas. Em casos suspeitos de complicações, culturas microbiológicas ou imagem (ex.: TC de ossos temporais) podem ser necessárias. Diretrizes da Academia Americana de Otorrinolaringologia reforçam a importância da avaliação clínica para diferenciar formas simples e complicadas.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Otite média aguda
Inflamação da orelha média, com dor e otorreia, mas geralmente associada a efusão atrás da membrana timpânica intacta ou perfurada, sem dor ao tração do pavilhão.
UpToDate: 'Acute otitis media in children'
Dermatite de contato
Reação inflamatória da pele do conduto auditivo a alérgenos ou irritantes, com prurido proeminente e eritema, mas menos dor e sem infecção bacteriana secundária comum.
PubMed: 'Contact dermatitis of the external ear'
Furunculose do conduto auditivo
Infecção localizada de folículos pilosos no terço externo do conduto, com nódulo doloroso e eritematoso, muitas vezes por S. aureus, sem envolvimento difuso.
Micromedex: 'Furunculosis of external auditory canal'
Otomicose
Infecção fúngica do conduto auditivo, com prurido intenso, debris esbranquiçados ou negros, e menos dor, comum em climas úmidos ou após uso prolongado de antibióticos tópicos.
OMS: 'Fungal infections of the ear'
Necrose maligna (otite externa maligna)
Infecção invasiva por P. aeruginosa, com dor intensa, otorreia purulenta, e envolvimento de tecidos profundos, mais comum em diabéticos ou imunossuprimidos.
Diretrizes Brasileiras de Otorrinolaringologia
Exames recomendados
Otoscopia
Exame visual do conduto auditivo externo e membrana timpânica para identificar eritema, edema, secreção ou debris.
Confirmar o diagnóstico clínico e avaliar a extensão da inflamação.
Cultura e antibiograma da secreção
Coleta de amostra de otorreia para identificação do patógeno e sensibilidade antimicrobiana.
Guiar terapia antimicrobiana em casos recalcitrantes, recorrentes ou suspeita de patógenos resistentes.
Audiometria
Teste de audição para avaliar perda auditiva condutiva devido à obstrução do conduto.
Documentar o comprometimento auditivo e monitorar a resposta ao tratamento.
Tomografia computadorizada (TC) de ossos temporais
Exame de imagem para avaliar envolvimento ósseo ou tecidos profundos.
Diagnosticar complicações como otite externa maligna ou osteomielite.
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Secar as orelhas com toalha ou secador em temperatura baixa após exposição à água.
Uso de tampões auriculares
Utilizar tampões durante natação ou banho para prevenir entrada de água.
Evitar trauma local
Não inserir objetos no conduto auditivo e tratar dermatites subjacentes.
Vigilância e notificação
A otite externa não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, exceto em surtos associados a piscinas ou águas recreacionais, onde a vigilância sanitária pode exigir notificação. Medidas de controle incluem educação sobre higiene auricular e monitoramento de qualidade da água em ambientes públicos. Em casos de otite externa maligna, o acompanhamento deve ser rigoroso devido ao potencial de complicações graves.
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Não, a otite externa não é considerada contagiosa, pois resulta de fatores locais como umidade e trauma, não de transmissão direta entre pessoas.
O tratamento tópico geralmente dura 7-10 dias, mas casos graves ou crônicos podem exigir terapia prolongada; a melhora dos sintomas costuma ocorrer em 2-3 dias.
Recomenda-se evitar natação até a resolução completa para prevenir recidivas, pois a umidade pode agravar a condição.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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