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CID H55: Nistagmo e outros movimentos irregulares do olho
H55
Nistagmo e outros movimentos irregulares do olho
Mais informações sobre o tema:
Definição
O nistagmo é um distúrbio caracterizado por movimentos oculares involuntários, rítmicos e oscilatórios, que podem ser horizontais, verticais, rotatórios ou uma combinação desses. Esses movimentos resultam de uma disfunção nos sistemas de controle do olhar, envolvendo vias visuais, vestibulares e cerebelares. O nistagmo pode ser classificado como congênito (presente desde o nascimento ou primeiros meses de vida) ou adquirido (secundário a condições neurológicas, vestibulares ou oculares), com implicações significativas na acuidade visual, equilíbrio e qualidade de vida. A fisiopatologia envolve anormalidades no circuito neural que integra informações visuais, proprioceptivas e vestibulares para estabilizar a imagem na retina, frequentemente associada a oscilações patológicas no sistema oculomotor. Epidemiologicamente, o nistagmo congênito tem prevalência estimada em 1:1.000 a 1:6.500 nascidos vivos, enquanto formas adquiridas são mais comuns em idosos ou pacientes com doenças neurológicas, representando um desafio diagnóstico e terapêutico na prática clínica.
Descrição clínica
O nistagmo manifesta-se como oscilações oculares involuntárias, tipicamente bilaterais e conjugadas, que podem ser observadas em repouso ou desencadeadas por mudanças no olhar. Os movimentos são classificados de acordo com a direção (horizontal, vertical, rotatório), padrão (pendular, com fases lentas e rápidas) e amplitude (fino ou grosseiro). Sintomas associados incluem visão turva, oscilopsia (sensação de movimento do ambiente), fotofobia, torcicolo (posição anormal da cabeça para melhorar a visão), vertigem e ataxia. A acuidade visual é frequentemente reduzida, especialmente no nistagmo congênito, devido à instabilidade da fixação. O exame neurológico pode revelar sinais de disfunção vestibular ou cerebelar, como desequilíbrio e dismetria ocular.
Quadro clínico
Pacientes com nistagmo apresentam queixas de visão embaçada, dificuldade de leitura, sensação de instabilidade ou vertigem, e cansaço visual. Ao exame, observam-se movimentos oculares rítmicos, que podem ser exacerbados pela tentativa de fixação ou por mudanças na posição da cabeça. No nistagmo congênito, há frequentemente um ponto nulo (posição do olhar onde o nistagmo é mínimo) e torcicolo compensatório. No nistagmo adquirido, sintomas vestibulares como náuseas, vômitos e nistagmo posicional são comuns. A acuidade visual varia, podendo ser normal em formas leves ou severamente comprometida em casos associados a patologias oculares subjacentes.
Complicações possíveis
Baixa acuidade visual
Redução permanente da visão devido à instabilidade da fixação, especialmente em nistagmo congênito não tratado, podendo levar a ambliopia.
Oscilopsia
Sensação de movimento do ambiente, causando vertigem, náuseas e dificuldades na marcha, com impacto significativo na qualidade de vida.
Torcicolo compensatório
Postura anormal da cabeça para posicionar os olhos no ponto nulo, resultando em contraturas musculares cervicais e dor crônica.
Déficits psicossociais
Ansiedade, depressão e isolamento social devido a limitações visuais e estigma associado aos movimentos oculares evidentes.
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A prevalência global do nistagmo é estimada em 0,1% a 0,2% da população, com formas congênitas representando a maioria dos casos. O nistagmo infantil idiopático tem incidência de 1:1.000 a 1:6.500 nascidos vivos, com predomínio masculino (razão 2:1) em formas ligadas ao cromossomo X. Nistagmo adquirido é mais frequente em adultos e idosos, associado a condições como doença vestibular (20-30% dos casos) ou neurológicas (ex.: esclerose múltipla). Fatores de risco incluem história familiar, albinismo, prematuridade e doenças autoimunes. Dados brasileiros são escassos, mas seguem tendências internacionais.
Prognóstico
O prognóstico varia conforme a etiologia. Nistagmo congênito tende a ser estável ao longo da vida, com acuidade visual que pode melhorar com intervenções ópticas ou cirúrgicas, mas raramente resolve completamente. Nistagmo adquirido tem prognóstico dependente da doença de base; formas vestibulares periféricas podem regredir com tratamento, enquanto causas centrais (ex.: doenças neurodegenerativas) costumam ser progressivas. Intervenções precoces podem mitigar complicações visuais e melhorar a funcionalidade, mas a cura é incomum, exigindo manejo multidisciplinar contínuo.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos movimentos oculares durante o exame oftalmológico e neurológico. Critérios incluem: (1) Presença de movimentos oculares involuntários, rítmicos e conjugados; (2) Caracterização do padrão (pendular vs. jerk), direção e amplitude; (3) Avaliação da acuidade visual e refração; (4) Testes de posicionamento (ex.: manobra de Dix-Hallpike) para nistagmo posicional; (5) Exclusão de causas secundárias por meio de história clínica e exames complementares. O nistagmo é classificado conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) sob H55, com subcategorias para especificações etiológicas quando aplicável.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Opsoclonus
Movimentos oculares sacádicos involuntários, multidirecionais e desorganizados, frequentemente associados a paraneoplasias (ex.: neuroblastoma) ou encefalite. Diferencia-se do nistagmo pela ausência de ritmicidade e padrão caótico.
OMS - Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10)
Tremor ocular
Oscilações finas e de alta frequência, geralmente associadas a fadiga ou estresse, sem componente rítmico definido. Comum em condições como miastenia gravis ou tireotoxicose.
UpToDate - Approach to the patient with nystagmus
Movimentos oculares sacádicos intrusivos
Sacadas involuntárias que interrompem a fixação, como square wave jerks ou macro-sacadas, observadas em doenças cerebelares ou degenerativas. Distinguem-se pela natureza não contínua.
PubMed - Neuro-ophthalmology of movement disorders
Estrabismo com movimentos compensatórios
Desalinhamento ocular que pode simular nistagmo devido a movimentos de ajuste, mas sem o padrão rítmico característico. Avaliação ortóptica é crucial para diferenciação.
Diretrizes Brasileiras de Oftalmologia
Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB)
Caracterizada por nistagmo posicional de curta duração e vertigem, com origem periférica vestibular. Diferencia-se pelo desencadeamento específico por mudanças de posição da cabeça.
ANVISA - Bulário Eletrônico
Exames recomendados
Eletronistagmografia (ENG) ou videonistagmografia (VNG)
Registra os movimentos oculares para caracterizar o padrão, direção e velocidade do nistagmo, auxiliando na diferenciação entre causas centrais e periféricas.
Avaliação objetiva do nistagmo e função vestibular
Ressonância magnética (RM) de encéfalo
Imagem de alta resolução para detectar lesões estruturais no SNC, como tumores, esclerose múltipla ou malformações, que possam causar nistagmo adquirido.
Identificação de etiologias neurológicas
Avaliação oftalmológica completa
Inclui acuidade visual, refração, fundoscopia e testes de motilidade ocular para diagnosticar patologias oculares subjacentes (ex.: catarata, distrofias retinianas).
Diagnóstico de causas oculares e avaliação do impacto visual
Potenciais evocados visuais (PEV)
Avalia a integridade das vias visuais, útil em casos suspeitos de desmielinização ou compressão do nervo óptico.
Investigação de disfunções nas vias visuais
Testes laboratoriais
Hemograma, eletrólitos, função tireoidiana e sorologias para infecções (ex.: sífilis, HIV) quando houver suspeita de causas sistêmicas ou inflamatórias.
Rastreamento de condições metabólicas ou infecciosas
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Exame oftalmológico precoce para detectar nistagmo congênito e condições associadas (ex.: catarata), permitindo intervenção imediata.
Controle de fatores de risco
Manejo adequado de doenças sistêmicas (ex.: diabetes, hipertensão) e neurológicas para prevenir nistagmo adquirido.
Proteção contra trauma
Uso de equipamentos de segurança em atividades de risco para reduzir incidência de lesões cerebrais traumáticas que possam causar nistagmo.
Vigilância e notificação
O nistagmo não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, exceto quando associado a condições de vigilância epidemiológica (ex.: sífilis congênita, toxoplasmose). Recomenda-se registro em prontuários eletrônicos para monitoramento de tendências e avaliação de intervenções. Em saúde pública, a triagem visual neonatal pode identificar casos congênitos precocemente, facilitando encaminhamento oftalmológico. Profissionais devem estar atentos a sinais de alerta, como nistagmo de início agudo ou associado a sintomas neurológicos, que exigem investigação urgente para causas tratáveis.
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A cura completa é rara, especialmente no nistagmo congênito. No entanto, tratamentos como correção óptica, medicação ou cirurgia podem reduzir significativamente os sintomas, melhorar a acuidade visual e a qualidade de vida. Em nistagmo adquirido, o prognóstico depende da causa subjacente; se tratável (ex.: doença vestibular), os sintomas podem regredir.
Sinais de alerta incluem início súbito de nistagmo, especialmente se associado a cefaleia intensa, déficit neurológico focal, diplopia ou alteração do nível de consciência, pois podem indicar causas graves como acidente vascular cerebral, tumor ou hemorragia intracraniana. Nesses casos, avaliação neurológica e de imagem (RM) são imperativas.
O nistagmo pode comprometer a acuidade visual e a percepção de movimento, aumentando o risco de acidentes. Em muitos países, incluindo o Brasil, pacientes com nistagmo significativo podem ter restrições para obtenção ou renovação da carteira de motorista, dependendo da severidade e resposta ao tratamento. Avaliação oftalmológica especializada é necessária para determinação da aptidão.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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