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CID H15: Transtornos da esclerótica
H150
Esclerite
H151
Episclerite
H158
Outros transtornos da esclerótica
H159
Transtorno não especificado da esclerótica
Mais informações sobre o tema:
Definição
Os transtornos da esclera referem-se a um grupo de condições inflamatórias, degenerativas ou infecciosas que afetam a esclera, a camada externa fibrosa e opaca do olho, responsável por sua proteção e manutenção da forma ocular. Esses distúrbios podem ser classificados em episclerite (inflamação superficial) e esclerite (inflamação mais profunda), com a esclerite frequentemente associada a doenças sistêmicas autoimunes, como artrite reumatoide e granulomatose com poliangiite, podendo levar a complicações graves como perfuração ocular e perda visual. A epidemiologia mostra uma maior incidência em mulheres e em indivíduos com idades entre 40 e 60 anos, com a esclerite sendo menos comum que a episclerite, mas com impacto significativo na qualidade de vida devido à dor intensa e risco de morbidade ocular.
Descrição clínica
Os transtornos da esclera manifestam-se clinicamente com dor ocular, que pode variar de leve desconforto na episclerite a dor severa e profunda na esclerite, frequentemente irradiando para a região periorbital e associada a fotofobia e lacrimejamento. A hiperemia episcleral ou escleral é um achado comum, podendo ser difusa, nodular ou necrosante, com alterações na coloração (ex.: azulada na escleromalácia perfurans). A acuidade visual pode estar preservada inicialmente, mas pode comprometer-se com o envolvimento de estruturas adjacentes, como córnea e úvea, em casos avançados.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme o tipo: episclerite apresenta dor leve, hiperemia setorial ou difusa, e resolução espontânea em 1-2 semanas; esclerite anterior (difusa, nodular ou necrosante) cursa com dor intensa, vermelhidão profunda, sensibilidade à palpação, e possivelmente diminuição da acuidade visual; esclerite posterior pode causar dor referida, diplopia e proptose. Sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar, podem estar presentes em casos associados a doenças reumáticas.
Complicações possíveis
Perfuração ocular
Adelgaçamento severo da esclera levando à ruptura, com risco de endoftalmite e perda visual.
Glaucoma secundário
Aumento da pressão intraocular devido a inflamação ou sinequias, podendo causar dano ao nervo óptico.
Catarata
Opacidade do cristalino induzida por inflamação crônica ou uso prolongado de corticosteroides.
Descolamento de retina
Complicação rara em esclerite posterior, com exsudação ou tração vítreo-retiniana.
Perda visual permanente
Resultante de danos corneanos, glaucoma ou envolvimento do nervo óptico.
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A episclerite é mais frequente, com incidência estimada em 40-50 casos por 100.000 pessoas/ano, predominando em mulheres (proporção 3:1) e adultos jovens a meia-idade. A esclerite é menos comum (incidência de 4-6/100.000/ano), com pico entre 40-60 anos e forte associação com doenças reumáticas (até 50% dos casos). Fatores de risco incluem sexo feminino, tabagismo e história de autoimunidade.
Prognóstico
O prognóstico varia: a episclerite geralmente tem curso benigno com resolução espontânea, enquanto a esclerite, especialmente a necrosante, pode levar a sequelas oculares graves e perda visual se não tratada adequadamente. A resposta ao tratamento é boa com imunossupressores, mas recidivas são comuns em doenças sistêmicas associadas.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico oftalmológico (incluindo inspeção da esclera sob iluminação e lâmpada de fenda) e critérios estabelecidos por diretrizes como as da American Uveitis Society. Para esclerite, critérios incluem dor ocular profunda, hiperemia escleral, sensibilidade à palpação e evidência de inflamação em exames de imagem (ex.: ultrassonografia ocular). A confirmação pode requerer avaliação sistêmica para doenças associadas, como artrite reumatoide.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Conjuntivite
Inflamação da conjuntiva com hiperemia superficial, secreção e prurido, sem dor profunda ou envolvimento escleral.
UpToDate
Uveíte anterior
Inflamação da íris e corpo ciliar, com dor, fotofobia e células na câmara anterior, mas sem espessamento ou necrose escleral.
PubMed
Ceratite
Inflamação corneal com ulceração e infiltrados, podendo mimetizar esclerite, mas com achados predominantemente corneanos.
OMS
Tumores oculares
Neoplasias como linfoma ou melanoma podem causar espessamento escleral, mas geralmente são indolores e de progressão lenta.
Micromedex
Trauma ocular
Lesões contusas ou penetrantes podem simular inflamação escleral, mas história de trauma e achados de imagem são distintivos.
Diretrizes Brasileiras de Oftalmologia
Exames recomendados
Biomicroscopia com lâmpada de fenda
Avaliação detalhada da esclera, córnea e câmara anterior para detectar inflamação, necrose ou adelgaçamento.
Diagnóstico diferencial e avaliação da extensão da doença.
Ultrassonografia ocular (USG)
Exame de imagem para avaliar espessura escleral, envolvimento posterior e detectar derrames ou descolamentos.
Confirmar esclerite posterior e excluir outras patologias.
Hemograma completo e marcadores inflamatórios
Dosagem de VHS, PCR e outros para avaliar atividade inflamatória sistêmica.
Rastrear doenças autoimunes associadas.
Sorologias para doenças reumáticas
Testes como FAN, FR e ANCA para investigar etiologias autoimunes.
Identificar causas subjacentes como artrite reumatoide ou vasculites.
Tomografia computadorizada ou ressonância magnética orbital
Imagens de alta resolução para avaliar extensão extraocular e excluir massas.
Avaliar esclerite posterior e complicações.
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Manejo adequado de condições como artrite reumatoide para reduzir risco de esclerite.
Evitar trauma ocular
Uso de equipamentos de proteção em atividades de risco.
Rastreamento oftalmológico
Avaliação regular em pacientes com doenças reumáticas para detecção precoce.
Vigilância e notificação
No Brasil, os transtornos da esclera não são de notificação compulsória, mas a vigilância é recomendada em serviços de oftalmologia para monitorar complicações e associar a doenças sistêmicas. Em surtos infecciosos ou casos de esclerite necrosante, notificação às autoridades de saúde pode ser necessária conforme diretrizes locais.
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Episclerite é uma inflamação superficial da esclera, com dor leve e resolução rápida, enquanto esclerite envolve camadas mais profundas, com dor intensa e risco de complicações como necrose.
Não, não são contagiosos, exceto em raros casos associados a infecções virais como herpes, onde a infecção subjacente pode ser transmitida.
Através de exame oftalmológico com lâmpada de fenda, avaliação da dor e hiperemia, e exames complementares como USG ocular e sorologias para doenças sistêmicas.
Incluem imunossupressores como metotrexato ou agentes biológicos como rituximabe, além de corticosteroides sistêmicos, sob supervisão multidisciplinar.
Sim, em casos graves não tratados, especialmente esclerite necrosante, que pode causar perfuração ocular, glaucoma ou envolvimento corneano, resultando em perda visual permanente.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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