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CID H04: Transtornos do aparelho lacrimal
H040
Dacrioadenite
H041
Outros transtornos da glândula lacrimal
H042
Epífora
H043
Inflamação aguda e não especificada dos canais lacrimais
H044
Inflamação crônica dos canais lacrimais
H045
Estenose e insuficiência dos canais lacrimais
H046
Outras alterações nos canais lacrimais
H048
Outros transtornos do aparelho lacrimal
H049
Transtorno não especificado do aparelho lacrimal
Mais informações sobre o tema:
Definição
Os transtornos do aparelho lacrimal referem-se a um grupo de condições que afetam a produção, drenagem ou função das lágrimas, essenciais para a lubrificação, proteção e nutrição da superfície ocular. Esses transtornos podem envolver disfunções das glândulas lacrimais, obstruções ou infecções do sistema de drenagem lacrimal, resultando em sintomas como olho seco, epífora (lacrimejamento excessivo) ou inflamações. A fisiopatologia varia desde alterações na composição do filme lacrimal até bloqueios mecânicos nos ductos, impactando a homeostase da córnea e conjuntiva. Epidemiologicamente, são comuns em todas as faixas etárias, com maior prevalência de síndrome do olho seco em idosos e obstruções congênitas em lactentes, representando uma causa significativa de morbidade ocular na prática clínica.
Descrição clínica
Os transtornos do aparelho lacrimal manifestam-se clinicamente por alterações na quantidade ou qualidade das lágrimas, podendo incluir hipolacrimia (produção reduzida) ou hiperlacrimação (produção excessiva), frequentemente associadas a irritação ocular, visão turva, fotofobia e sensação de corpo estranho. Condições específicas como dacriocistite (inflamação do saco lacrimal) podem apresentar dor, edema e eritema na região cantal medial, enquanto a obstrução do ducto nasolacrimal resulta em epífora crônica. A avaliação clínica requer anamnese detalhada e exame físico, incluindo inspeção das pálpebras, teste de Schirmer para produção lacrimal e avaliação do sistema de drenagem.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme o transtorno: na síndrome do olho seco, predominam queixas de ardência, sensação de areia, fadiga ocular e visão flutuante; na epífora por obstrução, há lacrimejamento constante, maceração da pele periorbital e possível secreção purulenta; na dacriocistite aguda, observa-se dor, edema, eritema e abaulamento no canto medial do olho, podendo evoluir para abscesso. Sintomas sistêmicos como febre podem ocorrer em infecções. A cronificação pode levar a ceratite, úlceras de córnea e prejuízo da acuidade visual.
Complicações possíveis
Ceratite punctata
Lesões epiteliais da córnea devido à secura ocular, podendo evoluir para úlceras.
Úlcera de córnea
Perda de tecido corneal por dessecação ou infecção secundária, risco de perfuração e perda visual.
Dacriocistite crônica
Inflamação persistente do saco lacrimal com fibrose, epífora e infecções recorrentes.
Celulite periorbital
Extensão infecciosa da dacriocistite para tecidos adjacentes, requerendo antibioticoterapia sistêmica.
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Os transtornos do aparelho lacrimal são prevalentes globalmente; a síndrome do olho seco afeta aproximadamente 5-50% da população, com maior incidência em mulheres e idosos. Obstruções do ducto nasolacrimal ocorrem em até 20% dos recém-nascidos, mas a maioria resolve espontaneamente. Dacriocistite é mais comum em adultos, com pico na meia-idade, e fatores como clima seco, poluição e uso de lentes de contato aumentam o risco.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado; a síndrome do olho seco tende a ser crônica mas controlável com terapia de suporte, enquanto obstruções congênitas do ducto nasolacrimal frequentemente resolvem espontaneamente no primeiro ano de vida. Casos de dacriocistite aguda respondem bem a antibióticos, mas recidivas podem ocorrer se a obstrução persistir. Complicações como úlceras de córnea podem levar a sequelas visuais se não tratadas precocemente.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, incluindo história de sintomas oculares, exame físico (inspeção, palpação do saco lacrimal) e testes complementares. Para síndrome do olho seco, utilizam-se o teste de Schirmer (<5 mm em 5 minutos sugere deficiência aquosa), tempo de ruptura do filme lacrimal (<10 segundos indica deficiência lipídica) e coloração com rosa bengala ou fluoresceína. Para obstruções, o teste de regurgitação lacrimal (compressão do saco lacrimal com refluxo de secreção) e dacriocistografia são indicados. Critérios de consensos como os do Dry Eye Workshop (DEWS) são referências.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Conjuntivite alérgica
Pode causar lacrimejamento e irritação, mas geralmente associada a prurido, hiperemia conjuntival e história alérgica, sem obstrução lacrimal.
American Academy of Ophthalmology. Preferred Practice Pattern: Conjunctivitis. 2018.
Blefarite
Inflamação das margens palpebrais que pode simular olho seco, mas com escamas, crostas e envolvimento das glândulas de Meibômio.
UpToDate. Blepharitis. 2023.
Ceratite
Inflamação da córnea que pode resultar de olho seco grave, mas apresenta dor intensa, fotofobia e defeitos epiteliais na lâmpada de fenda.
PubMed: Wagoner MD. Chemical burns of the eye: current concepts in pathophysiology and therapy. Surv Ophthalmol. 1997.
Síndrome de Sjögren
Doença autoimune que causa olho seco e boca seca, com positividade para anticorpos anti-SSA/SSB e possível envolvimento sistêmico.
OMS. International Classification of Diseases, 10th Revision. 2016.
Obstrução nasal
Pode causar epífora por alteração da drenagem, mas sem sinais locais de doença lacrimal, resolvendo com tratamento da via aérea.
Micromedex. Drug Information: Nasal Decongestants. 2023.
Exames recomendados
Teste de Schirmer
Mede a produção basal de lágrimas usando tiras de papel filtro colocadas no fórnix conjuntival inferior.
Avaliar deficiência aquosa na síndrome do olho seco.
Tempo de ruptura do filme lacrimal (TBUT)
Avalia a estabilidade do filme lacrimal após instilação de fluoresceína, observando o tempo até o aparecimento de áreas secas.
Diagnosticar deficiência evaporativa e instabilidade tear.
Dacriocistografia
Exame de imagem com contraste radiopaco injetado no sistema lacrimal para visualizar obstruções ou anomalias.
Identificar local e extensão de obstruções no ducto nasolacrimal.
Lâmpada de fenda
Exame microscópico da superfície ocular para detectar alterações na córnea, conjuntiva e filme lacrimal.
Avaliar sinais de olho seco, inflamação ou complicações.
Cultura de secreção
Coleta de material do saco lacrimal ou pontos lacrimais para identificação de patógenos em casos infecciosos.
Guiar terapia antimicrobiana em dacriocistite.
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Uso de óculos de proteção em ambientes secos ou com vento para reduzir evaporação lacrimal.
Evitar irritantes
Minimizar exposição a fumaça, ar condicionado e alérgenos que podem exacerbar sintomas.
Hidratação adequada
Manter boa ingestão hídrica para apoiar a produção lacrimal.
Vigilância e notificação
Não há vigilância compulsória específica para transtornos do aparelho lacrimal na maioria dos países, mas casos de dacriocistite infecciosa ou complicações graves devem ser registrados em prontuários para monitoramento. Em surtos ou contextos de saúde pública, notificação pode ser indicada se associada a doenças sistêmicas notificáveis, como sarcoidose.
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As causas incluem obstrução do ducto nasolacrimal, síndrome do olho seco com reflexo lacrimal, dacriocistite, ou alterações palpebrais; a avaliação oftalmológica é essencial para diagnóstico preciso.
Olho seco geralmente causa ardência e sensação de areia, sem prurido proeminente, enquanto alergia apresenta prurido intenso, hiperemia e história sazonal; testes como Schirmer e lâmpada de fenda auxiliam.
Sim, em até 90% dos casos, a obstrução congênita resolve espontaneamente no primeiro ano de vida com massagem e higiene; intervenção é indicada se persistir além disso ou houver infecção.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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