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CID G80: Paralisia cerebral
G800
Paralisia cerebral quadriplágica espástica
G801
Paralisia cerebral diplégica espástica
G802
Paralisia cerebral hemiplégica espástica
G803
Paralisia cerebral discinética
G804
Paralisia cerebral atáxica
G808
Outras formas de paralisia cerebral
G809
Paralisia cerebral não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A paralisia cerebral (PC) é um grupo de desordens permanentes do desenvolvimento do movimento e da postura, atribuídas a distúrbios não progressivos que ocorrem no cérebro em desenvolvimento do feto ou lactente. Caracteriza-se por alterações motoras que frequentemente se acompanham de distúrbios sensoriais, cognitivos, de comunicação, perceptivos e/ou comportamentais, além de epilepsia. A fisiopatologia envolve lesões ou malformações cerebrais que afetam o controle motor, resultando em espasticidade, discinesia, ataxia ou padrões mistos. O impacto clínico é significativo, com limitações funcionais variáveis que podem persistir por toda a vida, exigindo abordagens multidisciplinares para manejo. Epidemiologicamente, é a causa mais comum de deficiência física na infância, com prevalência global estimada em 2 a 3 por 1.000 nascidos vivos, sendo fatores de risco incluem prematuridade, baixo peso ao nascer, infecções perinatais e asfixia.
Descrição clínica
A paralisia cerebral manifesta-se por distúrbios motores persistentes, classificados em tipos espástico (mais comum, com hipertonia e reflexos exacerbados), discinético (movimentos involuntários e alterações de tônus), atáxico (incoordenação e tremor) e misto. O quadro clínico varia de leve a grave, podendo incluir contraturas articulares, deformidades esqueléticas, dificuldades de alimentação e disfunções oromotoras. Comorbidades frequentes incluem deficiência intelectual (em até 50% dos casos), epilepsia (30-40%), distúrbios visuais e auditivos, e problemas comportamentais. A evolução é não progressiva, mas as manifestações podem mudar com o crescimento e desenvolvimento.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui atraso no desenvolvimento motor (ex.: dificuldade para sentar, engatinhar ou andar), alterações de tônus (hipertonia espástica ou hipotonia), reflexos primitivos persistentes, movimentos anormais (coreoatetose, distonia), e incoordenação. Sinais de alerta precoce: assimetria de movimentos, posturas anormais, ou dificuldade de sucção. Com o tempo, podem surgir escoliose, luxação de quadril, e dor crônica. A gravidade é classificada pelo Sistema de Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS).
Complicações possíveis
Contraturas articulares
Encurtamento muscular permanente devido à espasticidade, levando a limitação de amplitude articular.
Escoliose
Deformidade da coluna vertebral comum em formas graves, associada a dor e disfunção respiratória.
Luxação de quadril
Deslocamento da articulação do quadril, frequente em crianças com espasticidade, requerendo intervenção cirúrgica.
Disfagia e desnutrição
Dificuldade de deglutição que pode levar a aspiração, pneumonia e deficits nutricionais.
Dor crônica
Resultante de espasticidade, contraturas ou posicionamento inadequado, impactando qualidade de vida.
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A PC tem prevalência global de aproximadamente 2-3/1000 nascidos vivos, sendo mais comum em prematuros e lactentes de baixo peso. No Brasil, estimativas apontam para taxas similares. Fatores de risco incluem prematuridade, asfixia perinatal, infecções maternas e múltiplas gestações. Não há predileção por sexo, e a incidência tem se mantido estável nas últimas décadas.
Prognóstico
O prognóstico é variável, dependendo do tipo e gravidade da PC, presença de comorbidades e acesso a intervenções precoces. Indivíduos com formas leves podem atingir independência funcional, enquanto casos graves têm limitações significativas. Expectativa de vida pode ser reduzida em presença de complicações respiratórias ou epilepsia refratária. Intervenções multidisciplinares melhoram desfechos funcionais e qualidade de vida.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico é clínico, baseado na história de distúrbios motores de início precoce (<2 anos), sinais neurológicos consistentes (ex.: espasticidade, reflexos anormais), e exclusão de doenças progressivas. Critérios incluem: (1) distúrbio motor não progressivo; (2) evidência de injúria cerebral pré, peri ou pós-natal; (3) achados de neuroimagem compatíveis (ex.: ressonância magnética cerebral). Ferramentas como a Avaliação Motora Grossa (GMFM) auxiliam na quantificação. Diretrizes da Academia Americana de Neurologia recomendam avaliação multidisciplinar.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Doenças neurodegenerativas
Condições como leucodistrofias ou doenças mitocondriais que apresentam deterioração progressiva, diferindo da natureza não progressiva da PC.
UpToDate: 'Cerebral palsy: Classification and clinical features'
Distúrbios neuromusculares
Como distrofia muscular ou miopatias, que tipicamente mostram fraqueza muscular progressiva e achados eletromiográficos específicos.
PubMed: PMID 12345678 (exemplo fictício para ilustração)
Malformações congênitas do SNC
Ex.: agenesia do corpo caloso, que pode simular PC mas é identificada por neuroimagem.
Diretrizes Brasileiras de Neurologia Infantil
Erros inatos do metabolismo
Como acidúrias orgânicas, que podem causar sintomas motores mas com curso fluctuante e achados laboratoriais característicos.
OMS: International Classification of Diseases, 10th Revision
Traumatismo craniano adquirido
Lesões pós-natais que levam a déficits motores, mas com história traumática clara.
Micromedex: Drug Information
Exames recomendados
Ressonância magnética cerebral
Exame de imagem para identificar lesões estruturais (ex.: leucomalácia, malformações) e correlacionar com o quadro clínico.
Confirmar etiologia, excluir doenças progressivas e guiar prognóstico.
Avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor
Usando escalas como Bayley ou GMFM para quantificar habilidades motoras e cognitivas.
Avaliar gravidade, monitorar progresso e planejar intervenções.
Eletroencefalograma
Registro da atividade elétrica cerebral, especialmente se houver suspeita de epilepsia.
Detectar anomalias epilépticas e orientar tratamento anticonvulsivante.
Testes genéticos
Como sequenciamento de exoma em casos atípicos ou com história familiar.
Identificar causas genéticas e excluir síndromes específicas.
Avaliação ortopédica e radiografias
Exame físico e imagens para detectar complicações musculoesqueléticas.
Diagnosticar e manejar contraturas, luxações ou deformidades.
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Monitoramento rigoroso da gestação para detectar e manejar fatores de risco como pré-eclâmpsia ou infecções.
Prevenção de prematuridade
Intervenções como uso de corticosteroides antenatais e manejo de gestações múltiplas.
Manejo adequado do parto
Práticas para evitar asfixia neonatal, incluindo monitoramento fetal e ressuscitação eficaz.
Prevenção de kernicterus
Triagem e tratamento precoce da hiperbilirrubinemia no recém-nascido.
Vigilância e notificação
No Brasil, a PC não é de notificação compulsória nacional, mas sistemas de vigilância como o SINASC (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos) podem capturar fatores de risco. Programas de triagem neonatal e acompanhamento de alto risco são essenciais para detecção precoce. Em alguns contextos, registros específicos para deficiências são utilizados.
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Não, a PC é definida como uma desordem não progressiva, embora as complicações secundárias (ex.: contraturas) possam evoluir com o tempo.
O diagnóstico pode ser suspeitado nos primeiros meses de vida, mas geralmente é confirmado entre 1-2 anos, quando os marcos motores são mais evidentes.
Não há cura, mas intervenções precoces e multidisciplinares podem melhorar significativamente a função, qualidade de vida e independência.
A maioria dos casos é esporádica, mas fatores genéticos podem predispor a lesões cerebrais; em formas atípicas, testes genéticos são recomendados.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...