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CID G70: Miastenia gravis e outros transtornos neuromusculares
G700
Miastenia gravis
G701
Transtornos mioneurais tóxicos
G702
Miastenia congênita e do desenvolvimento
G708
Outros transtornos mioneurais especificados
G709
Transtorno mioneural não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
A miastenia grave é uma doença autoimune crônica caracterizada por fadiga e fraqueza muscular flutuante, resultante de uma disfunção na transmissão neuromuscular na junção mioneural. A patogênese envolve a produção de autoanticorpos contra receptores de acetilcolina (AChR) na membrana pós-sináptica, levando à redução da eficácia da transmissão colinérgica e à falha na geração de potenciais de ação musculares. Outros transtornos da junção neuromuscular incluem síndromes miastênicas congênitas, síndrome de Lambert-Eaton e intoxicações por toxinas que interferem na liberação ou ação da acetilcolina. Essas condições compartilham a característica de causar fraqueza muscular, mas diferem em etiologia, fisiopatologia e abordagem terapêutica. A miastenia grave tem uma prevalência estimada de 10 a 20 casos por 100.000 indivíduos, com pico de incidência em mulheres jovens e homens idosos, e impacta significativamente a qualidade de vida devido à variabilidade dos sintomas e risco de crises miastênicas.
Descrição clínica
A miastenia grave manifesta-se clinicamente por fraqueza muscular fatigável, que piora com a atividade física e melhora com o repouso, afetando predominantemente músculos oculares (causando ptose palpebral e diplopia), bulbares (disfagia, disfonia, disartria), faciais, cervicais e dos membros. A evolução é flutuante, com exacerbações e remissões, podendo progredir para envolvimento generalizado. Crises miastênicas, caracterizadas por insuficiência respiratória aguda, representam emergências médicas. Outros transtornos da junção neuromuscular, como a síndrome de Lambert-Eaton, apresentam fraqueza proximal dos membros, arreflexia e disfunção autonômica, enquanto as síndromes miastênicas congênitas têm início na infância e são não autoimunes.
Quadro clínico
O quadro clínico da miastenia grave inclui ptose palpebral bilateral assimétrica, diplopia, fraqueza facial (sorriso horizontal), disfagia, disfonia, disartria, fraqueza cervical (dificuldade em sustentar a cabeça) e fraqueza dos membros (proximal mais que distal). Os sintomas flutuam ao longo do dia, exacerbam-se com infecções, estresse, medicamentos (e.g., aminoglicosídeos) e melhoram com repouso. Na síndrome de Lambert-Eaton, há fraqueza proximal dos membros, arreflexia que pode melhorar com exercício, e sintomas autonômicos (boca seca, constipação). Crises miastênicas apresentam insuficiência respiratória aguda com risco de vida. Sinais de alerta incluem piora rápida da fraqueza bulbar ou respiratória.
Complicações possíveis
Crise miastênica
Insuficiência respiratória aguda devido à fraqueza severa dos músculos respiratórios e bulbar, exigindo ventilação mecânica e tratamento intensivo.
Disfagia e aspiração
Dificuldade de deglutição levando a desnutrição, desidratação e pneumonia por aspiração.
Timoma maligno
Neoplasia do timo associada à miastenia, com potencial para invasão local e metástase.
Efeitos adversos medicamentosos
Complicações relacionadas ao uso crônico de imunossupressores, como infecções, osteoporose e toxicidade hepática ou renal.
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A miastenia grave tem uma prevalência global de 10 a 20 por 100.000 pessoas, com incidência anual de 1 a 2 por 100.000. É mais comum em mulheres (razão 3:1) na segunda e terceira décadas, e em homens acima de 60 anos. A associação com timoma ocorre em 10-15% dos casos. A síndrome de Lambert-Eaton é rara, com incidência de 0,5 por 1.000.000, frequentemente paraneoplásica em 50-60% dos casos, ligada a carcinoma de pulmão de pequenas células. Fatores de risco incluem história familiar de doenças autoimunes e exposição a desencadeantes como infecções ou medicamentos.
Prognóstico
O prognóstico da miastenia grave é variável, com a maioria dos pacientes alcançando remissão ou controle adequado dos sintomas com tratamento imunossupressor. A taxa de mortalidade é baixa (<5%) em centros especializados, mas crises miastênicas representam risco vital. Fatores de pior prognóstico incluem idade avançada ao diagnóstico, presença de timoma, soropositividade para anti-MuSK, e comorbidades. Com terapia adequada, a expectativa de vida é próxima da normal, mas a qualidade de vida pode ser impactada por sintomas residuais e efeitos colaterais do tratamento. Na síndrome de Lambert-Eaton, o prognóstico depende da neoplasia subjacente, com melhora possível com tratamento do câncer.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na história clínica de fraqueza fatigável, exame físico compatível, teste farmacológico com edrofônio (melhora transitória da ptose ou diplopia), detecção de autoanticorpos séricos (anti-AChR, anti-MuSK, anti-LRP4), e estudos eletrofisiológicos (eletromiografia de fibra única mostrando jitter aumentado e bloqueio). Critérios de Osserman ou classificação da Myasthenia Gravis Foundation of America (MGFA) são usados para estadiamento. Para síndrome de Lambert-Eaton, a eletromiografia com estimulação repetitiva demonstra incremento da amplitude do potencial de ação muscular composto após exercício ou estimulação rápida, e anticorpos anti-canal de cálcio voltagem-dependente.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Esclerose lateral amiotrófica (ELA)
Doença neurodegenerativa com fraqueza muscular progressiva, mas sem flutuação diurna, associada a sinais de neurônio motor superior (espasticidade, hiperreflexia) e inferior (atrofia, fasciculações), diferindo da miastenia pela ausência de fatigabilidade e resposta a anticolinesterásicos.
UpToDate: 'Clinical features of amyotrophic lateral sclerosis'
Síndrome de Guillain-Barré
Polineuropatia desmielinizante aguda com fraqueza ascendente simétrica, arreflexia e possível envolvimento bulbar, mas geralmente de início agudo e progressivo, sem flutuação diurna, e com albumino-citológica dissociada no LCR.
WHO: 'Guillain-Barré syndrome'
Botulismo
Intoxicação por toxina botulínica que bloqueia a liberação de acetilcolina, causando fraqueza descendente, paralisia bulbar, midríase e disautonomia, com início agudo após exposição a alimentos contaminados ou feridas, diferindo da miastenia pela resposta negativa ao edrofônio.
CDC: 'Botulism'
Miastenia congênita
Grupo de doenças hereditárias não autoimunes da junção neuromuscular, com início na infância e fraqueza estável ou lentamente progressiva, sem autoanticorpos detectáveis, distinguível por história familiar e testes genéticos.
GeneReviews: 'Congenital Myasthenic Syndromes'
Doença de Graves com oftalmopatia
Doença autoimune tireoidiana que pode causar ptose e diplopia, mas associada a sinais de hipertireoidismo, exoftalmia e restrição de movimentos oculares por fibrose, sem fatigabilidade muscular generalizada.
American Thyroid Association: 'Graves' Disease'
Exames recomendados
Dosagem de autoanticorpos séricos
Pesquisa de anticorpos anti-AChR, anti-MuSK e anti-LRP4 para confirmação diagnóstica e subclassificação da miastenia grave.
Confirmar etiologia autoimune e orientar tratamento.
Eletromiografia (EMG) de fibra única
Estudo eletrofisiológico que avalia a variação no intervalo entre potenciais de duas fibras musculares inervadas pelo mesmo axônio (jitter), mostrando aumento e bloqueio na miastenia.
Avaliar a transmissão neuromuscular e confirmar diagnóstico, especialmente em casos soronegativos.
Teste do edrofônio (Tensilon)
Administração intravenosa de edrofônio, um inibidor da acetilcolinesterase, para observar melhora transitória da fraqueza muscular (e.g., ptose).
Avaliação farmacológica para apoio diagnóstico, com monitorização de efeitos adversos colinérgicos.
Tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) de tórax
Imagem para avaliação do timo, detectando hiperplasia ou timoma, associados à miastenia grave.
Identificar anormalidades timicas que possam necessitar de intervenção cirúrgica.
Testes de função pulmonar (espirometria)
Medição de volumes e fluxos respiratórios, incluindo capacidade vital forçada (CVF), para avaliar comprometimento respiratório.
Monitorar risco de crise miastênica e guiar manejo ventilatório.
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Educação do paciente para evitar drogas que exacerbam a fraqueza neuromuscular, como certos antibióticos, antiarrítmicos e relaxantes musculares.
Monitorização regular
Acompanhamento neurológico contínuo para ajuste terapêutico e detecção precoce de complicações.
Conscientização sobre crises
Orientação para reconhecer sinais de piora respiratória e buscar atendimento imediato.
Vigilância e notificação
A miastenia grave não é uma doença de notificação compulsória nacional no Brasil, mas a vigilância é recomendada em serviços de neurologia para monitorar surtos, complicações e resposta terapêutica. Em casos de timoma ou síndromes paraneoplásicas, o registro em bancos de dados oncológicos é indicado. A notificação de reações adversas a medicamentos usados no tratamento (e.g., imunossupressores) deve ser feita ao sistema de farmacovigilância (Vigimed/ANVISA). Em crises miastênicas, a internação em UTI exige monitorização contínua e notificação de eventos sentinela, se aplicável.
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Não, a miastenia grave é uma doença crônica sem cura definitiva, mas o tratamento adequado pode levar à remissão ou controle eficaz dos sintomas na maioria dos pacientes, permitindo qualidade de vida satisfatória.
Pacientes devem evitar drogas que agravam a fraqueza neuromuscular, como aminoglicosídeos, quinolonas, beta-bloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio, magnésio parenteral e relaxantes musculares, devido ao risco de exacerbação ou crise miastênica.
A diferenciação baseia-se em características clínicas (e.g., fraqueza proximal e arreflexia em Lambert-Eaton), resposta a testes farmacológicos (edrofônio positivo na miastenia), eletrofisiologia (incremento pós-exercício em Lambert-Eaton), e sorologia (anticorpos anti-AChR na miastenia vs. anti-canal de cálcio em Lambert-Eaton).
Não, a timectomia é indicada principalmente em pacientes com timoma, adultos jovens com miastenia generalizada refratária ou de início recente, após avaliação de riscos e benefícios; não é recomendada rotineiramente em idosos ou formas oculares puras.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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