CID G47: Distúrbios do sono
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Definição
Os transtornos do sono de origem neurológica, classificados no CID-10 sob o código G47, referem-se a um grupo de condições caracterizadas por alterações na qualidade, quantidade ou ritmo do sono, diretamente associadas a disfunções ou lesões do sistema nervoso central. Esses transtornos envolvem mecanismos neurofisiológicos complexos, incluindo regulação do ciclo vigília-sono, processamento de neurotransmissores e integração de estruturas cerebrais como o hipotálamo, tronco encefálico e córtex. O impacto clínico é significativo, podendo resultar em prejuízos cognitivos, comportamentais, cardiovasculares e na qualidade de vida, com aumento do risco de acidentes e comorbidades. Epidemiologicamente, são prevalentes em populações com doenças neurológicas subjacentes, como epilepsia, doença de Parkinson e acidente vascular cerebral, afetando indivíduos de todas as idades, mas com variações conforme a etiologia específica.
Descrição clínica
Os transtornos do sono de origem neurológica manifestam-se por uma ampla gama de sintomas, incluindo insônia, hipersonia, parassonias (como sonambulismo ou terror noturno), distúrbios do ritmo circadiano e eventos motores anormais durante o sono (e.g., síndrome das pernas inquietas). A apresentação clínica é frequentemente influenciada pela doença neurológica de base, podendo envolver alterações na arquitetura do sono, fragmentação do sono REM ou NREM, e prejuízos na consolidação da memória. A avaliação requer uma abordagem multidimensional, considerando história clínica detalhada, exames complementares e, quando indicado, polissonografia.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme o subtipo: insônia (dificuldade em iniciar ou manter o sleepo), hipersonia (sonolência excessiva diurna), parassonias (comportamentos anormais durante o sleepo, como pesadelos ou sonambulismo), distúrbios do ritmo circadiano (dificuldade em alinhar o sleepo com o ciclo claro-escuro) e transtornos do movimento relacionado ao sleepo (e.g., síndrome das pernas inquietas). Sintomas associados incluem fadiga, irritabilidade, prejuízo cognitivo, e em casos graves, alucinações hipnagógicas ou cataplexia. A cronificação pode levar a comorbidades psiquiátricas e cardiovasculares.
Complicações possíveis
Prejuízo cognitivo
Déficits de memória, atenção e funções executivas devido à fragmentação do sleepo.
Risco cardiovascular aumentado
Hipertensão, arritmias e doença coronariana associadas a distúrbios do sleepo crônicos.
Acidentes e lesões
Sonolência diurna excessiva levando a acidentes de trânsito ou quedas.
Comorbidades psiquiátricas
Desenvolvimento ou agravamento de depressão, ansiedade e irritabilidade.
Piora da doença neurológica de base
Transtornos do sleepo podem exacerbar sintomas em condições como Parkinson ou epilepsia.
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Epidemiologia
A prevalência é elevada em populações com doenças neurológicas; por exemplo, até 80% dos pacientes com Parkinson têm distúrbios do sleepo. A narcolepsia afeta aproximadamente 0,02-0,05% da população geral. Fatores de risco incluem idade avançada, história familiar e comorbidades neurológicas. A distribuição é global, com variações regionais devido a fatores genéticos e ambientais.
Prognóstico
O prognóstico varia conforme a etiologia e adesão ao tratamento. Transtornos como narcolepsia são crônicos, mas controláveis com terapia adequada. Distúrbios secundários a lesões agudas podem melhorar com reabilitação. Complicações a longo prazo incluem impacto na qualidade de vida e aumento de morbidades. Intervenções precoces melhoram os desfechos.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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