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CID G11: Ataxia hereditária

G110
Ataxia congênita não-progressiva
G111
Ataxia cerebelar de início precoce
G112
Ataxia cerebelar de início tardio
G113
Ataxia cerebelar com déficit na reparação do DNA
G114
Paraplegia espástica hereditária
G118
Outras ataxias hereditárias
G119
Ataxia hereditária não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

As ataxias hereditárias constituem um grupo heterogêneo de doenças neurodegenerativas de caráter genético, caracterizadas por degeneração progressiva do cerebelo e suas vias aferentes e eferentes, resultando em ataxia como manifestação clínica predominante. A ataxia refere-se à perda de coordenação muscular voluntária, frequentemente associada a disartria, nistagmo e outras manifestações neurológicas. Essas condições são classificadas de acordo com o padrão de herança (autossômica dominante, autossômica recessiva ou ligada ao X) e a presença de características clínicas e genéticas específicas, como a ataxia espinocerebelar (SCA) e a ataxia de Friedreich. O impacto clínico é significativo, com progressão gradual que pode levar à incapacidade grave, afetando a mobilidade, a fala e as atividades de vida diária. Epidemiologicamente, as ataxias hereditárias têm prevalência variável globalmente, sendo mais comuns em populações com alta taxa de consanguinidade, e representam uma causa importante de morbidade neurológica crônica.

Descrição clínica

As ataxias hereditárias manifestam-se tipicamente com início insidioso e curso progressivo de ataxia de marcha, dismetria, disdiadococinesia e tremor intencional. A disartria cerebelar é comum, caracterizada por fala escandida ou explosiva. Outros sinais incluem nistagmo, oftalmoplegia, reflexos anormais (como hiperreflexia ou arreflexia), e em formas específicas, neuropatia periférica, cardiomiopatia ou diabetes. A idade de início varia amplamente, desde a infância até a idade adulta, dependendo do subtipo genético. A progressão é geralmente lenta, mas inexorável, com deterioração funcional ao longo de anos.

Quadro clínico

O quadro clínico é dominado por ataxia progressiva, que se manifesta como instabilidade postural, marcha ampla e base alargada, dificuldade em realizar movimentos precisos (dismetria), e tremor que piora com a ação (tremor intencional). Disartria, caracterizada por articulação imprecisa e ritmo irregular da fala, é frequente. Sinais oculomotores incluem nistagmo horizontal ou vertical e dificuldade de rastreamento visual. Dependendo do subtipo, podem ocorrer espasticidade, fraqueza muscular, perda sensitiva, disfunção autonômica, e em casos como a ataxia de Friedreich, cardiomiopatia hipertrófica, escoliose e diabetes mellitus. A evolução é crônica, com agravamento gradual da incapacidade.

Complicações possíveis

Incapacidade motora grave

Perda progressiva da capacidade de deambulação, necessitando de cadeira de rodas.

Disfagia e aspiração

Comprometimento da deglutição levando a pneumonias por aspiração.

Cardiomiopatia e insuficiência cardíaca

Complicação comum na ataxia de Friedreich, com risco de morte súbita.

Escoliose e deformidades osteoarticulares

Resultante de desequilíbrios musculares e posturais crônicos.

Epidemiologia

A prevalência das ataxias hereditárias varia globalmente, estimada em 1-5 por 100.000 habitantes. A ataxia de Friedreich é a mais comum em populações caucasianas, com prevalência de cerca de 1-2 por 100.000. As SCAs têm distribuição heterogênea, com aglomerados em certas regiões devido a efeito fundador. A idade de início é ampla, desde a infância até a meia-idade, com picos dependentes do subtipo. Fatores como consanguinidade aumentam o risco em formas recessivas.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente desfavorável, com progressão lenta mas inexorável para incapacidade grave. A expectativa de vida pode ser reduzida, particularmente em formas com envolvimento cardíaco ou respiratório. Intervenções precoces e suporte multidisciplinar podem melhorar a qualidade de vida, mas não alteram a história natural da doença. A variabilidade genética influencia a taxa de progressão e a sobrevida.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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