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CID G08: Flebite e tromboflebite intracranianas e intra-raquidianas
G08
Flebite e tromboflebite intracranianas e intra-raquidianas
Mais informações sobre o tema:
Definição
A flebite e tromboflebite intracranianas e intra-raquidianas referem-se a processos inflamatórios e trombóticos que acometem as veias e seios venosos do sistema nervoso central, incluindo estruturas intracranianas (como seios venosos durais e veias corticais) e intra-raquidianas (veias espinhais). Essas condições são caracterizadas pela formação de trombos no lúmen venoso, resultando em obstrução ao fluxo sanguíneo, aumento da pressão venosa e risco de isquemia ou hemorragia cerebral ou medular. A fisiopatologia envolve a tríade de Virchow (estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade), frequentemente desencadeada por infecções locais ou sistêmicas, estados de hipercoagulabilidade, trauma ou causas idiopáticas. Clinicamente, manifestam-se com sintomas neurológicos focais, cefaleia, convulsões ou sinais de hipertensão intracraniana, dependendo da localização e extensão do trombo. A epidemiologia indica uma incidência estimada de 2-4 casos por 100.000 pessoas-ano, com maior prevalência em mulheres jovens, especialmente no período pós-parto ou associado ao uso de contraceptivos orais, e em pacientes com condições pró-trombóticas como trombofilias hereditárias ou doenças inflamatórias sistêmicas.
Descrição clínica
Condição neurológica aguda ou subaguda caracterizada por inflamação e trombose de veias ou seios venosos no cérebro ou medula espinhal, levando a sintomas variáveis conforme a localização anatômica. Pode ser séptica (associada a infecções como otite, sinusite ou meningite) ou asséptica (relacionada a estados de hipercoagulabilidade, trauma ou causas desconhecidas). A apresentação clínica é frequentemente insidiosa, com cefaleia progressiva, déficits neurológicos focais (como paresia ou afasia), convulsões, papiledema e, em casos graves, coma ou morte por herniação cerebral. O diagnóstico requer alta suspeição clínica e confirmação por neuroimagem.
Quadro clínico
O quadro clínico é variável e depende da localização do trombo. Sintomas comuns incluem cefaleia (geralmente progressiva e de forte intensidade), náuseas, vômitos, papiledema e déficits neurológicos focais como hemiparesia, afasia ou distúrbios visuais. Convulsões (focais ou generalizadas) ocorrem em até 40% dos casos. Sinais de hipertensão intracraniana (ex.: alteração do nível de consciência, bradicardia, hipertensão arterial) podem estar presentes. Em trombose de seios venosos, sintomas específicos incluem edema palpebral e proptose (seio cavernoso), ou paralisia do nervo abducente (seio petroso). Na forma intra-raquidiana, manifestações incluem dor lombar, déficits sensoriais ou motores segmentares, e disfunção esfincteriana.
Complicações possíveis
Infarto cerebral venoso
Isquemia cerebral devido à obstrução venosa, frequentemente hemorrágico, levando a déficits neurológicos permanentes.
Hemorragia intracraniana
Sangramento no parênquima cerebral ou espaço subdural como resultado de ruptura venosa ou infarto hemorrágico.
Hipertensão intracraniana idiopática
Aumento persistente da pressão intracraniana devido ao comprometimento da drenagem venosa, podendo causar perda visual por papiledema.
Epilepsia
Desenvolvimento de convulsões recorrentes como sequela da lesão cerebral por trombose venosa.
Óbito
Morte devido a herniação cerebral, edema massivo ou complicações infecciosas em casos graves ou não tratados.
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A incidência anual é estimada em 2-4 casos por 100.000 pessoas, com pico em adultos jovens (20-40 anos) e predominância no sexo feminino (razão 3:1), frequentemente associada a fatores como uso de contraceptivos orais, gravidez e puerpério. Em crianças, é mais comum em contextos de desidratação, infecções ou trombofilias congênitas. A distribuição geográfica é mundial, com variações regionais relacionadas a fatores de risco. A mortalidade hospitalar é de 5-10%, reduzindo com avanços no diagnóstico por imagem e tratamento anticoagulante.
Prognóstico
O prognóstico varia conforme a rapidez do diagnóstico e tratamento. Com terapia anticoagulante precoce, a mortalidade é de aproximadamente 5-10%, e cerca de 70-80% dos pacientes alcançam recuperação funcional completa ou com sequelas mínimas. Fatores de mau prognóstico incluem coma na apresentação, idade avançada, hemorragia intracraniana, trombose de múltiplos seios venosos e causas infecciosas graves. Sequelas a longo prazo podem incluir déficits neurológicos focais, cefaleia crônica, epilepsia ou déficit cognitivo. O risco de recorrência é baixo (2-4% ao ano), mas maior em pacientes com trombofilias não corrigidas.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e de neuroimagem. Critérios clínicos incluem presença de cefaleia, déficits neurológicos focais, convulsões ou sinais de hipertensão intracraniana em contexto de fatores de risco. A confirmação requer neuroimagem: ressonância magnética (RM) com venografia por ressonância magnética (MRV) é o padrão-ouro, demonstrando ausência de fluxo ou sinal hiperintenso no trombo (sinal do cordão) em sequências T1 e T2. A tomografia computadorizada (TC) com venografia pode mostrar o sinal do delta (preenchimento deficiente do seio venoso). Exames laboratoriais incluem hemograma, coagulograma, D-dímero (geralmente elevado) e pesquisa de trombofilias. Punção lombar pode revelar hipertensão do LCR e pleocitose em casos infecciosos.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Meningite bacteriana
Infecção das meninges com sintomas como cefaleia, febre e rigidez de nuca, mas sem evidência de trombose venosa na neuroimagem.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Infectologia para Meningites Bacterianas, 2020.
Acidente vascular cerebral isquêmico arterial
Infarto cerebral devido a oclusão arterial, com déficits neurológicos agudos, mas geralmente sem cefaleia proeminente ou papiledema, e padrão territorial na neuroimagem.
Diretrizes da American Heart Association/American Stroke Association para AVC Isquêmico, 2019.
Hemorragia subaracnoidea
Sangramento no espaço subaracnoideo, apresentando cefaleia súbita e intensa (cefaleia em trovoada), mas sem trombose venosa na angio-TC ou angio-RM.
Guidelines da European Stroke Organization para Hemorragia Subaracnoidea, 2023.
Tumor cerebral
Massa intracraniana que pode causar hipertensão intracraniana e déficits focais, mas com evolução mais lenta e achados de massa na neuroimagem.
Consenso da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia para Tumores Cerebrais, 2021.
Encefalite
Inflamação do parênquima cerebral com alteração do estado mental, convulsões e febre, mas sem evidência de trombose venosa na RM.
Diretrizes da Infectious Diseases Society of America para Encefalite, 2017.
Exames recomendados
Ressonância magnética (RM) com venografia por ressonância magnética (MRV)
Exame de imagem que avalia a anatomia e fluxo dos seios venosos cerebrais e veias espinhais.
Confirmar diagnóstico ao demonstrar trombose venosa, como ausência de fluxo ou sinal hiperintenso no trombo, e avaliar extensão e complicações como infarto ou hemorragia.
Tomografia computadorizada (TC) com venografia
Exame de imagem que utiliza contraste iodado para visualizar o sistema venoso.
Alternativa à RM para detecção de trombose, mostrando o sinal do delta (defeito de preenchimento no seio venoso), útil em emergências ou quando RM não está disponível.
Punção lombar
Coleta de líquido cefalorraquidiano (LCR) para análise.
Avaliar hipertensão do LCR, pleocitose (em casos infecciosos) e excluir meningite ou hemorragia subaracnoidea; abertura de pressão elevada é sugestiva.
Hemograma e coagulograma
Exames laboratoriais que avaliam células sanguíneas e parâmetros de coagulação.
Identificar anemia, trombocitopenia ou alterações na coagulação (ex.: tempo de protrombina aumentado) que possam indicar estados de hipercoagulabilidade ou infecção.
D-dímero
Marcador laboratorial de degradação de fibrina.
Auxiliar no diagnóstico, pois níveis elevados são sugestivos de trombose, embora não específicos; útil para triagem em contextos de baixa suspeita.
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Identificação e manejo de condições pró-trombóticas como trombofilias, descontinuação de contraceptivos orais em pacientes de alto risco, e hidratação adequada.
Tratamento precoce de infecções
Terapia antimicrobiana oportuna para otite, sinusite ou outras infecções que possam se estender para o sistema venoso cerebral.
Monitorização em gestantes
Vigilância clínica em mulheres grávidas ou no puerpério, especialmente aquelas com história prévia de trombose venosa.
Vigilância e notificação
No Brasil, a trombose venosa cerebral não é de notificação compulsória nacional, mas deve ser registrada em prontuários e sistemas hospitalares para vigilância epidemiológica local. Recomenda-se notificação em casos associados a surtos infecciosos ou eventos adversos de medicamentos (ex.: contraceptivos orais). A vigilância inclui monitoramento de complicações e avaliação de fatores de risco em populações vulneráveis. Em contextos de saúde pública, a notificação pode ser requerida por autoridades sanitárias para investigação de agravos.
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O tratamento de primeira linha é a anticoagulação com heparina não fracionada ou de baixo peso molecular (ex.: enoxaparina), mesmo na presença de hemorragia intracraniana, pois previne progressão do trombo e reduz mortalidade. Após estabilização, transição para anticoagulantes orais como varfarina ou DOACs (ex.: rivaroxabana) por 3-12 meses, dependendo da causa.
A trombose venosa cerebral geralmente apresenta cefaleia progressiva, papiledema e convulsões, com padrão de infarto não territorial na neuroimagem (ex.: bilateral ou em regiões de drenagem venosa). O AVC isquêmico arterial tem início súbito, déficits focais específicos ao território arterial (ex.: artéria cerebral média) e ausência de sinais de hipertensão intracraniana. A confirmação é por RM com MRV ou angio-TC.
Fatores de risco incluem uso de contraceptivos orais, gravidez e puerpério, trombofilias hereditárias (ex.: fator V Leiden), síndrome do anticorpo antifosfolípide, infecções locais (ex.: otite, sinusite), desidratação, trauma craniano e neoplasias. Em crianças, desidratação e infecções são predominantes.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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