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CID G07: Abscesso e granuloma intracranianos e intraspinais em doenças classificadas em outra parte

G07
Abscesso e granuloma intracranianos e intraspinais em doenças classificadas em outra parte

Mais informações sobre o tema:

Definição

O código G07 da CID-10 refere-se a abscessos e granulomas intracranianos (dentro do crânio) e intrarraquidianos (dentro do canal vertebral) que são consequência direta de doenças infecciosas ou parasitárias classificadas em outros capítulos da CID-10. Esta categoria é utilizada para codificar complicações supurativas ou granulomatosas do sistema nervoso central (SNC) quando a doença primária (como tuberculose, sífilis, infecções fúngicas ou bacterianas específicas) é a causa subjacente. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica, contígua ou direta de patógenos para o parênquima cerebral, espaços subdurais ou epidurais, levando à formação de coleções purulentas (abscessos) ou lesões inflamatórias crônicas (granulomas). O impacto clínico é significativo, com morbidade elevada devido a déficits neurológicos focais, hipertensão intracraniana, convulsões e risco de mortalidade se não tratados adequadamente. Epidemiologicamente, a incidência varia conforme a prevalência das doenças infecciosas de base, sendo mais comum em regiões endêmicas para tuberculose ou em pacientes imunocomprometidos.

Descrição clínica

Condição caracterizada pela presença de abscessos (coleções purulentas encapsuladas) ou granulomas (agregados de macrófagos e células epitelioides) no cérebro, medula espinal ou espaços meníngeos, resultantes de doenças infecciosas ou parasitárias sistêmicas. Manifesta-se com sintomas neurológicos focais (como hemiparesia, afasia, déficits sensoriais), sinais de hipertensão intracraniana (cefaleia, vômitos, papiledema), alterações do nível de consciência, convulsões e febre, dependendo da localização e extensão. O curso pode ser agudo (abscessos) ou subagudo/crônico (granulomas), com potencial para complicações graves como herniação cerebral, hidrocefalia ou déficits neurológicos permanentes.

Quadro clínico

O quadro clínico varia conforme a etiologia, localização e rapidez de instalação. Em abscessos, os sintomas são frequentemente agudos a subagudos, com febre, cefaleia progressiva, náuseas, vômitos, alterações do nível de consciência (letargia a coma) e déficits neurológicos focais (ex.: hemiparesia, afasia, ataxia). Convulsões ocorrem em até 30-50% dos casos. Em granulomas, o curso é mais insidioso, com cefaleia crônica, déficits neurológicos progressivos (ex.: paralisia de nervos cranianos, mielopatia) e possivelmente febre baixa. Sinais meníngeos (rigidez de nuca) podem estar presentes se houver envolvimento das meninges. Em abscessos epidurais ou subdurais, pode haver dor local e radiculopatia.

Complicações possíveis

Herniação cerebral

Deslocamento de estruturas cerebrais devido a efeito de massa, levando a compressão do tronco cerebral, parada respiratória e morte se não tratada urgentemente.

Hidrocefalia

Obstrução do fluxo do LCR por compressão de vias ventriculares ou inflamação das meninges, requerendo derivação ventricular.

Convulsões refratárias

Crises epilépticas recorrentes devido a irritação cortical, necessitando de terapia antiepiléptica prolongada.

Déficits neurológicos permanentes

Perda funcional (ex.: paralisia, afasia) resultante de dano irreversível ao tecido neural.

Sepse ou disseminação infecciosa

Propagação da infecção para outros órgãos, com risco de choque séptico e falência múltipla de órgãos.

Epidemiologia

A incidência de abscessos e granulomas intracranianos/intrarraquidianos em doenças classificadas em outra parte varia globalmente, refletindo a prevalência das doenças infecciosas de base. Em regiões endêmicas para tuberculose (ex.: Ásia, África), os granulomas tuberculosos são comuns, representando até 10% das lesões intracranianas expansivas. Em países desenvolvidos, são mais associados a infecções fúngicas em pacientes imunocomprometidos (ex.: HIV/AIDS, transplantados) ou a sífilis terciária. A faixa etária é ampla, com pico em adultos jovens a meia-idade, e há predomínio masculino em algumas séries. Fatores de risco incluem imunossupressão, diabetes mellitus, uso de drogas intravenosas e história de infecções sistêmicas.

Prognóstico

O prognóstico depende da etiologia, localização, tamanho da lesão, prontidão do diagnóstico e adequação do tratamento. Com terapia antimicrobiana direcionada precoce e drenagem cirúrgica quando indicada, a mortalidade pode ser reduzida para 10-20%, mas déficits neurológicos residuais ocorrem em 30-50% dos sobreviventes. Fatores de mau prognóstico incluem atraso no diagnóstico, múltiplas lesões, envolvimento do tronco cerebral, imunossupressão grave e complicações como herniação. Em granulomas de etiologia controlável (ex.: tuberculose), o prognóstico é melhor com tratamento prolongado, enquanto abscessos por bactérias multirresistentes têm pior evolução.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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