Redação Sanar
CID G04: Encefalite, mielite e encefalomielite
G040
Encefalite aguda disseminada
G041
Paraplegia espástica tropical
G042
Meningoencefalite e meningomielite bacterianas não classificadas em outra parte
G048
Outras encefalites, mielites e encefalomielites
G049
Encefalite, mielite e encefalomielite não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A encefalite, mielite e encefalomielite referem-se a processos inflamatórios agudos ou subagudos que afetam o encéfalo (encefalite), a medula espinhal (mielite) ou ambos (encefalomielite), resultando em disfunção neurológica. Essas condições são caracterizadas por infiltração de células inflamatórias, como linfócitos e macrófagos, no parênquima neural, podendo levar a edema, desmielinização e necrose neuronal. O impacto clínico varia desde sintomas leves, como cefaleia e febre, até déficits neurológicos graves, incluindo alterações do nível de consciência, convulsões, paralisias e disfunção autonômica, com potencial para sequelas permanentes ou óbito. Epidemiologicamente, a incidência global de encefalite é estimada em 1-7 casos por 100.000 pessoas/ano, sendo mais comum em crianças e idosos, com etiologias infecciosas (virais, bacterianas) e não infecciosas (autoimunes, pós-infecciosas) contribuindo para a heterogeneidade da apresentação.
Descrição clínica
A encefalite, mielite e encefalomielite manifestam-se com sinais e sintomas de irritação meníngea e disfunção neurológica focal ou difusa. A encefalite tipicamente apresenta febre, cefaleia, alterações do comportamento, confusão mental, convulsões e déficits motores ou sensoriais. A mielite caracteriza-se por fraqueza muscular, parestesias, disfunção esfincteriana e nível sensitivo. Na encefalomielite, há combinação de sintomas encefálicos e medulares, com evolução aguda ou subaguda, podendo progredir para coma ou morte em casos graves. A apresentação clínica é influenciada pela etiologia, localização da lesão e resposta imune do hospedeiro.
Quadro clínico
O quadro clínico é agudo ou subagudo, com início em dias a semanas. Sintomas comuns incluem febre, mal-estar, cefaleia, náuseas e vômitos. Na encefalite, predominam alterações cognitivas (confusão, agitação, letargia), convulsões focais ou generalizadas, afasia, hemiparesia e distúrbios visuais. Na mielite, observa-se fraqueza muscular simétrica ou assimétrica, parestesias, dor radicular, retenção ou incontinência urinária, e nível sensitivo. Na encefalomielite, há sobreposição de sintomas, com possível evolução para paralisia flácida, insuficiência respiratória e coma. A gravidade varia de formas leves a encefalite necrosante ou mielite transversa completa.
Complicações possíveis
Edema cerebral
Aumento da pressão intracraniana levando a herniação e risco de morte.
Estado de mal epiléptico
Convulsões prolongadas causando dano neuronal irreversível.
Deficit neurológico permanente
Paralisia, distúrbios cognitivos ou sensitivos devido a necrose ou desmielinização.
Insuficiência respiratória
Comprometimento do tronco encefálico ou medula cervical, requerendo suporte ventilatório.
Síndrome de disfunção autonômica
Instabilidade cardiovascular, disfunção esfincteriana e distúrbios termorregulatórios.
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Epidemiologia
A incidência global de encefalite é de 1-7/100.000/ano, com maior frequência em crianças 65 anos. Etiologias virais predominam (40-50% dos casos), sendo HSV, enterovírus e arbovírus comuns; causas autoimunes respondem por 10-20%. Variações regionais existem, com arbovírus endêmicos em áreas tropicais. A mielite transversa tem incidência de 1-8/1.000.000/ano. Fatores de risco incluem imunossupressão, exposição a vetores e história de infecções.
Prognóstico
O prognóstico é variável, dependendo da etiologia, rapidez do diagnóstico e tratamento. Encefalites virais como por HSV têm mortalidade de 10-30% sem tratamento, reduzida com aciclovir precoce; sequelas neurológicas ocorrem em 20-50% dos sobreviventes. Mielites autoimunes podem ter recuperação parcial com imunoterapia, mas déficits motores persistentes são comuns. Fatores de bom prognóstico incluem início rápido do tratamento, ausência de coma e etiologia identificável. A reabilitação precoce melhora os desfechos funcionais.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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