CID F98: Outros transtornos comportamentais e emocionais com início habitualmente durante a infância ou a adolescência
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria F98 da CID-10 abrange transtornos emocionais e de comportamento que têm início habitual na infância e adolescência, não classificados em outras categorias específicas como F90-F98.8. Esses transtornos são caracterizados por padrões persistentes de comportamento emocional ou social desadaptativo, que interferem significativamente no funcionamento diário, desenvolvimento e relacionamentos interpessoais da criança. Incluem condições como transtorno de tique não especificado, enurese não orgânica, encoprese não orgânica, transtorno de alimentação na infância, pica, transtorno de estereotipia e transtorno de ansiedade de separação na infância, entre outros. A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais, neurobiológicos e psicossociais, com impacto variável na qualidade de vida e no prognóstico a longo prazo. Epidemiologicamente, são comuns na prática pediátrica, com prevalências que variam conforme o transtorno específico, afetando ambos os sexos em diferentes faixas etárias.
Descrição clínica
Os transtornos incluídos em F98 apresentam manifestações clínicas heterogêneas, dependendo do subtipo específico. Por exemplo, a enurese não orgânica caracteriza-se por micção involuntária repetida em locais inadequados após os 5 anos de idade, enquanto a encoprese envolve evacuação fecal inadequada. Transtornos de tique podem incluir movimentos ou vocalizações súbitas, rápidas e não rítmicas. O transtorno de ansiedade de separação manifesta-se por ansiedade excessiva e inadequada à separação de figuras de apego. Esses comportamentos são tipicamente persistentes, causam sofrimento clínico significativo e prejuízo no funcionamento social, acadêmico ou familiar. A apresentação pode ser aguda ou crônica, com variações sazonais ou situacionais, e frequentemente coexiste com outros transtornos mentais, como TDAH ou transtornos de ansiedade.
Quadro clínico
O quadro clínico é diversificado e depende do transtorno específico. Na enurese não orgânica (F98.0), observa-se micção involuntária durante o dia ou noite, em crianças com idade cronológica ou mental acima de 5 anos, sem causa orgânica. Na encoprese não orgânica (F98.1), há evacuação repetida de fezes em locais inadequados. Transtornos de alimentação na infância (F98.2) podem incluir recusa alimentar seletiva, regurgitação repetida ou pica (ingestão persistente de substâncias não nutritivas). Transtornos de tique (F98.2) envolvem tiques motores ou vocais. Outros, como transtorno de estereotipia (F98.4), apresentam movimentos repetitivos e não funcionais. O transtorno de ansiedade de separação (F98.8) caracteriza-se por ansiedade excessiva sobre a separação de figuras de apego, com sintomas físicos como cefaleia ou dor abdominal. Sintomas gerais incluem irritabilidade, isolamento social, prejuízo acadêmico e conflitos familiares, com duração mínima variável conforme o transtorno.
Complicações possíveis
Prejuízos psicossociais
Dificuldades acadêmicas, isolamento social, bullying e baixa autoestima devido ao estigma associado aos sintomas.
Desenvolvimento de comorbidades psiquiátricas
Risco aumentado de transtornos de ansiedade, depressão ou transtornos de conduta ao longo da vida.
Conflitos familiares
Estresse parental, disfunções nas relações familiares e sobrecarga do cuidador.
Complicações físicas
Em casos como pica, risco de intoxicações, obstruções intestinais ou deficiências nutricionais.
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Saiba maisEpidemiologia
A prevalência aggregate dos transtornos em F98 é estimada em 5-10% na população infantil global, com variações regionais e por subtipo. A enurese não orgânica afeta cerca de 5-10% das crianças aos 7 anos, com maior prevalência em meninos. Transtornos de tique têm prevalência de 1-3%, e transtornos de alimentação como pica são mais comuns em crianças com deficiências intelectuais. A distribuição por sexo varia: enurese é mais frequente em meninos, enquanto transtornos de ansiedade de separação podem ser igualmente prevalentes. Fatores de risco incluem história familiar, adversidades socioeconômicas e presença de outros transtornos mentais.
Prognóstico
O prognóstico é variável, dependendo do transtorno específico, gravidade dos sintomas, precocidade da intervenção e suporte psicossocial. Muitos casos, como enurese e transtornos de tique, tendem a resolver espontaneamente com a idade, enquanto outros, como transtornos de ansiedade de separação, podem persistir na idade adulta se não tratados. Intervenções precoces e multidisciplinares melhoram significativamente os desfechos, com taxas de remissão que variam de 50% a 80% em follow-ups de longo prazo. Fatores de bom prognóstico incluem suporte familiar adequado, ausência de comorbidades graves e adesão ao tratamento.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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