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CID F60: Transtornos específicos da personalidade
F600
Personalidade paranóica
F601
Personalidade esquizóide
F602
Personalidade dissocial
F603
Transtorno de personalidade com instabilidade emocional
F604
Personalidade histriônica
F605
Personalidade anancástica
F606
Personalidade ansiosa [esquiva]
F607
Personalidade dependente
F608
Outros transtornos específicos da personalidade
F609
Transtorno não especificado da personalidade
Mais informações sobre o tema:
Definição
Os transtornos específicos da personalidade são condições psiquiátricas caracterizadas por padrões persistentes e inflexíveis de experiência interna e comportamento que se desviam acentuadamente das expectativas culturais do indivíduo. Esses padrões manifestam-se em duas ou mais das seguintes áreas: cognição (formas de perceber e interpretar a si mesmo, os outros e os eventos), afetividade (amplitude, intensidade, labilidade e adequação da resposta emocional), funcionamento interpessoal e controle dos impulsos. Os transtornos são invasivos e inflexíveis, levando a sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes. Geralmente têm início na adolescência ou início da idade adulta, são estáveis ao longo do tempo e não são atribuíveis a outros transtornos mentais, uso de substâncias ou condições médicas gerais. A epidemiologia indica prevalência na população geral em torno de 6-13%, com variações conforme o tipo específico e o contexto cultural.
Descrição clínica
Os transtornos específicos da personalidade envolvem padrões duradouros de comportamento e experiência interna que são rígidos e desadaptativos, resultando em dificuldades significativas nas relações interpessoais, no trabalho e na autoimagem. Esses padrões são egossintônicos, ou seja, o indivíduo geralmente não percebe seus traços como problemáticos, atribuindo as dificuldades a fatores externos. A apresentação clínica varia conforme o tipo de transtorno, mas comummente inclui instabilidade emocional, impulsividade, desconfiança, necessidade de admiração ou isolamento social. O curso é crônico, com sintomas que persistem por anos, podendo ser exacerbados por estressores psicossociais.
Quadro clínico
O quadro clínico dos transtornos específicos da personalidade é heterogêneo, dependendo do tipo. No transtorno de personalidade borderline, observa-se instabilidade emocional, relacionamentos intensos e caóticos, impulsividade, automutilação e sentimentos crônicos de vazio. No transtorno de personalidade antissocial, há desrespeito e violação dos direitos alheios, falta de remorso e comportamento criminoso. No transtorno de personalidade esquiva, verifica-se inibição social, hipersensibilidade a críticas e evitação de atividades que envolvam contato interpessoal. No transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva, predominam perfeccionismo, rigidez e preocupação com ordem e controle. Sintomas comuns incluem dificuldades de adaptação, conflitos interpessoais recorrentes e prejuízo no funcionamento global, com início tipicamente na adolescência ou início da idade adulta.
Complicações possíveis
Comportamentos suicidas
Risco aumentado de ideação, tentativas e suicídio consumado, especialmente em transtorno de personalidade borderline.
Dependência química
Uso abusivo de álcool e outras drogas como mecanismo de coping, levando a piora do prognóstico.
Problemas legais e sociais
Envolvimento em atividades criminosas, dificuldades ocupacionais e isolamento social.
Comorbidades psiquiátricas
Desenvolvimento de transtornos depressivos, de ansiedade ou alimentares, complicando o tratamento.
Disfunção familiar
Conflitos relacionais crônicos, abuso e negligência, afetando a dinâmica familiar.
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A prevalência dos transtornos específicos da personalidade na população geral é estimada em 6% a 13%, com variações conforme o tipo e o método de avaliação. O transtorno de personalidade borderline é mais comum em mulheres (razão 3:1), enquanto o antissocial predomina em homens. A incidência é maior em ambientes clínicos, atingindo até 50% em serviços de saúde mental. Fatores de risco incluem história familiar, abuso na infância e baixo nível socioeconômico. A distribuição é global, com diferenças culturais na expressão dos sintomas.
Prognóstico
O prognóstico dos transtornos específicos da personalidade é variável, geralmente considerado reservado devido à cronicidade e rigidez dos padrões. Fatores prognósticos positivos incluem motivação para tratamento, suporte social adequado e ausência de comorbidades graves. Intervenções psicoterapênicas, como terapia dialética-comportamental para borderline, podem reduzir sintomas e melhorar o funcionamento ao longo de anos. No entanto, muitos indivíduos experimentam prejuízos persistentes, com taxas de remissão parcial em torno de 50% em follow-ups de longo prazo. O transtorno de personalidade antissocial tende a ter pior prognóstico, com alta taxa de reincidência criminal.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos para transtornos específicos da personalidade, conforme a CID-10 e o DSM-5, incluem: (1) Padrão persistente de experiência interna e comportamento que se desvia das expectativas culturais, manifestado em duas ou mais áreas: cognição, afetividade, funcionamento interpessoal e controle de impulsos. (2) O padrão é inflexível e permeia uma ampla gama de situações pessoais e sociais. (3) O padrão leva a sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes. (4) O padrão é estável e de longa duração, com início na adolescência ou início da idade adulta. (5) O padrão não é melhor explicado por outro transtorno mental, uso de substâncias ou condição médica geral. A CID-10 especifica subtipos como F60.0 (Paranoide), F60.1 (Esquizoide), F60.2 (Dissocial), F60.3 (Borderline), F60.4 (Histriônica), F60.5 (Anancástica), F60.6 (Ansiosa), F60.7 (Dependente) e F60.8 (Outros).
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Transtornos do humor
Episódios depressivos ou bipolares podem mimetizar traços de personalidade, mas são episódicos e respondem a tratamentos específicos, enquanto os transtornos de personalidade são pervasivos e estáveis.
DSM-5, American Psychiatric Association, 2013
Transtornos de ansiedade
Condições como transtorno de ansiedade generalizada podem coexistir, mas os transtornos de personalidade envolvem padrões inflexíveis de comportamento, não apenas sintomas de ansiedade situacional.
CID-10, OMS, 1992
Transtornos do espectro da esquizofrenia
Transtornos como esquizofrenia apresentam sintomas psicóticos proeminentes, enquanto nos transtornos de personalidade, os delírios ou alucinações são ausentes ou transitórios.
UpToDate, 'Personality disorders', 2023
Transtornos relacionados ao uso de substâncias
O uso crônico de drogas pode alterar o comportamento, mas os transtornos de personalidade persistem na abstinência e têm início precoce.
PubMed: 'Comorbidity of substance use and personality disorders', 2018
Transtornos do neurodesenvolvimento
Condições como transtorno do espectro autista podem ter sobreposição com traços de personalidade esquizoide, mas envolvem déficits na comunicação e interação social desde a infância.
Diretrizes Brasileiras de Psiquiatria, ABP, 2022
Exames recomendados
Entrevista clínica estruturada
Avaliação detalhada da história de vida, padrões comportamentais e funcionamento psicossocial, utilizando instrumentos como SCID-5-PD ou IPDE.
Estabelecer diagnóstico baseado em critérios operacionais e avaliar a pervasividade e estabilidade dos traços.
Avaliação psicológica
Aplicação de testes projetivos (ex.: Rorschach) e inventários de personalidade (ex.: MMPI-2, PAI).
Identificar traços de personalidade subjacentes, mecanismos de defesa e comorbidades.
Exames laboratoriais
Dosagem de TSH, vitamina B12, toxicologia urinária e hemograma completo.
Excluir condições médicas gerais ou uso de substâncias que possam mimetizar ou exacerbar sintomas.
Neuroimagem
Ressonância magnética cerebral ou PET scan em casos selecionados.
Avaliar alterações estruturais ou funcionais associadas a transtornos específicos, como em borderline ou antissocial.
Avaliação de comorbidades
Rastreamento para transtornos do humor, ansiedade e uso de substâncias com instrumentos como MINI.
Identificar condições coexistentes que requerem manejo integrado.
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Programas de apoio familiar e escolar para reduzir fatores de risco como abuso e negligência.
Psicoeducação
Educação sobre saúde mental em comunidades para identificar sinais iniciais e buscar tratamento.
Fortalecimento de resiliência
Promoção de habilidades de coping e suporte social desde a adolescência.
Vigilância e notificação
No Brasil, os transtornos específicos da personalidade não são de notificação compulsória, mas devem ser registrados em prontuários para fins epidemiológicos e planejamento em saúde mental. A vigilância é realizada por meio de sistemas como o SISAB (Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica), com foco na identificação precoce em serviços de atenção primária. Recomenda-se notificação de casos com risco iminente de suicídio ou violência, conforme diretrizes do Ministério da Saúde.
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Não há cura no sentido de eliminação completa, mas tratamentos podem levar a melhora significativa dos sintomas e do funcionamento, com remissão parcial em muitos casos após intervenções prolongadas.
Transtornos de personalidade são padrões pervasivos e estáveis de comportamento e experiência, enquanto transtornos do humor são episódicos, com flutuações no humor que respondem a tratamentos específicos; os primeiros têm início precoce e são egossintônicos.
Geralmente não, pois a personalidade ainda está em desenvolvimento; o diagnóstico é feito a partir dos 18 anos, mas traços podem ser identificados na adolescência com cautela.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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