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CID F50: Transtornos da alimentação

F500
Anorexia nervosa
F501
Anorexia nervosa atípica
F502
Bulimia nervosa
F503
Bulimia nervosa atípica
F504
Hiperfagia associada a outros distúrbios psicológicos
F505
Vômitos associados a outros distúrbios psicológicos
F508
Outros transtornos da alimentação
F509
Transtorno de alimentação não especificado

Mais informações sobre o tema:

Definição

Os transtornos da alimentação são condições psiquiátricas caracterizadas por perturbações persistentes no comportamento alimentar, associadas a alterações no consumo ou absorção de alimentos, que resultam em prejuízo significativo na saúde física e no funcionamento psicossocial. Esses transtornos envolvem distorções da imagem corporal, preocupação excessiva com peso e forma corporal, e comportamentos alimentares disfuncionais, como restrição alimentar severa, compulsão alimentar ou purgação. A fisiopatologia é multifatorial, incluindo fatores genéticos, neurobiológicos (como disfunções nos sistemas de neurotransmissores como serotonina e dopamina), psicológicos (como baixa autoestima e perfeccionismo) e socioculturais (como pressão por magreza). Epidemiologicamente, são mais prevalentes em adolescentes e adultos jovens, com maior incidência em mulheres, e estão associados a altas taxas de comorbidades psiquiátricas e mortalidade, destacando-se como um problema de saúde pública relevante.

Descrição clínica

Os transtornos da alimentação manifestam-se por uma variedade de sintomas que incluem alterações no padrão alimentar, como restrição calórica extrema, episódios de compulsão alimentar, comportamentos compensatórios (vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, exercício excessivo), e preocupação obsessiva com peso e forma corporal. Clinicamente, podem apresentar sinais de desnutrição (emagrecimento, hipotermia, bradicardia), complicações gastrointestinais, distúrbios eletrolíticos e alterações endócrinas. O curso é frequentemente crônico e recidivante, com impacto severo na qualidade de vida e funcionamento social.

Quadro clínico

O quadro clínico varia conforme o subtipo, mas geralmente inclui perda de peso significativa ou flutuações ponderales, medo intenso de ganhar peso, distorção da imagem corporal, e comportamentos alimentares anormais. Na anorexia nervosa, predominam restrição alimentar e emagrecimento; na bulimia nervosa, episódios de compulsão alimentar seguidos de purgação; no transtorno de compulsão alimentar, compulsões sem comportamentos compensatórios regulares. Sintomas físicos comuns são fadiga, tonturas, pele seca, unhas quebradiças, lanugo, e em casos graves, insuficiência orgânica. Sintomas psicológicos incluem depressão, ansiedade, irritabilidade e isolamento social.

Complicações possíveis

Desequilíbrios eletrolíticos

Hipocalemia, hiponatremia e alcalose metabólica, podendo levar a arritmias cardíacas e morte súbita.

Complicações cardiovasculares

Bradicardia, hipotensão, miocardiopatia e prolapso da valva mitral, com risco aumentado de insuficiência cardíaca.

Osteoporose

Redução da densidade óssea devido à desnutrição e hipoestrogenismo, aumentando o risco de fraturas.

Complicações gastrointestinais

Dilatação gástrica, constipação, síndrome de Mallory-Weiss e pancreatite.

Comorbidades psiquiátricas

Depressão maior, transtornos de ansiedade e risco elevado de suicídio.

Epidemiologia

A prevalência global de transtornos da alimentação é estimada em 1-4% para mulheres e 0,3-0,7% para homens, com pico de incidência na adolescência e início da idade adulta. Anorexia nervosa tem incidência anual de 8-13 casos por 100.000 pessoas, e bulimia nervosa de 12-20 por 100.000. Fatores de risco incluem sexo feminino, história familiar, transtornos psiquiátricos prévios e exposição a ideais de magreza. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam aumento nas hospitalizações relacionadas, refletindo subnotificação e necessidade de vigilância.

Prognóstico

O prognóstico é variável, com taxas de recuperação de cerca de 50% para anorexia nervosa e 70% para bulimia nervosa em longo prazo. Fatores de bom prognóstico incluem diagnóstico precoce, adesão ao tratamento, suporte familiar e ausência de comorbidades graves. Complicações médicas e cronicidade podem levar a mortalidade de 5-10% para anorexia nervosa, principalmente por causas cardíacas ou suicídio. A recaída é comum, exigindo manejo contínuo.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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