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CID F30: Episódio maníaco
F300
Hipomania
F301
Mania sem sintomas psicóticos
F302
Mania com sintomas psicóticos
F308
Outros episódios maníacos
F309
Episódio maníaco não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
O episódio maníaco é um transtorno do humor caracterizado por um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, e aumento da energia ou atividade, com duração de pelo menos uma semana (ou qualquer duração se a hospitalização for necessária). É um componente central dos transtornos bipolares, representando a fase de euforia ou agitação. A fisiopatologia envolve desregulações nos sistemas neurotransmissores, particularmente dopaminérgico e noradrenérgico, além de alterações nos circuitos límbicos e pré-frontais. Epidemiologicamente, é mais comum em adultos jovens, com prevalência ao longo da vida em torno de 1-2% para transtorno bipolar tipo I, e impacta significativamente a funcionalidade social e ocupacional.
Descrição clínica
O episódio maníaco manifesta-se por humor elevado ou irritável, associado a pelo menos três dos seguintes sintomas (quatro se o humor for apenas irritável): autoestima inflada ou grandiosidade, redução da necessidade de sono, mais loquaz que o habitual, fuga de ideias ou experiência subjetiva de aceleração do pensamento, distratibilidade, aumento da atividade dirigida a objetivos ou agitação psicomotora, e envolvimento excessivo em atividades com alto potencial para consequências dolorosas. O quadro pode variar de leve (hipomania) a grave com características psicóticas, exigindo intervenção urgente.
Quadro clínico
Pacientes apresentam humor eufórico ou irritável, logorreia, agitação psicomotora, grandiosidade (podendo chegar a delírios), redução da necessidade de sono (e.g., dormindo apenas 2-3 horas sem sentir cansaço), distratibilidade, e envolvimento em comportamentos de risco (gastos excessivos, investimentos imprudentes, promiscuidade sexual). Em formas graves, podem ocorrer sintomas psicóticos (delírios de grandeza ou perseguição) e prejuízo severo da funcionalidade, necessitando de hospitalização.
Complicações possíveis
Comportamentos de risco
Envolvimento em atividades perigosas como dirigir em alta velocidade, gastos financeiros excessivos ou promiscuidade sexual, levando a consequências legais, financeiras ou de saúde.
Prejuízo psicossocial
Deterioração de relacionamentos interpessoais, perda de emprego ou dificuldades acadêmicas devido à impulsividade e agitação.
Suicídio ou automutilação
Risco aumentado de ideação suicida ou tentativas, especialmente durante a transição para a depressão ou em episódios mistos.
Psicose
Desenvolvimento de delírios ou alucinações, requerendo intervenção farmacológica intensiva e possivelmente hospitalização.
Abuso de substâncias
Uso aumentado de álcool ou drogas para automedicação, exacerbando os sintomas e complicando o tratamento.
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A prevalência do transtorno bipolar tipo I (que inclui episódios maníacos) é de aproximadamente 1% na população geral, com início tipicamente entre 15-30 anos. Não há diferença significativa entre sexos, mas o curso pode ser mais grave em homens. Fatores de risco incluem história familiar, eventos estressantes e comorbidades psiquiátricas.
Prognóstico
O prognóstico varia; com tratamento adequado, a maioria dos pacientes apresenta remissão dos sintomas em semanas, mas recorrências são comuns em transtorno bipolar. Fatores como adesão ao tratamento, suporte social e ausência de comorbidades melhoram o desfecho. Episódios não tratados podem levar a cronicidade e prejuízo funcional significativo.
Critérios diagnósticos
Segundo a CID-10, o diagnóstico requer um período distinto de humor elevado, expansivo ou irritável, com aumento da energia/atividade, durando pelo menos uma semana (ou qualquer duração se hospitalização for necessária). Devem estar presentes pelo menos três dos seguintes sintomas (quatro se o humor for apenas irritável): 1) aumento da autoestima ou grandiosidade, 2) redução da necessidade de sono, 3) mais falante que o habitual ou pressão para falar, 4) fuga de ideias ou pensamento acelerado, 5) distratibilidade, 6) aumento da atividade voluntária ou agitação psicomotora, 7) envolvimento excessivo em atividades prazerosas com alto potencial para consequências dolorosas. O episódio não é atribuível a substâncias ou condições médicas gerais.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Episódio hipomaníaco (F30.0)
Semelhante ao episódio maníaco, mas com sintomas menos graves, sem prejuízo significativo da funcionalidade ou necessidade de hospitalização, e duração de pelo menos 4 dias.
CID-10, Capítulo V, F30.0
Transtorno esquizoafetivo (F25)
Combina sintomas afetivos (mania ou depressão) com sintomas psicóticos proeminentes que persistem na ausência dos sintomas afetivos.
CID-10, Capítulo V, F25
Transtorno devido ao uso de substâncias (F1x.5)
Sintomas maníacos induzidos por substâncias como cocaína, anfetaminas ou corticosteroides, com evidência de uso recente.
CID-10, Capítulo V, F1x.5
Transtorno de personalidade borderline (F60.3)
Pode apresentar labilidade afetiva e impulsividade, mas os episódios são geralmente mais curtos e reativos a estressores, sem o padrão distinto de mania.
CID-10, Capítulo V, F60.3
Hipertireoidismo (E05)
Pode simular sintomas de agitação, ansiedade e insônia, mas associado a sinais físicos como taquicardia, perda de peso e tremor.
CID-10, Capítulo IV, E05
Exames recomendados
Avaliação clínica e psiquiátrica
Entrevista clínica estruturada para avaliar critérios diagnósticos, história pregressa e funcionalidade.
Estabelecer diagnóstico baseado em critérios clínicos e excluir outras causas.
Exames laboratoriais (hemograma, função tireoidiana, eletrólitos, função hepática e renal)
Testes de sangue para descartar condições médicas gerais que possam mimetizar ou precipitar mania.
Excluir causas orgânicas como distúrbios endócrinos ou metabólicos.
Toxicologia urinária
Triagem para substâncias psicoativas como anfetaminas, cocaína ou alucinógenos.
Identificar uso de substâncias que possam induzir sintomas maníacos.
EEG (eletroencefalograma)
Avaliação da atividade elétrica cerebral, especialmente se houver suspeita de epilepsia ou encefalopatia.
Descarte de condições neurológicas que possam apresentar sintomas psiquiátricos.
Neuroimagem (TC ou RM de crânio)
Imagens cerebrais para investigar lesões estruturais, tumores ou outras anormalidades.
Excluir causas orgânicas como tumores ou doenças neurodegenerativas.
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Uso contínuo de estabilizadores de humor como lítio ou valproato para prevenir recorrências de episódios maníacos.
Monitoramento de sinais prodrômicos
Identificação precoce de sintomas como redução do sono ou aumento da energia para intervenção rápida e evitar episódios completos.
Evitar desencadeantes
Redução de estressores psicossociais, privação de sono e uso de substâncias psicoativas que podem precipitar mania.
Acompanhamento psiquiátrico regular
Consultas frequentes para ajuste de medicação, avaliação de comorbidades e suporte contínuo.
Vigilância e notificação
Não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas a vigilância é feita através de sistemas de saúde mental para monitorar surtos e eficácia de intervenções. Em casos de risco iminente à própria vida ou de terceiros, a internação involuntária pode ser necessária e deve ser documentada.
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O episódio maníaco é mais grave, com duração mínima de uma semana (ou qualquer duração se hospitalização for necessária), causando prejuízo significativo na funcionalidade ou necessitando hospitalização, e pode incluir sintomas psicóticos. Já o hipomaníaco tem duração de pelo menos 4 dias, é menos grave, sem prejuízo marcante ou necessidade de hospitalização, e não apresenta sintomas psicóticos.
Sim, o episódio maníaco é definidor do transtorno bipolar tipo I. No entanto, episódios isolados podem ocorrer devido a outras causas, como uso de substâncias ou condições médicas, mas para diagnóstico de bipolaridade, deve haver história de episódios maníacos ou mistos.
Riscos incluem comportamentos perigosos (e.g., acidentes, gastos excessivos), agressividade, suicídio, deterioração de relações sociais e laborais, e desenvolvimento de psicose, necessitando intervenção urgente para evitar danos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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