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CID F28: Outros transtornos psicóticos não-orgânicos
F28
Outros transtornos psicóticos não-orgânicos
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria F28 da CID-10 abrange transtornos psicóticos que não se enquadram em diagnósticos específicos como esquizofrenia (F20), transtornos delirantes persistentes (F22) ou transtornos psicóticos agudos e transitórios (F23), e que não são atribuíveis a causas orgânicas identificáveis (como doenças cerebrais, uso de substâncias ou condições médicas gerais). Esses transtornos são caracterizados por sintomas psicóticos proeminentes, como delírios, alucinações, pensamento desorganizado ou comportamento gravemente desorganizado, mas com características clínicas atípicas ou mistas que impedem uma classificação mais precisa. A fisiopatologia envolve disfunções nos sistemas de neurotransmissores (especialmente dopaminérgico e glutamatérgico), anormalidades na conectividade neural e fatores genéticos e ambientais, semelhantes a outros transtornos psicóticos, mas com apresentações heterogêneas. O impacto clínico inclui prejuízos significativos no funcionamento social, ocupacional e pessoal, com risco aumentado de comorbidades psiquiátricas e necessidade de intervenção terapêutica prolongada. Epidemiologicamente, é uma categoria residual com prevalência estimada em menos de 0,1% da população geral, mais comum em adultos jovens e com distribuição similar entre gêneros, embora dados sejam limitados devido à sua natureza não-específica.
Descrição clínica
Transtornos psicóticos com sintomas como delírios (crenças fixas e falsas), alucinações (percepções sensoriais sem estímulo externo), discurso desorganizado (incoerência ou fuga de ideias) ou comportamento catatônico ou gravemente desorganizado, que não satisfazem critérios completos para esquizofrenia, transtornos delirantes persistentes ou transtornos psicóticos agudos. Podem incluir características mistas de diferentes transtornos psicóticos, como sintomas afetivos proeminentes sem preencher critérios para transtornos do humor psicóticos, ou sintomas psicóticos atípicos com duração variável. A apresentação clínica é heterogênea, muitas vezes com início insidioso ou agudo, e curso flutuante, exigindo avaliação longitudinal para exclusão de causas orgânicas.
Quadro clínico
O quadro clínico varia, podendo incluir: delírios persecutórios, grandiosos ou somáticos; alucinações auditivas (mais comuns) ou visuais; pensamento desorganizado manifestado por discurso incoerente ou tangencial; comportamento desorganizado ou catatônico; e sintomas negativos como embotamento afetivo ou isolamento social. Sintomas afetivos (depressão ou mania) podem estar presentes sem dominar o quadro. A duração é geralmente superior a um mês, mas não atende aos critérios de cronicidade da esquizofrenia. O funcionamento social e ocupacional está significativamente comprometido, com possível risco de autoagressão ou agressividade.
Complicações possíveis
Prejuízo funcional crônico
Dificuldades persistentes em atividades sociais, ocupacionais e de autocuidado, levando a isolamento e dependência.
Comorbidades psiquiátricas
Risco aumentado de transtornos depressivos, ansiosos ou por uso de substâncias, agravando o prognóstico.
Comportamentos de risco
Autoagressão, ideação suicida ou agressividade, necessitando de monitoramento e intervenção de segurança.
Efeitos adversos de medicamentos
Complicações como síndrome metabólica, discinesia tardia ou sedação excessiva devido ao uso prolongado de antipsicóticos.
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Prevalência estimada em menos de 0,1% na população geral, sendo uma categoria residual com dados epidemiológicos limitados. Mais comum em adultos jovens (20-40 anos), com distribuição similar entre homens e mulheres. Fatores de risco incluem história familiar de transtornos psicóticos, eventos estressores de vida e baixo nível socioeconômico. Não há dados robustos sobre incidência ou variações geográficas significativas.
Prognóstico
Variável, dependendo da gravidade dos sintomas, adesão ao tratamento e suporte psicossocial. Em geral, o prognóstico é moderado, com alguns pacientes apresentando remissão parcial ou completa, enquanto outros evoluem com cronicidade e prejuízos funcionais. Fatores de bom prognóstico incluem início agudo, bom funcionamento pré-mórbido, suporte familiar adequado e resposta precoce à terapia. A mortalidade pode estar aumentada devido a suicídio ou comorbidades, exigindo acompanhamento a longo prazo.
Critérios diagnósticos
Diagnóstico baseado nos critérios da CID-10: presença de sintomas psicóticos (delírios, alucinações, pensamento desorganizado, comportamento desorganizado ou catatônico) que não satisfazem critérios para F20-F27 (excluindo F23 se duração > 1 mês ou características atípicas). Exclusão de causas orgânicas (por história, exame físico e exames complementares) e de transtornos devido ao uso de substâncias (F10-F19). A avaliação deve incluir entrevista clínica detalhada, escalas de avaliação psicopatológica (ex.: PANSS) e acompanhamento longitudinal para confirmar a estabilidade do quadro.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Esquizofrenia (F20)
Caracterizada por sintomas psicóticos contínuos por pelo menos seis meses, com prejuízo funcional significativo, diferenciando-se pela duração e critérios específicos de sintomas negativos e desorganização.
OMS. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10ª revisão. 2016.
Transtornos delirantes persistentes (F22)
Delírios sistematizados e persistentes por pelo menos três meses, sem outros sintomas psicóticos proeminentes como alucinações ou desorganização grave.
OMS. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10ª revisão. 2016.
Transtornos psicóticos agudos e transitórios (F23)
Sintomas psicóticos de início agudo (dentro de duas semanas) e duração breve (geralmente menos de um mês), com recuperação completa, contrastando com curso mais prolongado ou atípico em F28.
OMS. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10ª revisão. 2016.
Transtornos do humor com sintomas psicóticos (F30-F39)
Sintomas psicóticos ocorrendo exclusivamente durante episódios maníacos ou depressivos graves, com predominância de sintomas afetivos.
American Psychiatric Association. DSM-5. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª ed. 2013.
Transtornos psicóticos orgânicos (F06)
Sintomas psicóticos diretamente atribuíveis a condições médicas gerais (ex.: doenças neurológicas, metabólicas) ou uso de substâncias, excluídos por avaliação clínica e exames.
OMS. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10ª revisão. 2016.
Exames recomendados
Entrevista clínica e avaliação psiquiátrica
Avaliação detalhada de sintomas, história pessoal e familiar, e funcionamento psicossocial.
Estabelecer diagnóstico clínico, excluir outras condições e planejar tratamento.
Rastreamento de sintomas prodrômicos em populações vulneráveis (ex.: história familiar, trauma) para intervenção oportuna.
Redução de estressores ambientais
Promoção de ambientes de suporte, manejo do estresse e prevenção de abuso de substâncias.
Educação em saúde mental
Campanhas para reduzir estigma e aumentar a busca por tratamento em casos iniciais de sintomas psicóticos.
Vigilância e notificação
Não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas o monitoramento é recomendado em serviços de saúde mental para planejamento de cuidados. A vigilância inclui registro em prontuários eletrônicos, acompanhamento de desfechos clínicos e prevenção de complicações. Em surtos ou casos atípicos, notificação às autoridades de saúde pode ser considerada para investigação epidemiológica.
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F28 inclui transtornos psicóticos que não preenchem critérios completos para esquizofrenia, como duração inferior a seis meses ou sintomas atípicos, sendo uma categoria residual para casos não classificáveis em F20-F27.
Não há cura definitiva, mas o tratamento com antipsicóticos e terapias psicossociais pode levar à remissão dos sintomas e melhora funcional em muitos pacientes, embora alguns evoluam com cronicidade.
Através de avaliação clínica detalhada, exames laboratoriais (ex.: hemograma, perfil metabólico), neuroimagem (ressonância magnética) e EEG, para afastar condições como tumores, infecções ou distúrbios metabólicos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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