Consulte o CID10 - Sanar Pós

CID F11: Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos

F110
Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - intoxicação aguda
F111
Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - uso nocivo para a saúde
F112
Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - síndrome de dependência
F113
Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - síndrome [estado] de abstinência
F114
Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - síndrome de abstinência com delirium
F115
Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - transtorno psicótico
F116
Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - síndrome amnésica
F117
Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - transtorno psicótico residual ou de instalação tardia
F118
Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - outros transtornos mentais ou comportamentais
F119
Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos - transtorno mental ou comportamental não especificado

Mais informações sobre o tema:

Definição

Os transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos referem-se a um grupo de condições clínicas caracterizadas por padrões disfuncionais de consumo de substâncias opiáceas, resultando em prejuízos significativos na saúde física, mental e no funcionamento psicossocial. Esses transtornos são classificados na CID-10 no capítulo de transtornos mentais e comportamentais, abrangendo desde o uso nocivo até a síndrome de dependência e estados psicóticos induzidos por opiáceos. A fisiopatologia envolve a interação dos opiáceos com receptores mu, delta e kappa no sistema nervoso central, levando a alterações neuroadaptativas, como tolerância, dependência e sintomas de abstinência, que perpetuam o ciclo de uso. Epidemiologicamente, esses transtornos representam um grave problema de saúde pública, com alta morbidade e mortalidade devido a overdose, infecções e comorbidades psiquiátricas, exigindo abordagens integradas de prevenção e tratamento.

Descrição clínica

A descrição clínica inclui uma variedade de manifestações que variam de acordo com o padrão de uso, dose e vulnerabilidade individual. Os pacientes podem apresentar euforia inicial seguida de sedação, constipação, miose e depressão respiratória em casos agudos. Em uso crônico, observa-se desenvolvimento de tolerância, síndrome de dependência com craving intenso, e abstinência caracterizada por ansiedade, insônia, dores musculares, náuseas, diarreia e piloereção. Complicações frequentes incluem overdose com risco de morte, infecções como HIV e hepatites por uso injetável, e transtornos psiquiátricos comórbidos, como depressão e ansiedade. O curso é frequentemente crônico e recidivante, com impactos severos nas relações interpessoais, ocupacionais e legais.

Quadro clínico

O quadro clínico varia de acordo com a fase: intoxicação aguda com euforia, sedação, miose, depressão respiratória e risco de overdose; uso crônico com tolerância, dependência, prejuízos sociais e ocupacionais; e abstinência com sintomas como ansiedade, agitação, insônia, dores abdominais, náuseas, vômitos, diarreia, piloereção, lacrimejamento e rinorreia. Podem ocorrer transtornos psicóticos induzidos, com alucinações ou delírios, e condições médicas associadas, como constipação crônica, endocardite e abscessos. A apresentação pode ser complicada por politoxicomania e comorbidades psiquiátricas, exigindo avaliação abrangente.

Complicações possíveis

Overdose

Depressão respiratória grave, coma e morte devido a doses elevadas de opiáceos.

Síndrome de abstinência

Conjunto de sintomas físicos e psicológicos que podem levar a recaídas e sofrimento significativo.

Infecções

Endocardite, abscessos, HIV e hepatites por uso de agulhas contaminadas.

Transtornos psiquiátricos

Depressão, ansiedade e psicoses induzidas ou exacerbadas pelo uso de opiáceos.

Problemas sociais e legais

Perda de emprego, conflitos familiares e envolvimento com o sistema judicial.

Epidemiologia

Globalmente, os transtornos por uso de opiáceos afetam milhões de pessoas, com prevalência maior em regiões com alta disponibilidade de opiáceos prescritos ou ilícitos. No Brasil, há um aumento preocupante no uso de opiáceos, especialmente em contextos urbanos. Fatores de risco incluem história familiar, trauma na infância e acesso fácil a substâncias. A epidemiologia é marcada por disparidades socioeconômicas e altas taxas de comorbidade com outros transtornos por uso de substâncias.

Prognóstico

O prognóstico é variável, influenciado por fatores como duração do uso, presença de suporte social, adesão ao tratamento e comorbidades. Com intervenções adequadas, incluindo terapia de substituição e suporte psicossocial, a remissão é possível, mas as taxas de recaída são altas. Complicações como overdose e infecções aumentam a mortalidade. O prognóstico é melhor em programas de tratamento integrados e de longo prazo.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.

Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀