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CID F07: Transtornos de personalidade e do comportamento devidos a doença, a lesão e a disfunção cerebral
F070
Transtorno orgânico da personalidade
F071
Síndrome pós-encefalítica
F072
Síndrome pós-traumática
F078
Outros transtornos orgânicos da personalidade e do comportamento devidos a doença cerebral, lesão e disfunção
F079
Transtorno orgânico não especificado da personalidade e do comportamento devido a doença cerebral, lesão e disfunção
Mais informações sobre o tema:
Definição
Os transtornos de personalidade e de comportamento devidos a doença cerebral, classificados no CID-10 sob o código F07, referem-se a alterações persistentes e clinicamente significativas na personalidade, no comportamento ou nas emoções, diretamente atribuíveis a uma doença, lesão ou disfunção cerebral. Esses transtornos não são parte de uma condição psiquiátrica primária, como esquizofrenia ou transtornos de humor, mas resultam de danos orgânicos ao cérebro, como os decorrentes de traumatismo craniano, infecções, doenças neurodegenerativas, acidente vascular cerebral ou tumores. A fisiopatologia envolve disfunções em circuitos neuronais, particularmente nas regiões pré-frontais, límbicas e frontais, que regulam o controle emocional, a impulsividade e o comportamento social. Epidemiologicamente, são mais comuns em idosos devido à maior prevalência de doenças cerebrovasculares e neurodegenerativas, mas podem ocorrer em qualquer faixa etária, com impacto significativo na qualidade de vida e no funcionamento social e ocupacional.
Descrição clínica
A descrição clínica abrange alterações persistentes na personalidade, como labilidade emocional, irritabilidade, apatia, desinibição social, impulsividade, e prejuízos no julgamento e no planejamento. Essas mudanças são diretamente ligadas a uma etiologia cerebral orgânica identificável, podendo incluir sintomas como agressividade, euforia inadequada, ou perseveração. O curso é geralmente crônico e estável, mas pode progredir se a doença cerebral subjacente for degenerativa. A avaliação requer exclusão de transtornos psiquiátricos primários e confirmação da relação temporal com a lesão cerebral.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui alterações persistentes na personalidade, como desinibição (comportamentos socialmente inadequados), apatia (perda de iniciativa e interesse), irritabilidade, labilidade emocional (mudanças rápidas de humor), impulsividade, e prejuízos cognitivos leves (ex.: dificuldades de atenção e memória). Sintomas adicionais podem ser agressividade, euforia, ou perseveração. Essas manifestações surgem após o início da doença cerebral e persistem por meses ou anos, causando impacto significativo nas relações interpessoais e no funcionamento diário.
Complicações possíveis
Deterioração das relações interpessoais
Desinibição e irritabilidade podem levar a conflitos familiares e sociais.
Prejuízo ocupacional
Alterações comportamentais resultam em baixo desempenho no trabalho ou perda de emprego.
Risco aumentado de comportamentos de risco
Impulsividade pode levar a acidentes, uso de substâncias ou atividades perigosas.
Sobrecarga do cuidador
Mudanças na personalidade exigem suporte contínuo, causando estresse em familiares.
Comorbidades psiquiátricas
Desenvolvimento de depressão, ansiedade ou agravamento de sintomas devido à frustração e isolamento.
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A prevalência é estimada em 1-2% na população geral, mas é maior em grupos com doenças cerebrovasculares, traumatismos ou neurodegenerações. Idosos são mais afetados devido à maior incidência de AVC e demências. Homens podem ter risco aumentado por maior exposição a traumatismos. Dados brasileiros são escassos, mas seguem tendências globais, com subnotificação comum.
Prognóstico
O prognóstico varia conforme a etiologia subjacente; é geralmente reservado, com curso crônico e pouca reversibilidade, especialmente em doenças degenerativas. Em casos de lesões estáveis (ex.: pós-TCE), pode haver estabilização ou leve melhora com intervenções. Fatores negativos incluem gravidade da lesão, comorbidades e falta de suporte social. Intervenções precoces podem mitigar impactos funcionais.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos, conforme o CID-10, exigem: (1) Evidência de doença, lesão ou disfunção cerebral (confirmada por história, exame físico ou exames complementares); (2) Alteração persistente e clinicamente significativa na personalidade ou no comportamento, com pelo menos um dos seguintes: labilidade emocional, irritabilidade, apatia, desinibição, ou outros traços como suspeição ou alterações cognitivas; (3) A alteração não é melhor explicada por outro transtorno mental (ex.: demência, delirium, esquizofrenia); (4) Início temporal relacionado à doença cerebral. A confirmação often envolve neuroimagem, testes neuropsicológicos e avaliação psiquiátrica.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Demência
Caracteriza-se por declínio cognitivo progressivo e global (ex.: memória, linguagem), enquanto F07 foca em alterações de personalidade sem necessariamente déficit cognitivo grave. Referência: OMS, CID-10.
Organização Mundial da Saúde. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª revisão. Genebra: OMS; 1992.
Transtornos de personalidade primários
São condições de longa data sem etiologia orgânica identificável, iniciadas na adolescência ou idade adulta jovem, diferindo de F07 que tem início após doença cerebral. Referência: DSM-5.
American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed. Arlington, VA: American Psychiatric Publishing; 2013.
Delirium
Apresenta alteração aguda e flutuante da consciência e cognição, com duração breve, enquanto F07 é crônico e estável. Referência: UpToDate.
Inouye SK. Delirium in hospitalized older adults. UpToDate; 2023.
Transtornos de humor (ex.: depressão maior)
Podem causar alterações comportamentais, mas geralmente têm curso episódico e resposta a tratamentos específicos, sem relação direta com lesão cerebral. Referência: PubMed.
Kupfer DJ, et al. Major depressive disorder: new clinical, neurobiological, and treatment perspectives. Lancet. 2012;379(9820):1045-55.
Transtornos relacionados ao uso de substâncias
Alterações de personalidade podem ocorrer, mas estão diretamente ligadas ao consumo de drogas ou álcool, e não a uma doença cerebral estrutural. Referência: ANVISA.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Diretrizes para o tratamento de transtornos por uso de substâncias. Brasília: ANVISA; 2015.
Exames recomendados
Ressonância magnética cerebral
Exame de imagem para detectar lesões estruturais, como tumores, atrofia, ou alterações pós-AVC.
Confirmar etiologia cerebral orgânica e localizar áreas afetadas.
Tomografia computadorizada cerebral
Alternativa à RM para identificar hemorragias, massas ou atrofia cerebral.
Avaliar rapidamente presença de anormalidades estruturais.
Avaliação neuropsicológica
Testes padronizados para funções executivas, memória, atenção e comportamento.
Quantificar alterações cognitivas e comportamentais, auxiliando no diagnóstico diferencial.
Eletroencefalograma
Registro da atividade elétrica cerebral.
Detectar anomalias epilépticas ou encefalopatias que possam contribuir para os sintomas.
Capacetes em atividades de risco para prevenir traumatismo craniano.
Controle de fatores de risco vascular
Manejo de hipertensão, diabetes e dislipidemia para reduzir AVC.
Evitar exposição a toxinas
Limitar consumo de álcool e evitar drogas neurotóxicas.
Estimulação cognitiva
Atividades mentais para promover reserva cognitiva e retardar degeneração.
Vigilância e notificação
No Brasil, não é de notificação compulsória, mas a vigilância é recomendada em serviços de saúde mental e neurologia para monitorar tendências. A notificação pode ser feita em sistemas como o SINAN para casos associados a causas específicas (ex.: traumatismos). Profissionais devem documentar detalhes da etiologia cerebral para fins epidemiológicos.
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F07 é secundário a uma doença cerebral orgânica identificável, com início após o evento cerebral, enquanto transtornos de personalidade primários são condições de longa data sem causa orgânica direta, geralmente iniciadas mais cedo na vida.
Geralmente não é reversível, pois envolve danos cerebrais permanentes, mas os sintomas podem ser controlados com tratamento farmacológico e não farmacológico, melhorando a qualidade de vida.
Neuroimagem (como RM cerebral) e avaliação neuropsicológica são cruciais para confirmar a etiologia cerebral e quantificar as alterações comportamentais, além de excluir outras condições.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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