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CID I81: Trombose da veia porta

I81
Trombose da veia porta

Mais informações sobre o tema:

Definição

A trombose da veia porta (TVP) é uma condição caracterizada pela formação de um trombo (coágulo sanguíneo) no lúmen da veia porta, principal vaso que drena o sangue venoso do trato gastrointestinal, baço, pâncreas e vesícula biliar para o fígado. Esta obstrução parcial ou completa compromete o fluxo sanguíneo portal, levando a hipertensão portal, que pode se manifestar clinicamente por ascite, varizes esofagogástricas, esplenomegalia e encefalopatia hepática. A TVP pode ser classificada como aguda (com sintomas súbitos como dor abdominal e sepse) ou crônica (com desenvolvimento de circulação colateral e hipertensão portal). Etiologicamente, a TVP é frequentemente associada a estados de hipercoagulabilidade, como trombofilias hereditárias (ex.: mutação do fator V de Leiden, deficiência de proteína C ou S), síndromes mieloproliferativas (ex.: policitemia vera, trombocitemia essencial), cirrose hepática, neoplasias abdominais (especialmente hepatocarcinoma ou pancreático), infecções intra-abdominais (ex.: diverticulite, apendicite) e condições inflamatórias (ex.: pancreatite, doença de Crohn). Em crianças, causas comuns incluem infecções umbilicais e cateteres venosos umbilicais. A epidemiologia da TVP varia conforme a população estudada. Em países ocidentais, a incidência é estimada em 2-4 casos por 100.000 habitantes/ano, sendo mais comum em adultos com cirrose hepática ou neoplasias. Em regiões endêmicas para esquistossomose, a TVP é uma causa frequente de hipertensão portal não-cirrótica. O prognóstico depende da etiologia subjacente, extensão do trombo e presença de complicações como hemorragia digestiva ou infarto hepático.

Descrição clínica

A apresentação clínica da TVP é heterogênea, variando de assintomática (especialmente na forma crônica) a sintomas agudos graves. Na forma aguda, os pacientes podem apresentar dor abdominal súbita (geralmente no quadrante superior direito ou epigástrio), febre, náuseas, vômitos e diarreia, simulando um abdome agudo. Sinais de sepse podem ocorrer se houver infecção associada. Na forma crônica, os sintomas são decorrentes da hipertensão portal estabelecida: ascite, hemorragia digestiva alta por ruptura de varizes esofagogástricas, esplenomegalia com hiperesplenismo (anemia, leucopenia, trombocitopenia) e encefalopatia hepática. Exame físico pode revelar sensibilidade abdominal, hepatomegalia (às vezes dolorosa), esplenomegalia e sinais de colateralização venosa abdominal (cabeça de medusa).

Quadro clínico

Agudo: dor abdominal, febre, náuseas/vômitos, diarreia, sepse (se infecção). Crônico: ascite, hematêmese/melena por sangramento varicoso, esplenomegalia, fadiga, perda de peso, encefalopatia (confusão, asterixis). Pode ser assintomático e detectado incidentalmente em exames de imagem.

Complicações possíveis

Hemorragia digestiva alta

Ruptura de varizes esofagogástricas, levando a hematêmese ou melena com risco de choque hipovolêmico.

Infarto hepático ou intestinal

Isquemia aguda devido à oclusão vascular, podendo causar necrose e sepse.

Hipertensão portal crônica

Com ascite refratária, encefalopatia hepática e hiperesplenismo.

Sepse ou abscesso hepático

Infecção bacteriana secundária ao trombo ou procedimentos invasivos.

Trombose extensa ou recidivante

Progressão para veias mesentéricas ou esplênicas, aumentando morbidade.

Epidemiologia

A incidência global é estimada em 2-4 casos por 100.000 habitantes/ano, com maior prevalência em adultos (pico na 5ª-6ª décadas) e associação com cirrose (até 25% dos casos) ou neoplasias. Em crianças, é rara, associada a infecções ou cateteres. Distribuição geográfica varia: em países em desenvolvimento, esquistossomose é uma causa comum; em países desenvolvidos, trombofilias e síndromes mieloproliferativas predominam. Fatores de risco incluem obesidade, tabagismo, uso de anticoncepcionais orais e história familiar de trombose.

Prognóstico

O prognóstico varia conforme a etiologia e presença de complicações. Na TVP aguda sem cirrose, a sobrevida em 5 anos pode exceder 80% com tratamento antitrombótico adequado. Em pacientes com cirrose ou neoplasia maligna, o prognóstico é pior, com sobrevida reduzida devido à doença de base. Complicações como hemorragia digestiva ou infarto hepático aumentam a mortalidade. A recanalização espontânea ou induzida por terapia melhora os desfechos. Monitoramento regular é essencial para prevenir recidivas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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