Consulte o CID10 - Sanar Pós

CID I46: Parada cardíaca

I460
Parada cardíaca com ressuscitação bem sucedida
I461
Morte súbita (de origem) cardíaca, descrita desta forma
I469
Parada cardíaca não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A parada cardíaca é definida como a cessação abrupta da atividade mecânica cardíaca, resultando em ausência de débito cardíaco efetivo e interrupção da perfusão sistêmica. Esta condição representa uma emergência médica crítica, caracterizada pela perda de consciência, ausência de pulso central e apneia ou respiração agônica. A fisiopatologia subjacente pode envolver arritmias malignas (como fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso), atividade elétrica sem pulso ou assistolia, frequentemente associadas a doença arterial coronariana, cardiomiopatias, distúrbios eletrolíticos ou causas não cardíacas. Epidemiologicamente, a parada cardíaca é uma das principais causas de morte súbita em adultos, com incidência global estimada em 50 a 100 casos por 100.000 pessoas-ano, e taxas de sobrevivência que variam conforme o ritmo inicial e o tempo até a desfibrilação.

Descrição clínica

A parada cardíaca manifesta-se clinicamente por colapso cardiovascular súbito, com perda de consciência, ausência de pulso carotídeo ou femoral, e respiração irregular ou ausente. A palidez cutânea, cianose e midríase podem estar presentes. A avaliação imediata revela ausência de sinais vitais, e o ritmo cardíaco, determinado por eletrocardiograma, pode ser fibrilação ventricular, taquicardia ventricular sem pulso, atividade elétrica sem pulso ou assistolia. A condição é frequentemente precedida por sintomas como dor torácica, dispneia, palpitações ou síncope, dependendo da etiologia subjacente.

Quadro clínico

O quadro clínico é de início súbito, com perda de consciência, ausência de respostas a estímulos, apneia ou respiração agônica (gasping), e ausência de pulso central. Sinais adicionais incluem palidez, cianose periférica, midríase bilateral e hipotermia progressiva. Em casos pré-hospitalares, testemunhas podem relatar colapso abrupto, convulsões ou queixas prévias como dor torácica. A ausência de sinais vitais é confirmada pela avaliação primária, e o ritmo no ECG define a abordagem terapêutica imediata.

Complicações possíveis

Lesão cerebral anóxica

Dano neuronal irreversível devido à hipóxia prolongada, podendo levar a estado vegetativo persistente ou morte encefálica.

Síndrome pós-parada cardíaca

Resposta inflamatória sistêmica com disfunção miocárdica, instabilidade hemodinâmica e risco de nova parada.

Insuficiência renal aguda

Resultante de hipoperfusão renal durante a parada, necessitando de suporte renal substitutivo.

Arritmias de reperfusão

Taquiarritmias ou bradiarritmias que surgem após a restauração do ritmo, requerendo monitorização contínua.

Infecções nosocomiais

Pneumonia associada à ventilação mecânica ou sepse em pacientes críticos pós-ressuscitação.

Epidemiologia

A parada cardíaca extra-hospitalar tem incidência anual de aproximadamente 50 a 100 por 100.000 habitantes em países desenvolvidos, com maior prevalência em homens e idosos. Cerca de 70% dos casos ocorrem em domicílio, e apenas 40% recebem RCP por leigos. A etiologia isquêmica responde por 65-80% dos casos. A sobrevivência global é baixa (cerca de 10%), mas pode chegar a 50% em paradas com ritmo chocável e desfibrilação precoce. No Brasil, dados do DATASUS indicam milhares de óbitos anuais por causas relacionadas.

Prognóstico

O prognóstico da parada cardíaca é geralmente reservado, com taxas de sobrevivência à alta hospitalar variando de 10% a 30%, dependendo do ritmo inicial (melhor para fibrilação ventricular/taquicardia ventricular sem pulso), tempo até a RCP e desfibrilação, qualidade da RCP, e causas subjacentes. Fatores como idade avançada, comorbidades e duração da parada associam-se a piores desfechos. A sobrevivência com boa função neurológica (escala Cerebral Performance Category 1-2) é alcançada em cerca de 5-15% dos casos. Intervenções como hipotermia terapêutica podem melhorar os resultados neurológicos.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.

Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀