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CID E90: Transtornos nutricionais e metabólicos em doenças classificadas em outra parte
E90
Transtornos nutricionais e metabólicos em doenças classificadas em outra parte
Mais informações sobre o tema:
Definição
A desnutrição proteico-calórica (DPC), classificada no CID-10 como E90, é uma condição clínica resultante de um desequilíbrio entre a ingestão de nutrientes e as necessidades metabólicas do organismo, caracterizada por deficiência de proteínas e calorias. Esta condição pode manifestar-se em diferentes graus de gravidade, desde formas leves até quadros graves como marasmo e kwashiorkor, com impacto significativo na função imunológica, cicatrização de feridas, força muscular e capacidade funcional. A DPC é frequentemente associada a condições subjacentes como doenças crônicas, neoplasias, infecções, distúrbios gastrointestinais ou situações socioeconômicas adversas, sendo um importante preditor de morbimortalidade em diversos contextos clínicos. Sua epidemiologia varia globalmente, com maior prevalência em regiões de baixa renda, mas também afeta populações hospitalizadas e idosos em países desenvolvidos, exigindo abordagem multidisciplinar para manejo adequado.
Descrição clínica
A desnutrição proteico-calórica é uma síndrome de deficiência nutricional que envolve redução na massa muscular, perda de tecido adiposo, alterações na composição corporal e comprometimento de funções fisiológicas. Clinicamente, pode apresentar-se de forma aguda ou crônica, com manifestações que incluem perda de peso involuntária, atrofia muscular, fadiga, edema (especialmente em kwashiorkor), alterações cutâneas como dermatose descamativa, e sinais de deficiência de micronutrientes associados. Em crianças, há impacto no crescimento e desenvolvimento, enquanto em adultos, está ligada a maior risco de infecções, complicações pós-operatórias e pior prognóstico em doenças crônicas. A avaliação requer consideração de fatores etiológicos, como ingestão alimentar inadequada, aumento das necessidades metabólicas ou perdas nutricionais excessivas.
Quadro clínico
O quadro clínico da desnutrição proteico-calórica varia conforme a gravidade e a forma de apresentação. No marasmo, predominam emaciação extrema, perda de massa muscular e tecido adiposo, com peso corporal significativamente abaixo do esperado para idade e altura, pele fina e enrugada, e aparência caquética. No kwashiorkor, há edema generalizado (especialmente em membros inferiores e face), dermatose com descamação e hiperpigmentação, cabelos ralos e descoloridos, hepatomegalia por esteatose, e apatia. Formas intermediárias podem apresentar sinais mistos. Sintomas comuns incluem fadiga, fraqueza muscular, intolerância ao frio, atraso no crescimento em crianças, e sinais de deficiências de micronutrientes associadas, como anemia ou lesões mucocutâneas. Em contextos hospitalares, pode manifestar-se como sarcopenia, atraso na cicatrização ou complicações infecciosas.
Complicações possíveis
Infecções recorrentes
Devido à imunossupressão por linfopenia e redução da função de células T, aumentando risco de sepse e mortalidade.
Atrofia muscular e sarcopenia
Perda progressiva de massa e força muscular, levando a incapacidade funcional, quedas e dependência.
Disfunção orgânica múltipla
Comprometimento cardíaco, respiratório, hepático e renal em estágios avançados, com risco de falência.
Atraso no crescimento e desenvolvimento
Em crianças, resulta em baixa estatura, comprometimento cognitivo e sequelas a longo prazo.
Complicações cirúrgicas e de cicatrização
Maior incidência de deiscência de feridas, infecções pós-operatórias e tempo prolongado de hospitalização.
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A desnutrição proteico-calórica é um problema de saúde global, com maior prevalência em regiões de baixa e média renda, afetando aproximadamente 45% das mortes em crianças menores de 5 anos, segundo a OMS. Em países desenvolvidos, é comum em populações hospitalizadas (atingindo até 30-50% dos pacientes), idosos institucionalizados e indivíduos com doenças crônicas. Fatores de risco incluem pobreza, insegurança alimentar, doenças infecciosas (como HIV/TB), neoplasias, distúrbios gastrointestinais e envelhecimento. A incidência varia sazonalmente em áreas com insegurança alimentar, e a carga é maior em grupos vulneráveis, como gestantes e lactentes. Dados do IBGE indicam que no Brasil, a desnutrição ainda persiste em bolsões de pobreza, embora tenha diminuído nas últimas décadas.
Prognóstico
O prognóstico da desnutrição proteico-calórica depende da gravidade, etiologia subjacente, tempo de intervenção e acesso a cuidados. Em formas leves a moderadas, com tratamento nutricional adequado, a recuperação é possível, mas pode ser lenta, com risco de recidiva se fatores causais persistirem. Em casos graves não tratados, a mortalidade é elevada, especialmente em crianças com kwashiorkor ou em idosos com comorbidades. Complicações como infecções ou falência orgânica pioram o desfecho. A abordagem precoce, incluindo suporte nutricional e manejo de condições associadas, melhora significativamente a sobrevida e a qualidade de vida, embora sequelas como atraso no desenvolvimento em crianças possam ser permanentes.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de desnutrição proteico-calórica baseia-se em critérios clínicos, antropométricos e laboratoriais, conforme diretrizes como as da ESPEN (European Society for Clinical Nutrition and Metabolism) e OMS. Critérios incluem: 1) Perda de peso involuntária >5% em 1 mês ou >10% em 6 meses; 2) Índice de massa corporal (IMC) <18,5 kg/m² em adultos, ou escores Z de peso-para-altura <-2 em crianças; 3) Redução da força muscular avaliada por dinamometria de preensão manual; 4) Níveis séricos de albumina <3,5 g/dL ou pré-albumina <20 mg/dL; 5) Avaliação subjetiva global (ASG) ou Mini Avaliação Nutricional (MAN) indicando desnutrição. A confirmação requer exclusão de outras causas de caquexia, como doenças neoplásicas ou inflamatórias crônicas, e consideração do contexto clínico.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Caquexia neoplásica
Síndrome de wasting associada a câncer, com perda de massa muscular e tecido adiposo, mas frequentemente com inflamação sistêmica e citocinas pró-inflamatórias elevadas, diferenciada por história de neoplasia e marcadores como PCR aumentado.
Fearon K, et al. Definition and classification of cancer cachexia: an international consensus. Lancet Oncol. 2011.
Síndrome da anorexia-caquexia em doenças crônicas
Perda de peso e massa muscular em condições como insuficiência cardíaca, DPOC ou doença renal crônica, com mecanismos inflamatórios e metabólicos distintos, exigindo avaliação da doença de base.
Evans WJ, et al. Cachexia: a new definition. Clin Nutr. 2008.
Distúrbios endócrinos (ex: hipertireoidismo)
Perda de peso e aumento do metabolismo basal devido ao excesso de hormônios tireoidianos, diferenciado por sintomas como taquicardia, sudorese e níveis alterados de TSH e T4 livre.
Ross DS, et al. 2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism. Thyroid. 2016.
Síndromes de má-absorção (ex: doença celíaca)
Deficiência nutricional secundária a distúrbios gastrointestinais que comprometem a absorção de nutrientes, com sintomas como diarreia, esteatorreia e deficiências específicas de vitaminas.
Ludvigsson JF, et al. Diagnosis and management of adult coeliac disease: guidelines from the British Society of Gastroenterology. Gut. 2014.
Transtornos alimentares (ex: anorexia nervosa)
Restrição alimentar intencional com distorção da imagem corporal, frequentemente em adolescentes e adultos jovens, requerendo avaliação psiquiátrica para diagnóstico.
American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed. (DSM-5). 2013.
Exames recomendados
Avaliação antropométrica
Medição de peso, altura, IMC, circunferência braquial e dobra cutânea para quantificar perda de massa muscular e tecido adiposo.
Estabelecer gravidade da desnutrição e monitorar resposta ao tratamento.
Dosagem de albumina e pré-albumina séricas
Marcadores laboratoriais de reserva proteica visceral e síntese hepática.
Avaliar estado nutricional e risco de complicações; níveis baixos indicam desnutrição grave.
Hemograma completo
Inclui contagem de hemácias, leucócitos e plaquetas.
Detectar anemia (comum na DPC) e alterações imunológicas como linfopenia.
Eletrólitos e função renal
Dosagem de sódio, potássio, ureia e creatinina.
Identificar desequilíbrios hidroeletrolíticos e avaliar função renal, que pode estar comprometida.
Avaliação subjetiva global (ASG) ou Mini Avaliação Nutricional (MAN)
Questionários padronizados que integram dados clínicos, dietéticos e funcionais.
Triagem e classificação do risco nutricional em diferentes populações.
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Políticas públicas para garantir acesso a alimentos nutritivos, programas de suplementação alimentar e combate à fome.
Rastreamento nutricional
Triagem regular em grupos de risco (ex: idosos, pacientes crônicos) usando ferramentas como MAN para detecção precoce.
Manejo de doenças subjacentes
Controle adequado de condições como diabetes, câncer ou doenças inflamatórias intestinais para prevenir desnutrição secundária.
Vigilância e notificação
No Brasil, a desnutrição proteico-calórica é de notificação compulsória em alguns contextos, como surtos ou casos graves em serviços de saúde, conforme Portaria GM/MS nº 204/2016. A vigilância é realizada pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), que monitora indicadores antropométricos em diferentes ciclos de vida. Profissionais de saúde devem notificar casos suspeitos ou confirmados às autoridades sanitárias locais, especialmente em crianças, gestantes e idosos, para intervenções precoces. Em nível global, a OMS coordena esforços através de programas como o Plano de Ação Global sobre Nutrição, com foco em redução do baixo peso ao nascer e desnutrição infantil.
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Marasmo é caracterizado por deficiência calórica global, com emaciação extrema, perda de massa muscular e tecido adiposo, sem edema significativo. Kwashiorkor resulta principalmente de deficiência proteica, apresentando edema generalizado, dermatose, cabelos alterados e hepatomegalia, frequentemente com preservação relativa do tecido adiposo. Formas mistas podem ocorrer.
Use ferramentas validadas como a Avaliação Subjetiva Global (ASG) ou o NRS-2002 (Nutritional Risk Screening), que integram dados clínicos, perda de peso, IMC e gravidade da doença. A triagem deve ser realizada na admissão e periodicamente, com encaminhamento para avaliação nutricional completa se indicado.
Incluem sarcopenia (perda de massa muscular), aumento do risco de quedas e fraturas, imunossupressão com infecções recorrentes, atraso na cicatrização de feridas, declínio funcional e pior prognóstico em doenças crônicas. A abordagem precoce é crucial para prevenir essas sequelas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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