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CID E84: Fibrose cística

E840
Fibrose cística com manifestações pulmonares
E841
Fibrose cística com manifestações intestinais
E848
Fibrose cística com outras manifestações
E849
Fibrose cística não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva, caracterizada por mutações no gene CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane Conductance Regulator), localizado no cromossomo 7. Essas mutações resultam em disfunção ou ausência da proteína CFTR, um canal de cloro regulado por AMPc, levando a anormalidades na secreção de fluidos em múltiplos órgãos, particularmente pulmões, pâncreas, fígado e intestino. A fisiopatologia central envolve secreções espessadas e viscosas devido ao transporte deficiente de íons e água através dos epitélios, causando obstrução de ductos, inflamação crônica, infecções recorrentes e progressiva disfunção orgânica. A FC é a doença genética letal mais comum em populações caucasianas, com impacto significativo na morbidade e mortalidade, exigindo manejo multidisciplinar ao longo da vida.

Descrição clínica

A fibrose cística manifesta-se como uma doença multissistêmica, com envolvimento predominante do sistema respiratório, gastrointestinal e sistema reprodutor. No trato respiratório, observa-se tosse crônica produtiva, bronquiectasias, infecções bacterianas recorrentes (especialmente por Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus), e obstrução das vias aéreas. No pâncreas, a insuficiência exócrina leva a má absorção de gorduras e proteínas, com esteatorreia, desnutrição e deficiências de vitaminas lipossolúveis. Outras manifestações incluem doença hepática (cirrose biliar focal), diabetes relacionado à FC, infertilidade masculina por agenesia bilateral do ducto deferente, e distúrbios eletrolíticos como a síndrome de perda de sal. A apresentação clínica varia amplamente, desde formas graves na infância até diagnósticos tardios em adultos com sintomas atípicos.

Quadro clínico

O quadro clínico da fibrose cística é variável, mas geralmente inclui sintomas respiratórios crônicos (tosse, expectoração purulenta, sibilância, dispneia), sintomas gastrointestinais (esteatorreia, dor abdominal, má progressão ponderal, prolapso retal), e manifestações sistêmicas (baixo ganho de peso, atraso no crescimento, fadiga). Sinais físicos comuns são tórax em barril, baqueteamento digital, estertores crepitantes à ausculta pulmonar, e abdômen distendido. Complicações agudas incluem exacerbações pulmonares, pneumotórax, hemoptise, e obstrução intestinal. A progressão da doença leva a insuficiência respiratória crônica, cor pulmonale, e necessidade de transplante de pulmão em casos avançados.

Complicações possíveis

Exacerbações pulmonares agudas

Episódios de piora dos sintomas respiratórios, frequentemente devido a infecções bacterianas, requerendo antibioticoterapia intensiva.

Bronquiectasias e fibrose pulmonar

Dilatação irreversível das vias aéreas e substituição fibrosa do parênquima pulmonar, levando a insuficiência respiratória crônica.

Pneumotórax

Vazamento de ar para o espaço pleural, podendo ser espontâneo e recorrente em pacientes com doença pulmonar avançada.

Hemoptise maciça

Sangramento significativo das vias aéreas, frequentemente de vasos bronquiais hipertrofiados, com risco de vida.

Insuficiência pancreática exócrina

Incapacidade de produzir enzimas digestivas, resultando em má absorção, desnutrição e deficiências vitamínicas.

Diabetes relacionado à fibrose cística

Distúrbio do metabolismo da glicose devido à destruição das ilhotas pancreáticas, exigindo manejo com insulina.

Doença hepática

Cirrose biliar focal, hipertensão portal e insuficiência hepática em estágios avançados.

Obstrução intestinal distal

Síndrome de obstrução intestinal semelhante ao íleo meconial, podendo ocorrer em adultos (síndrome de obstrução intestinal distal).

Infertilidade

Principalmente em homens devido à agenesia do ducto deferente, e em mulheres por alterações no muco cervical e fatores nutricionais.

Epidemiologia

A fibrose cística é mais prevalente em populações de ascendência europeia, com incidência de aproximadamente 1 em 2.500 a 3.500 nascidos vivos nesses grupos. No Brasil, a incidência é estimada em 1 em 10.000 nascimentos, com variações regionais. A triagem neonatal universal para FC foi implementada em muitos países, permitindo diagnóstico precoce e intervenção. A doença afeta igualmente ambos os sexos, e a prevalência está aumentando devido à melhoria na sobrevida. Mutações específicas, como F508del, são mais comuns em certas etnias, influenciando a apresentação clínica e a resposta ao tratamento.

Prognóstico

O prognóstico da fibrose cística melhorou significativamente nas últimas décadas, com a expectativa de vida média atual superior a 40 anos em países desenvolvidos, devido a avanços no manejo multidisciplinar, incluindo moduladores do CFTR, terapia agressiva de vias aéreas, e transplante pulmonar. Fatores prognósticos negativos incluem colonização precoce por Pseudomonas aeruginosa, declínio rápido do VEF1, desnutrição, diabetes e complicações hepáticas. A adesão ao tratamento é crucial para desacelerar a progressão da doença, e o acompanhamento regular em centros especializados está associado a melhores desfechos.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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