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CID E60: Deficiência de zinco da dieta

E60
Deficiência de zinco da dieta

Mais informações sobre o tema:

Definição

A deficiência de zinco da dieta, classificada no CID-10 como E60, é uma condição nutricional caracterizada pela ingestão inadequada de zinco, um oligoelemento essencial para múltiplas funções fisiológicas. O zinco atua como cofator para mais de 300 enzimas envolvidas em processos como síntese proteica, divisão celular, função imune, cicatrização de feridas, percepção gustativa e olfativa, e metabolismo de carboidratos e lipídios. A deficiência resulta da ingestão dietética insuficiente, absorção comprometida ou aumento das perdas, sendo mais prevalente em populações com dietas baseadas em cereais não refinados (ricos em fitatos que inibem a absorção), idosos, gestantes, lactentes e indivíduos com doenças gastrointestinais. O impacto clínico varia de formas subclínicas, com prejuízo no crescimento e imunidade, a manifestações graves como dermatite, alopecia, diarreia e retardo do desenvolvimento neuropsicomotor. Epidemiologicamente, é uma deficiência micronutricional global, com maior carga em países em desenvolvimento, onde contribui significativamente para morbimortalidade infantil.

Descrição clínica

A deficiência de zinco da dieta manifesta-se por um espectro clínico que depende da gravidade e duração da deficiência. Formas leves a moderadas podem ser assintomáticas ou apresentar sinais inespecíficos como fadiga, anorexia, retardo no crescimento linear e ponderal em crianças, e maior susceptibilidade a infecções devido à disfunção imune celular e humoral. Casos graves exibem a tríade clássica de dermatite acral (eritematosa, descamativa, com lesões periorificiais e nas extremidades), alopecia e diarreia, conhecida como acrodermatite enteropática adquirida. Outros achados incluem hipogeusia, hiposmia, retardo na cicatrização de feridas, cegueira noturna (por interferência no metabolismo da vitamina A), e em crianças, atraso no desenvolvimento psicomotor e puberal. A condição é frequentemente subdiagnosticada devido à sobreposição com outras deficiências nutricionais.

Quadro clínico

O quadro clínico é polimórfico. Sinais e sintomas incluem: dermatite acral (eritema, descamação, crostas em face, nádegas, e extremidades), alopecia difusa, diarreia crônica ou intermitente, anorexia, perda de peso, retardo de crescimento em crianças, infecções recorrentes (ex.: respiratórias, cutâneas), hipogeusia, hiposmia, cegueira noturna, retardo na cicatrização, letargia, irritabilidade, e em casos prolongados, hipogonadismo e atraso puberal. Em lactentes, pode manifestar-se como falha no desenvolvimento.

Complicações possíveis

Retardo de crescimento irreversível

Em crianças, a deficiência prolongada pode levar a baixa estatura e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.

Infecções graves

Imunossupressão aumenta o risco de pneumonia, diarreia infecciosa e sepse, com maior mortalidade.

Dermatite crônica e superinfecções

Lesões cutâneas podem evoluir para infecções bacterianas ou fúngicas secundárias.

Deficiências nutricionais associadas

Pode agravar deficiências de ferro e vitamina A, levando a anemia e cegueira noturna.

Epidemiologia

A deficiência de zinco é um problema de saúde pública global, afetando cerca de 17% da população mundial, com maior prevalência na África Subsaariana e Sul da Ásia. Grupos de risco incluem crianças menores de 5 anos (até 30% em algumas regiões), gestantes, idosos, e indivíduos com doenças gastrointestinais. No Brasil, estudos mostram prevalências variáveis, sendo mais comum em regiões com insegurança alimentar. A deficiência contribui para aproximadamente 4% da mortalidade infantil global por diarreia e pneumonia.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e suplementação adequada, com resolução dos sintomas em semanas a meses. Em crianças, a correção pode reverter retardo de crescimento se iniciada precocemente, mas deficiências prolongadas podem deixar sequelas como baixa estatura ou atraso cognitivo. Casos não tratados evoluem com complicações infecciosas e nutricionais, com aumento da morbimortalidade, especialmente em populações vulneráveis.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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